Max Marinho, de 18 anos, ao lado de membros da Comissão de Direitos Humanos da OAB na porta da 82ª DP (Maricá)Reprodução
Os ataques se agravaram nas últimas semanas, após o aluno trans responder ao que seria mais uma das provocações. As piadas aconteceram durante uma palestra sobre gênero promovida pelo próprio Núcleo de Gênero e Diversidade do IFF.
"Vi eles fazendo piadas e subi lá no palco. Contei abertamente que esse garoto estava agindo de maneira totalmente errada. A partir disso, que foi há mais ou menos duas semanas, a situação escalonou de uma maneira muito grande. Comecei a receber ameaças. Uma delas onde esse mesmo garoto me filmou dentro do banheiro. Não só ele, mas também recebi ameaças de outros garotos e ainda de alguns pais desses alunos", relatou o jovem.
As ameaças foram denunciadas por Max junto a direção do Instituto Federal, mas ele alega que há muita demora na solução do caso. "Esses garotos continuam lá. Não fizeram nada com eles. Eles seguem na escola. A direção só falou, mas não fez nada", criticou o aluno trans, que já havia sido alvo de preconceito em outra ocasião no ano anterior: "Já tinha feito outra denúncia parecida no ano passado, mas nada foi feito. Não foi nesse nível de agora, mas nada aconteceu", lamentou o aluno.
A situação do aluno também vinha sendo acompanhada de perto pela professora do IFF Manuela Nogueira, coordenadora do Núcleo de Gênero e Diversidade do IFF (Maricá). De acordo com ela, a situação é muito grave e causa indignação de todos.
"Está ocorrendo a trasnfobia e efetivamente não temos uma resposta rápida. A equipe pedagógica diz que vai resolver, mas é tudo muito moroso e devagar. Sendo que tem provas, existem testemunhas e aí eu me sinto um pouco responsável pelo que está acontecendo. Isso porque sou professora, funcionária pública e é meu dever denunciar esse tipo de caso. O dever da escola é proteger o aluno e acolher", pontuou a professora.
Em nota, a direção do IFF no Campus Avançado de Maricá esclareceu que já foi informada da situação e que criou uma comissão interna para apurar os fatos e definir possíveis medidas cabíveis. "A apuração tramita internamente e de forma sigilosa, por se tratar de estudantes menores de idade", esclareceu a entidade.



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