Polo Sesc - ponto de encontro das representantes dos 18 estados do país e DF do que estarão presentes no eventoDivulgação

Paraty - Lideranças comunitárias de 18 estados e do Distrito Federal, participarão do Festival Pautas Sociais que vai acontecer no Polo Sociocultural Sesc em Paraty, na costa verde. O objetivo do encontro é  debater sobre a importância do trabalho de cuidado para as comunidades tradicionais  e o bem-estar de seus integrantes. O evento, acontece entre 27 e 29 de novembro com o tema “Cuidado nas comunidades tradicionais”, tem participação exclusiva de mulheres, que apresentarão as dinâmicas de seus territórios sob a perspectiva feminina.
O Pautas Sociais é um projeto construído a partir da troca com as comunidades e proporciona a circulação de tecnologias sociais e saberes por meio da abordagem de temas contemporâneos, que impactam nas relações sociais. Esse ano, o festival traz o recorte de gênero como forma de reconhecer a atuação majoritária feminina na questão do cuidado e seus impactos no dia a dia das comunidades.
“O cuidado é um trabalho humano de natureza individual e coletiva, voltado para manter, desenvolver e recuperar a vida e o bem-estar das pessoas. No Festival Pautas Sociais 2025, aprofundaremos o diálogo em torno dessa questão pelas mãos das mulheres das comunidades tradicionais, que mantêm a responsabilidade de guardar as experiências e transmitir esses saberes”, explicou a Gerente de Assistência do Departamento Nacional do Sesc, Cláudia Roseno.
As participantes são representantes de comunidades pesqueiras, extrativistas, indígenas e quilombolas, entre outros territórios. Juntas em uma ampla roda de conversa, elas compartilharão suas experiências sobre o trabalho de cuidado que desenvolvem, envolvendo questões como preservação de patrimônios histórico-culturais, trabalho com fitoterapia popular, difusão de manifestações culturais tradicionais, empreendedorismo e fortalecimento comunitário, entre outras.
O público também poderá conhecer na prática uma mostra do trabalho desenvolvido pelas representantes comunitárias. No sábado, 29/11, a unidade Sesc Paraty, no Largo de Santa Rita, dará espaço a Tenda do Cuidado. Serão oferecidos gratuitamente diversos serviços e atividades, como exposição de artesanato regional, oficinas, vivências, exibição de documentários, roda de dança e recital de poesia, entre outros.
Conheça as participantes que estarão representando seus estados em Paraty
Izabel Cristina Chagas - Alagoas - Comunidade de Mulheres Pesqueiras de Barra de Camargibe/AL - Pescadora artesanal, graduada em Geografia pela UFA, participa da Coordenação da Rede de mulheres pescadoras da Costa dos Corais.
Ivanete Laborda de Lima - Amazonas- Território indígena Apurinã - Vice tuxaua da aldeia e comunidade Tsurá, responsável pelas práticas espirituais, do artesanato e do grafismo locais.
Bárbara Marê – Bahia- Quilombo Alto do Tororó - Integra a Associação de Mulheres Akomabu (AMA), com foco na preservação e manutenção das manifestações culturais e históricas locais, e é produtora cultural do Grupo Samba das Matriarcas, que resgata o legado do samba de crioulas iniciado por suas ancestrais.
Margarida Tapeba - Ceará - Comunidade Indígena Tapeba - Liderança indígena do povo Tapeba, conhecida por sua atuação como professora, mestra do sagrado, artesã e articuladora das escolas indígenas no estado.
Esther Baldez dos Santos Marques - Distrito Federal - Boa Esperança - Pertence ao Núcleo Rural Boa Esperança/Raízes do Campo, atuando especificamente com mulheres do campo nos eixos do desenvolvimento pessoal, empreendedorismo e fortalecimento comunitário.
Rosinéa Pereira Vieira - Espírito Santo - Associação dos Pescadores Artesanais de Porto de Santana e Adjacências - Presidente da associação, pescadora artesanal, marisqueira, representa a força das mulheres na pesca artesanal de Porto de Santana, Cariacica.
