Rio - A defesa do delator da Operação Lava Jato, Sergio Mizrahy, protocolou uma denúncia na Corregedoria Nacional do Ministério Público (CPMN) contra dez procuradores do Ministério Público Federal. Na denúncia, encaminhada ao órgão no último dia 7, a advogada Fernanda Pereira pediu apuração de práticas de "tortura" e "métodos medievais" para fazer com que Mizrahy firmasse um acordo de delação premiada durante a sua prisão em maio de 2018. A CPMN determinou a instauração de uma reclamação disciplinar, com grau de sigilo.
De acordo com o delator, os procuradores teriam ameaçado ele, sua mulher e os três filhos caso não aceitasse o acordo de delação. "Teu acordo não é só teu não, é teu, dos teus filhos, da tua mulher, eles tinham que estar presos também". Em um outro trecho citado do requerimento, um dos procuradores também teria dito à Mizrahy: "Só tem uma opção. É isso ou é isso. Você quer ficar aqui pra sempre na cadeia? Você vai tirar mais 40 anos na cadeia e a gente vai prender todo mundo".
Os procuradores citados na denúncia são: Eduardo Ribeiro Gomes El Hage; Fabiana Keylla Schneider; Felipe Almeida Bogado Leite; José Augusto Simões Vagos; Leonardo Cardoso de Freitas; Marisa Varotto Ferrari; Rafael A. Barretto dos Santos; Rodrigo Timóteo da Costa e Silva; Sergio Luiz Pinel Dias; e Stanley Valeriano da Silva.
Sérgio Mizrahy, que é engenheiro e doleiro, foi preso na Operação Câmbio, Desligo acusado de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção passiva com base na delação premiada de Cláudio Souza.
No documento encaminhado à CNMP, com 20 páginas, a defesa de Mizrahy também cita as condições "extremamente degradantes" na prisão em Bangu, na Zona Oeste do Rio, assim como as condições de higiene.
A reportagem tenta contato com o MPF para um posicionamento sobre as acusações contra dez procuradores do órgão.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.