Max Marinho, de 18 anos, ao lado de membros da Comissão de Direitos Humanos da OAB na porta da 82ª DP (Maricá)Reprodução

Rio - Um aluno trans do Instituto Federal Fluminense (IFF) registrou, nesta sexta-feira (14), uma ocorrência na Polícia Civil onde denúncia estar sendo alvo de preconceito por utilizar o banheiro masculino da unidade no Campus Avançado Maricá, Região Metropolitana do Rio. Max Marinho Castro, de 18 anos, alega que comentários, ameaças e constrangimentos praticados por outros estudantes, todos menores de idade, começaram já no início do ano letivo, em abril.
Segundo o estudante, os ataques eram praticados por alunos adolescentes que se incomodavam com o fato de ele utilizar o banheiro masculino. A 82ª DP (Maricá) investiga. 
"Tudo começou quando um garoto cis foi reclamar com a mãe dizendo que uma 'menina', no caso eu, que se dizia menino, estava usando o banheiro masculino. Ele disse para ela que estaria incomodado com essa situação e essa mãe foi reclamar no grupo de pais, que não é oficial. Criou-se uma discussãozinha e beleza. Isso faz alguns meses atrás. Foi passando e passando, com essa discussão voltando. Então, esse garoto, com os colegas dele começaram a fazer piada, comentários ofensivos e postagens no Instagram com legendas transfóbicas", comentou o aluno.

Os ataques se agravaram nas últimas semanas, após o aluno trans responder ao que seria mais uma das provocações. As piadas aconteceram durante uma palestra sobre gênero promovida pelo próprio Núcleo de Gênero e Diversidade do IFF. 

"Vi eles fazendo piadas e subi lá no palco. Contei abertamente que esse garoto estava agindo de maneira totalmente errada. A partir disso, que foi há mais ou menos duas semanas, a situação escalonou de uma maneira muito grande. Comecei a receber ameaças. Uma delas onde esse mesmo garoto me filmou dentro do banheiro. Não só ele, mas também recebi ameaças de outros garotos e ainda de alguns pais desses alunos", relatou o jovem.

As ameaças foram denunciadas por Max junto a direção do Instituto Federal, mas ele alega que há muita demora na solução do caso. "Esses garotos continuam lá. Não fizeram nada com eles. Eles seguem na escola. A direção só falou, mas não fez nada", criticou o aluno trans, que já havia sido alvo de preconceito em outra ocasião no ano anterior: "Já tinha feito outra denúncia parecida no ano passado, mas nada foi feito. Não foi nesse nível de agora, mas nada aconteceu", lamentou o aluno.
A ida de Max a delegacia de polícia foi acompanhada por membros da Comissão de Direitos Humanos da OAB de Maricá. Nas redes sociais, o órgão reforçou que "transfobia é crime" e que a cidade de "Maricá não naturaliza crime". 
"Hoje, as Comissões de Direitos Humanos e de Educação da OAB-MARICÁ, juntamente com o Conselho Municipal LGBTQ+, estiveram acompanhando o jovem estudante Max, para registrar a ocorrência policial no caso de transfobia e ameaça ocorrida no IFF. A escola é um espaço de promoção da Cidadania e de Combate aos preconceitos. Portanto, a única vítima possível no caso em tela são os Seres Humanos agredidos", diz a publicação.

A situação do aluno também vinha sendo acompanhada de perto pela professora do IFF Manuela Nogueira, coordenadora do Núcleo de Gênero e Diversidade do IFF (Maricá). De acordo com ela, a situação é muito grave e causa indignação de todos.

"Está ocorrendo a trasnfobia e efetivamente não temos uma resposta rápida. A equipe pedagógica diz que vai resolver, mas é tudo muito moroso e devagar. Sendo que tem provas, existem testemunhas e aí eu me sinto um pouco responsável pelo que está acontecendo. Isso porque sou professora, funcionária pública e é meu dever denunciar esse tipo de caso. O dever da escola é proteger o aluno e acolher", pontuou a professora.

Em nota, a direção do IFF no Campus Avançado de Maricá esclareceu que já foi informada da situação e que criou uma comissão interna para apurar os fatos e definir possíveis medidas cabíveis. "A apuração tramita internamente e de forma sigilosa, por se tratar de estudantes menores de idade", esclareceu a entidade.