Motorista, suspeito de intolerância religiosa, arrancou com o carro depois de não deixar família vestida com trajes do Candomblé entrar em seu veículoReprodução
Motorista de aplicativo que se recusou a levar família com roupas do candomblé é indiciado
De acordo com a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), o inquérito foi concluído e enviado ao Ministério Público
Rio - O motorista de aplicativo investigado por se recusar a levar uma família com roupas do candomblé foi indiciado pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) por intolerância religiosa. De acordo com a especializada, o inquérito foi concluído e enviado ao Ministério Público.
A empresária Tais da Silva Fraga estava acompanhada das filhas, de 8 e 13 anos, quando solicitou a viagem para ir a um terreiro, mas o suspeito não quis levá-la por causa da roupa que as três usavam. Ao DIA, Taís disse que o motorista foi extremamente grosseiro e que não deixou a família nem sequer entrar no veículo. Uma das filhas da empresária já estava com um dos pés dentro do carro quando o homem a impediu.
"Nós sofremos uma grande intolerância religiosa. Solicitamos um carro para nos levar a um terreiro que fica a cinco minutos da minha residência. Nós estávamos indo para uma cerimônia vestidas com as roupas de santo. Eu, minhas filhas e a minha sogra. Quando chegou, ele viu a minha sogra, que não estava com a roupa de santo. A única que não estava. Ela já estava embarcando no carro. Quando ela olhou para o lado esquerdo, que era o lado em que nós estávamos, ele se recusou a levar a gente e se recusou a deixar a gente embarcar. Minha filha menor já estava com o pé dentro para o embarque. Foi muito constrangedor", disse Taís.
"Nós tivemos que sair. Eu perguntei a ele o porquê e ele repetiu que não ia levar, que a gente não poderia embarcar no carro. Eu solicitei que ele fizesse o cancelamento porque a gente já tinha pago pelo aplicativo no cartão e ele foi extremamente grosseiro. Falou para eu me virar com a Uber, que eu fizesse o cancelamento e arrancou com o carro. Logo em seguida, ele mesmo fez o cancelamento da viagem", completou.
Tais relatou que, após a recusa do motorista, as filhas ficaram com medo de entrar em outro carro solicitado para ir ao terreiro.
"Automaticamente entrou um outro motorista que aceitou a viagem, mas eu tive um constrangimento muito grande porque a minha filha não queria embarcar no próximo Uber que aceitou a viagem porque ela ficou com medo dele fazer a mesma coisa, não deixar a gente embarcar e passar por tudo que a gente passou. Nos dias de hoje, é inaceitável uma coisa dessas. É uma crueldade fazer isso, qualquer tipo de preconceito com o ser humano", afirmou a empresária.
Na época do acontecimento, a Uber informou que não tolera discriminação e a conta do suspeito está suspensa enquanto o caso está sendo investigado.
"A Uber não tolera qualquer forma de discriminação. Em casos dessa natureza, a empresa encoraja a denúncia tanto pelo próprio aplicativo quanto às autoridades competentes e se coloca à disposição para colaborar com as investigações, na forma da lei", informou a empresa por meio de nota.

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