Obras de saneamento avançam na cidade, mas reclamações sobre serviços motivam notificações da PrefeituraFoto: Divulgação

Rio das Ostras - Rio das Ostras figura entre os dez municípios brasileiros que mais investem em saneamento básico por habitante, segundo dados oficiais do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, ano-base 2023. A cidade alcançou a 6ª colocação no ranking nacional, com aplicação de R$ 62,6 milhões no período, o equivalente a R$ 385,84 por morador. O valor supera em mais de três vezes a média brasileira, estimada em R$ 103,16 por pessoa, conforme levantamento do Instituto Trata Brasil com base em informações do Ministério das Cidades.
O resultado coloca o município em um patamar acima das médias regionais. No Sudeste, grandes cidades registram investimentos que variam entre R$ 140 e R$ 160 por habitante. Em regiões como Norte e Nordeste, os índices históricos ficam abaixo de R$ 80, ainda que haja avanços recentes após concessões. Dentro desse cenário, Rio das Ostras se destaca pelo volume proporcional aplicado.
De acordo com a concessionária Rio+Saneamento, os recursos foram direcionados a obras estruturais como a nova adutora do Contorno, a ampliação da captação na Ponte do Baião, melhorias na Estação de Tratamento de Água Rio Dourado, implantação de pontos de bombeamento e ampliação de redes de abastecimento. Na área de esgoto, foram executadas novas redes coletoras, interceptor na Rodovia Amaral Peixoto e aumento da capacidade de envio de efluentes para a Estação de Tratamento de Esgoto de Mariléa.
O superintendente regional da empresa, Christian Portugal, afirmou que o investimento per capita reflete compromisso com o desenvolvimento local. Segundo ele, saneamento impacta diretamente a saúde pública, o meio ambiente e o potencial turístico da cidade.
Por outro lado, a Prefeitura de Rio das Ostras afirma que cobra melhorias da concessionária. Somente em janeiro, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto notificou a empresa 62 vezes. Entre as principais reclamações registradas estão abertura de valas sem recomposição adequada do pavimento, falta de nivelamento das vias, extravasamento de esgoto em ruas e rede de drenagem, além de questionamentos sobre cobranças consideradas indevidas por consumidores.
O município informou que mantém processos regulatórios junto à Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro e que o Procon também acompanha as demandas. A administração municipal sustenta que exige um plano de trabalho mais eficiente, com metas claras e melhorias no atendimento à população.
O cenário revela dois lados de uma mesma realidade: enquanto os números apontam alto volume de investimento por habitante, moradores seguem relatando problemas no dia a dia, especialmente relacionados a obras e serviços.