Perda de uma fatia significativa da arrecadação de royalties coloca em risco ainda maior os esforços de recuperação da cidadeFoto: Douglas Smmithy

Rio das Ostras - A cidade de Rio das Ostras, que já enfrentava uma grave crise financeira e uma situação de calamidade na saúde herdada da gestão anterior, agora sofre um novo golpe: a interrupção da operação na plataforma P-53, no campo de Marlim Leste. Segundo nota técnica da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo da Bacia de Campos (OMPETRO), Rio das Ostras será a cidade mais afetada pela paralisação, podendo perder até 23,21% da sua arrecadação de royalties.
O impacto financeiro, conforme a OMPETRO, poderá ser sentido já no repasse de royalties previsto para o mês de junho. A plataforma P-53 foi interditada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) após uma auditoria que identificou graves falhas estruturais e reincidência de irregularidades já registradas em uma interdição anterior. A medida de segurança, embora necessária, traz consequências severas para municípios dependentes da produção de petróleo.
Para Rio das Ostras, o momento não poderia ser mais delicado. Desde o início de 2025, a cidade já vinha lutando para equilibrar as contas públicas. A nova administração herdou um município devastado financeiramente: salários atrasados, folha de pagamento estourada acima do limite permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, hospitais e postos de saúde sucateados, além de serviços essenciais interrompidos. A situação levou a prefeitura a decretar estado de calamidade pública na saúde.
Agora, a perda de uma fatia significativa da arrecadação de royalties coloca em risco ainda maior os esforços de recuperação da cidade. Com menos recursos disponíveis, a manutenção dos serviços básicos e a retomada dos investimentos ficam comprometidas, exigindo medidas ainda mais duras de austeridade e gestão responsável.
Segundo a OMPETRO, a situação de Rio das Ostras é a mais grave entre os 11 municípios analisados, superando até mesmo cidades como Campos dos Goytacazes e Macaé. As perdas estimadas, caso a paralisação da P-53 se estenda por mais tempo, podem comprometer programas sociais, obras de infraestrutura e o pagamento de servidores.
O momento é de incertezas, mas também de união. Lideranças políticas da região, junto à Petrobras e à ANP, estão em diálogo para acelerar os trabalhos de reparo e garantir que a plataforma retorne às operações de forma segura o mais breve possível. Para Rio das Ostras, cada dia de paralisação representa um novo desafio para uma cidade que já luta para reconstruir seu futuro após anos de abandono.