Droga apreendida pelos policiais da 72ª DP (São Gonçalo) era enviada pelos CorreiosReprodução

Rio - A Polícia Civil realizou uma operação para desmantelar uma rede de distribuição de drogas da facção Comando Vermelho, na Região dos Lagos. Na ação, duas mulheres foram presas.
Nesta sexta-feira (14), Maria Eduarda Satiro Silveira, de 23 anos, foi presa em flagrante ao retirar uma caixa com sete tabletes de maconha na agência dos Correios do município de Búzios. Dois dias antes, Beatriz de Souza Coutinho Jesus, 21 anos, também foi detida ao receber uma encomenda com seis tabletes de maconha em Araruama.
De acordo com as investigações da 72ª DP (São Gonçalo), as duas jovens integram um esquema interestadual de distribuição de drogas comandado de dentro do sistema prisional. A carga recebida por Beatriz foi negociada pelo detento Paulo Vinícios Andrade dos Santos, o PL, encarcerado no Presídio Alfredo Tranjan, em Bangu, Zona Oeste do Rio. Ele possui anotações por tentativa de homicídio, roubo e tráfico de drogas.
Já a droga enviada à Maria Eduarda foi comprada por Diogo de Paula Silva, conhecido como DG ou Professor. Preso na Penitenciária Muniz Sodré, também em Bangu, ele é apontado como o atual chefe do tráfico de drogas na comunidade Cem Braças, localizado em Búzios.
Os agentes da 72ª DP (São Gonçalo) apuraram que as drogas eram enviadas de Maringá, no Paraná, com destino a municípios da Região dos Lagos, onde jovens mulheres são aliciadas pelos traficantes do Comando Vermelho para receber as cargas e repassá-las à organização criminosa.
"A preferência é porque são meninas vulneráveis, de fácil aliciamento. Normalmente, elas têm filhos e são solteiras, abandonadas pela família e precisam se sustentar. Então, elas encontram uma forma rápida de arrumar um dinheiro. Outra motivação é que levanta menos suspeita. Uma mulher nova vai aos Correios para pegar uma encomenda. A princípio, ninguém suspeita", explica o delegado Márcio Esteves, titular da distrital, ao DIA.
Beatriz e Maria Eduarda foram encaminhadas à Central de Custódia, em Benfica, onde estão à disposição da Justiça. As investigações prosseguem no sentido de identificar o fornecedor e demais integrantes da quadrilha.
Questionada sobre possíveis ações contra os detentos que comandam a rede de distribuição de drogas, a Secretaria de Administração Penitenciária não se manifestou até o momento.