Francivânia Gonçalves Silva - Maranhão - Comunidade extrativista de Taim - Atua há mais de 10 anos como Pesquisadora e Educadora Popular junto ao Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente da UFMA. Sua comunidade, formada por cerca de 150 famílias, faz parte das 12 comunidades tradicionais da Reserva extrativista Tauá-Mirim.
Maria da Conceição Pizoto - Mato Grosso - Comunidade Jejum, Pantanal - Liderança da comunidade tradicional quilombola Medalha Milagrosa, localizada na zona rural de Poconé, é proprietária da empresa Kotinha Produtos Artesanais e desenvolve atividades baseadas na agricultura orgânica e agroecologia, com destaque para a produção de compostagem orgânica a partir de resíduos domésticos, tecnologia social de baixo custo e grande potencial replicador.
Maria Auxiliadora Bezerra - Mato Grosso do Sul - Aldeia Urbana Marçal de Souza - Educadora indígena terena e gestora do Memorial da Cultura Indígena Cacique Enir Terena, atua há mais de 20 anos na valorização dos saberes tradicionais e lidera projetos culturais, formações e oficinas de artesanato, fortalecendo a identidade e o protagonismo feminino na comunidade.
Gracielly Naiara Silva Veloso - Minas Gerais - Quilombo dos Arturos – Especialista em direitos de povos e comunidades tradicionais, integra a Comunidade Quilombola dos Arturos, composta pela sexta geração de descendentes dos povos originários do Brasil, onde vivem 597 pessoas, divididas entre as 230 famílias.
Vanuza da Conceição Cardoso - Pará - Quilombo do Abacatal - Liderança espiritual e política do Território Quilombola do Abacatal, comunidade com 315 anos de existência, cofundadora do coletivo Frente em Defesa dos Territórios.
Bel Cabral - Paraná - Comunidade Quilombola Adelaide Maria da Trindade Batista - Atua como professora pedagoga na Escola Estadual Quilombola Maria Joana Ferreira e no Instituto Federal do Paraná. A comunidade mantém forte liderança feminina e é um dos poucos quilombos urbanos do Paraná.
Íris Domingos Barbosa Campos - Pernambuco - Caboclinho 7 Flexas do Recife – Integra o movimento de retomada identitária e territorial da Mata Sul indígena, salvaguardando e retomando a memória do Povo Marikito Tapuyá.
Claudiana Carvalho da Costa - Piauí - Ilha das Canárias - Poetisa, extrativista da Resex Marinha do Delta do Parnaíba, atua como artesã, pesquisadora e coordenadora do Museu Oficina da Ilha das Canárias.
Tânia Ayres - Rio de Janeiro - Vila Tradicional da Praia de São Gonçalo,Paraty - Proprietária do Rancho Tânia, espaço dedicado à preservação e à partilha dos saberes da cultura caiçara, presente há mais de 150 anos no território de São Gonçalinho.
Custódia Anacleto - Santa Catarina - Comunidade Quilombola Maria Rosalina - É griot (guardiã da tradição oral na África Ocidental) e professora na Educação Quilombola, ministrando a disciplina Saberes e Fazeres.
Dona Marta e Dea Martins - São Paulo - Quilombo do Batuque - Marta Joana coordena o batuque de umbigada "Guaiá" e o ponto de cultura "Quintal da dona Marta" em Capivari. Dea Martins é cantora popular, musicista e batuqueira no Batuque de umbigada Caiumba. Ambas são do Quintal da Dona Marta, Quilombo do Batuque, um Ponto de Cultura comunitário, espaço que realiza e recebe diversas atividades relacionadas à cultura brasileira de matriz africana.
Quitéria Gomes Pereira - Sergipe - Comunidade de Bonsucesso - Integrante da Academia Sergipana de Cordel, utiliza a literatura popular como ferramenta de denúncias sobre a degradação do rio São Francisco e dos conflitos enfrentados por comunidades tradicionais ribeirinhas.
Felisberta Pereira da Silva - Tocantins - Comunidade do Sítio Jacuba - Raizeira e benzedeira é autora do livro “A Mata que Cura” que documenta os usos terapêuticos das plantas do Cerrado e sua relação com o cuidado do corpo, da mente e da alma. Recebeu o Prêmio Dona Miúda que reconhece mestres da cultura popular tocantinense.
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