Desde sua implementação em 2014, o Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM) de Queimados tem se consolidado como referência em acolhimento e fortalecimento para mulheresDivulgação

Queimados - Foi apenas após o divórcio que Priscila (nome fictício) percebeu que havia sido vítima de violência doméstica. Durante anos, ela acreditou que o que vivia era apenas “normal” dentro de um casamento. Mas ao buscar apoio no CEAM Queimados, descobriu que sofria violência psicológica, patrimonial e sexual. Hoje, assistida pela equipe multidisciplinar do centro especializado, ela participa de cursos, oficinas e rodas de conversa. Nesse processo, ela vem se redescobrindo uma mulher forte – algo que nunca imaginou ser possível. Priscila está reconstruindo sua vida com autonomia e amor-próprio. Sua história é apenas uma entre as milhares que fazem do CEAM Queimados, unidade da Secretaria de Estado da Mulher que completa 11 anos.
Desde sua implementação em 2014, o Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM) de Queimados tem se consolidado como referência em acolhimento e fortalecimento para mulheres que buscam romper com ciclos de violência. Somente em 2024, o CEAM Queimados realizou cerca de 3.500 atendimentos, um aumento em relação ao ano anterior, que registrou 3.175.
“O CEAM Queimados é um exemplo do que entendemos como política pública efetiva: um serviço que transforma a vida das mulheres e contribui com a construção de uma rede de proteção sólida e acessível. Celebrar esses 11 anos é celebrar cada história de superação que passou por ali”, afirmou a secretária de Estado da Mulher, Heloisa Aguiar.
Planejado a partir de dados alarmantes do Dossiê Mulher do Instituto de Segurança Pública (ISP), que apontavam Queimados entre os municípios com maior número de ocorrências de violência de gênero no estado, o CEAM surgiu para responder a uma demanda urgente da Baixada Fluminense. À época, o município ocupava o terceiro lugar em chamadas para a Central 190, com média de 35 ligações diárias, e cerca de 40% das mulheres da região precisavam se deslocar até o CIAM Baixada, em Nova Iguaçu, para receber atendimento.
“O CEAM Queimados foi criado para atender a uma necessidade real e urgente do território. Hoje, 11 anos depois, somos não apenas referência no atendimento direto às mulheres, mas também na orientação a outros serviços, por meio do estudo de casos e da articulação com a rede de proteção”, explica Rosy Carvalho, coordenadora da unidade.
Em comemoração ao aniversário, foi realizado um evento com o tema “Por mim”, que destacou a importância do autocuidado e da saúde mental na jornada de superação da violência. Cerca de 50 mulheres participaram das atividades, que incluíram oficinas sobre autocuidado e a apresentação de uma pesquisa conduzida pela doutoranda da Unidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Elisângela Ferreira. O estudo abordou os impactos emocionais da violência psicológica e os caminhos percorridos por mulheres para reconstruir suas vidas.
A escolha da temática partiu da escuta das próprias assistidas, que, mesmo após romperem relações abusivas, ainda enfrentam desafios relacionados à autoestima, sobrecarga e ausência de tempo para si. O objetivo foi reforçar o papel do CEAM como um espaço não apenas de acolhimento, mas também de fortalecimento e construção de autonomia.
O CEAM Queimados integra a rede estadual de atendimento à mulher em situação de violência, ao lado do CIAM Márcia Lyra e do CIAM Baixada. Juntas, essas três unidades realizaram mais de 11 mil atendimentos em 2024. O serviço oferece acolhimento social e psicológico, orientação jurídica e conta com uma brinquedoteca para que as mulheres possam levar seus filhos durante o atendimento.