Rio – Em audiência de custódia realizada neste sábado (1º), o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) decidiu pela prisão preventiva de Jackson dos Santos Fernandes, de 29 anos, que matou a facadas a sua companheira grávida Ana Clarice Graça da Silva, de 23 anos, na frente dos filhos de um e dois anos, na última quinta-feira (29), no bairro Vargem Pequena, na Zona Oeste.
Em documento da decisão, o juiz Bruno Rodrigues Pinto, da 3ª Vara Criminal, afirmou que "no caso em apreço, entendo como necessária a decretação da prisão preventiva do custodiado, para garantia da ordem pública, em razão da gravidade em concreta do delito, uma vez que este demonstrou ser detentor de personalidade extremamente perigosa e violenta, já que desferiu diversas facadas contra a sua companheira, que, em razão das lesões provocadas, veio a óbito ainda no local dos fatos, sem qualquer chance de ser socorrida. Além disso, extrai-se do procedimento que o crime fora praticado na frente dos filhos do casal, crianças pequenas, circunstância que torna ainda mais reprovável a conduta do custodiado".
Os dois filhos do casal estão sob a guarda provisória do avô materno desde a morte da dona de casa.
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Relembre o caso
Jackson foi preso em flagrante, na última quinta-feira (29), após matar a companheira grávida a facadas na Rua Mazzaropi, em Vargem Pequena, Zona Oeste.
Ele foi encontrado por agentes da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) em um shopping de Del Castilho, na Zona Norte.
A vítima estava grávida de dois meses e deixa uma filha de um ano e um menino de dois. Ambos são filhos do preso. "O filho mais novo perguntou pela Ana, ele viu o pai matar a mãe. Quando ele estava na delegacia, ele falou que o pai brigou com ela. Já em casa, ele queria que abrisse a casa dizendo que a mãe estava caída no chão. A criança viu tudo, isso é doloroso para nós", disse Luiz Claudio da Silva, tio da vítima.
"Ela era mãe, amiga, cuidava bem dos filhos, uma pessoa muito legal para a família. Ela vivia num relacionamento abusivo, o parceiro a levou para Bahia, e nossa família mandou a passagem para ela voltar, após um episódio de agressão. Só que ele era muito apegado aos filhos e minha sobrinha acabou deixando ele voltar. Eles estavam juntos há oito anos", completou o auxiliar de serviços gerais.
Ainda de acordo com Luiz Cláudio, o uso de drogas pode ter influenciado Jackson a cometer o crime. "Ele tinha vício em drogas e álcool e sempre brigavam por isso. Ele aparentava ser um rapaz bom, trabalhador, mas o uso de drogas e a bebida fazia ele surtar. Acredito que por ele ser usuário isso aconteceu. Eu quero que a Justiça dos homens seja feita e concluída. Eu e minha família esperamos justiça, queremos vê-lo na cadeia pagando o que ele fez".
Em nota, a Polícia Civil informou que a DHC foi acionada pelo 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes) e, durante as diligências, descobriu que Jackson foi visto no início da tarde deixando a residência em que morava com os filhos, mas havia deixado a mais nova com uma vizinha. Em seguida, foi embora apenas com o mais velho.
Os agentes o encontraram no Shopping Nova América e ele não resistiu à prisão. Em depoimento, Jackson confessou o crime e disse que a discussão começou porque desconfiou que Ana Clarice havia abortado o filho que esperava. Ele alegou que esfaqueou a companheira depois que ela havia empunhado uma faca e o atacado.
Na audiência de custódia deste sábado (2), Jackson afirmou não ser dependente químico.
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