Raul VellosoReprodução

Repasso pra os que costumam me acompanhar em O Dia, do Rio de Janeiro, a fala de Valdeci Cavalcante, Presidente da Fecomércio/SESC/SENAC-PI, que pode ser ouvida na palestra inserida em https://www.youtube.com/watch?v=ElVXOuXusnE. Ali, Valdeci ressaltou características básicas por ele atribuídas ao meu falecido irmão, ex-ministro Reis Velloso, do Planejamento, a seu ver dignas de copiar e ter à mão, especialmente no que se refere à fase de sua graduação no Centro-Sul, e, finalmente, na pós-graduação em economia tanto na FGV-Rio, como na Universidade de Yale, nos Estados Unidos da América, onde recebemos ele o título de mestre, e eu o de doutor em economia, respectivamente.
Mas onde a sua vida profissional mais se destacou foi mesmo pelo que mais lembra a sua atuação em funções públicas: o pensamento estratégico e a visão de desenvolvimento do País que tinha sempre à mão, onde o apoio aos seres humanos tinha papel de grande destaque.
Logo após se mudar para o Rio em 1950, Velloso passou em concurso para o Banco do Brasil em SP, onde se formou em economia, e logo conseguiu admissão na Escola de Pós-Graduação da FGV-Rio, onde se aproximou de Ernane Galvêas, também autoridade no Ministério da Fazenda, que o ajudou a se matricular no curso de mestrado em economia na Universidade de Yale, dos EEUU, local onde conheceu Roberto Campos, então embaixador do Brasil naquele País. Logo em seguida, Campos assumiu o comando da área econômica do governo brasileiro, e levou Reis Velloso como principal assessor. Posteriormente, ligou-se ao então ministro do Planejamento, Hélio Beltrão, e, na sequência, ao chamado “milagre” brasileiro com taxas bem elevadas de crescimento do PIB e já sob a gestão de Delfim Neto na área fazendária. Na verdade, ele duvidava do tão badalado milagre econômico brasileiro, pois, para si, milagre só no plano espiritual ... Em economia, o que vale é: “trabalhe com competência que o efeito virá”... Daí a ênfase que conferiu à criação de órgãos como a EMBRAPA, local para onde direcionou estudiosos da área com pós-graduação em centros de alta relevância à época.
Para Valdeci, outro ponto a destacar era o grande interesse do ministro em fortalecer o desenvolvimento do seu estado natal, o Piauí. Em 1969, o badalado cronista Nelson Rodrigues escreveu “Um Piauiense em Yale”, crônica em que ele dizia que, na grande solidão americana, ele pensava muito no Piauí, notadamente em sua universidade naquele recanto carente, algo implantado com a ajuda de Jarbas Passarinho, então ministro da educação. E passou a apoiar uma série de outras atividades nas quais o seu Estado era muito carente. Valdeci disse ainda ter usado a experiência de Reis Velloso como exemplo a ser seguido em todas as atividades que desempenhou na promoção do interesse público desde muito.