Deputados abrem diálogo para encontrar estratégias para combater os efeitos das mudanças climáticas no Rio de Janeiro Thiago Lontra
Frente Parlamentar em Defesa da Justiça Climática é lançada pela Alerj
Grupo vai dialogar para encontrar estratégias para combater os efeitos das mudanças climáticas
Rio - Uma Frente Parlamentar pela Justiça Climática foi instalada, na noite desta segunda-feira (13), pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). O grupo, que terá uma composição mista, com participação de parlamentares e sociedade civil, será presidido pelo deputado Flávio Serafini (PSOL). O objetivo da iniciativa é promover diálogo e encontrar estratégias para combater os efeitos das mudanças climáticas no Rio de Janeiro.
Entre os planos e ações previstos estão os seguintes destaques: cobrança da redução das emissões de gases do efeito estufa; reivindicação da adaptação das infraestruturas para os impactos das mudanças climáticas; fortalecimento do aparato de gestão de riscos e desastres; conscientização da população das suas causas, consequências e soluções; ampliação a participação popular nos debates climáticos; e acompanhamento da proposição e execução orçamentária para mudanças climáticas, meio ambiente, redução de riscos e desastres.
"Nossa ideia é fazer com que essa frente seja um espaço de diálogo coletivo. Não dá para esperar o futuro para falarmos da gravidade das mudanças climáticas, injustiça ambiental e justiça climática. Uma frente parlamentar, mas acima de tudo uma frente social e política para incidir em políticas públicas, modelo de desenvolvimento e garantir uma sociedade em que a gente ganhe cada vez mais", disse Serafini.
Coordenador da ONG Fase (Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional) no Rio de Janeiro, Aércio Oliveira destacou a conexão entre mudanças climáticas, cidade e a metrópole fluminense nas últimas décadas.
"Com as mudanças climáticas se evidencia o racismo e injustiça ambiental, sabemos quais são as primeiras vítimas dos eventos extremos provocados pelo clima, aqueles que estão na base da pirâmide socioeconômica desse país: mulheres, crianças e idosos. Precisamos colocá-los no centro do debate das mudanças climáticas juntos com tantas políticas públicas necessárias e enfrentar a questão fundiária urbana", comentou.
O deputado Carlos Minc (PSB) lembrou do período em que esteve à frente do Ministério do Meio Ambiente, em 2004, e da criação do Fundo Amazônia, que voltou a funcionar recentemente, após quatro anos parado. Ele defende o cumprimento da Plano Estadual de Mudança Climática.
"O Brasil nesse período foi o primeiro país em desenvolvimento a ter meta de redução de carbono. Cerca de 20% do recurso do Fundo Amazônia pode ser usado em outros biomas. É necessário cobrar o cumprimento do Plano Estadual de Mudança Climática, aprovado pela Lei 9.072/20", afirmou Minc.
Encontros temáticos
Flávio Serafini se comprometeu em organizar encontros temáticos e ampliar a participação popular para enfrentar os desafios que vêm pela frente, e ainda reafirmou seu compromisso com a luta para salvar o planeta e ampliar o debate pela justiça ambiental.
"É essencial que possamos pensar em políticas que obriguem os governos municipais, estaduais e federais a terem ações concretas. Precisamos ter diálogo constante com a população que vive em favelas e periferias. Importante salientar que políticas públicas devem ser feitas com quem vai ser atendido por elas diretamente", disse a deputada Renata Souza (PSOL).
Também participaram do lançamento da Frente os deputados Professor Josemar (PSOL), Marina do MST (PT) e Yuri (PSOL), além de representantes do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis, do Fórum Climático de Magé, e lideranças do Jacarezinho, Manguinhos, Rio das Pedras e Angra dos Reis.

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