Obras no lote 119-E, na Ilha do Jorge, em Angra dos Reis, com invasão na área verde preservadaReprodução
O DIA teve acesso às imagens dos terrenos de lote 119-E e 42-B. Nas fotos é possível ver vestígios de destruição da área verde, assim como a instalação de um muro de pedras no terreno de frente para o mar.
Conforme apurado, o empresário Wagdy Nassib Radwan se apresenta nas reuniões de condomínio como o responsável pelo lote 119-B, tendo o seu filho, Daniel de Oliveira Radwan, como procurador do terreno. Já o terreno 42-B foi repassado por Wagdy para o seu sócio, Antonio José Barbosa Teles.
Revoltados com a grave situação que o condomínio se encontra, os condôminos pedem a interferência urgente dos órgãos responsáveis na tentativa de impedir ainda mais o avanço da degradação da área verde permanente do local.
A obra no lote 119-E começou em outubro do ano passado. Dois meses depois, o condomínio enviou a primeira notificação de irregularidades a Daniel Radwan. No entanto, as obras não pararam, tampouco foram apresentados documentos que comprovassem a legalidade das movimentações de terra.
De acordo com os moradores, seria impossível os responsáveis pelas obras obterem autorização legal, já que a área é considerada de preservação ambiental. Mesmo após a notificação, as construções não pararam e continuam até hoje.
Em uma tentativa de contornar a situação e construir um diálogo com os proprietários do terreno, uma reunião de moradores foi realizada no dia 3 de junho deste ano. O encontro, realizado às 10h, contou com a presença de Wagdy Radwan, Daniel Radwan, Antonio Teles e, para a surpresa dos condôminos, do deputado estadual Anderson Moraes.
O parlamentar, que também ocupa a posição de presidente da Comissão de Economia, Indústria e Comércio da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), não é dono de nenhum dos cerca de 150 imóveis no condomínio. Para os moradores, a participação do deputado, a convite dos empresários envolvidos nas obras citadas acima, foi uma forma de intimidar as demais partes.
"Após a notificação, ao invés de cessar a invasão, ele [Wagdy] levou um deputado estadual para a reunião, tentando mostrar a força política dele. Isso deixou o pessoal inconformado, além de mostrar que ele não tem pretensão de consertar o dano, apenas quer impor uma ameaça para que ninguém denuncie", disse uma fonte à reportagem.
De acordo com o texto do deputado Anderson, publicado em fevereiro do ano passado e aprovado um mês depois, Wagdy Nassib foi merecedor da condecoração por ser filho de imigrantes libaneses e ter retornado ao Rio de Janeiro para formar família e empreender, gerando cerca de 400 empregos do estado. O parlamentar, em sua justificativa, também considerou o fato do empresário ser "um autêntico flamenguista roxo".
Minc enviará um ofício ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e ao Instituto Estadual do Ambiente (INEA) agregando as imagens das obras. Ainda segundo ele, também será exigido não apenas a interrupção do desmatamento ilegal e multas aos responsáveis, como também a obrigação de reconstituição da área agredida em pelo menos três vezes do volume de tudo que foi desmatado.
O parlamentar, que já foi secretário de estado do Ambiente do Rio de Janeiro entre 2007 e 2008, e ministro do Meio Ambiente (MMA) no governo Lula entre o período de 2008 a 2010, chama a atenção para a gravidade do problema.
O empresário Antonio Barbosa Teles respondeu à reportagem sobre os dois lotes, e afirmou que aguarda o licenciamento ambiental para começar a obra no lote 42-B, terreno este que aparece com a construção de um muro de pedras próximo ao mar. A área é de preservação ambiental. "Nada sendo feito no lote 119 e o 42 em vias de regularização e licenciamento”.
O deputado estadual Anderson Moraes informou que esteve no local a passeio e que costuma visitar o condomínio desde 2005. Moraes disse ainda desconhecer qualquer denúncia de crime ambiental.
Autoridades verificam denúncia
A Polícia Civil disse que não foi acionada para verificar os crimes citados acima.








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