Falta de energia interrompeu a operação do ramal Saracuruna e fechou 37 estações de trem Cleber Mendes/Agência O Dia

Rio - Passageiros que utilizam o serviço de trem da SuperVia, ramal Gramacho-Saracuruna, e precisam voltar para casa no fim da tarde e início da noite desta sexta-feira (21), estão recorrendo ao ônibus ou aplicativo de transporte. Isso se deve porque a circulação neste ramal ficou suspensa há mais de 24 horas por falta de energia.
A SuperVia retomou às 18h10 desta sexta-feira (21) a circulação de trens no ramal Saracuruna. A primeira viagem paradora seguirá até a estação Saracuruna, sem os clientes precisarem fazer a baldeação na estação Gramacho. Depois de 30 minutos, partirá um trem com destino a Gramacho e, depois de mais 30 minutos, partirá um trem direto com destino a Saracuruna. Como o horário de pico é no sentido Baixada Fluminense, a concessionária está priorizando atender os passageiros na volta para a casa. As viagens no sentido Central do Brasil do ramal Saracuruna continuam suspensas.
"Gente, quando a SuperVia vai consertar o trem? Meu ônibus está lotado"; "Lá se vai mais um dia de trem ruim. Agora é ir para casa de ônibus", "Quero ir para casa logo mais. É uma vergonha para quem trabalha no Centro e tem que voltar para casa logo mais, tanto trem como ônibus", reclamaram alguns passageiros nas redes sociais antes do serviço ser retomado. Aproximadamente 30 mil usuários que utilizam o transporte foram afetados.
Para lidar com a demanda, a Federação das Empresas de Mobilidade Urbana do Rio de Janeiro (Semove) disse que as empresas de ônibus que operam na Baixada Fluminense, especificamente as de Duque de Caxias, reforçaram a frota em circulação, colocando nas ruas todos os ônibus disponíveis.
A concessionária que administra o serviço disse que o transtorno foi causado pelo furto de um cabo alimentador, na altura do Parque Arará, em Benfica, na Zona Norte do Rio.
Entenda como ficou o funcionamento

Todas as 37 estações a partir de Manguinhos, na Zona Norte do Rio, incluindo as extensões Guapimirim e Vila Inhomirim, permanecem fechadas. Somente os terminais da Central do Brasil, São Cristóvão, Maracanã e Triagem seguem abertos, por se tratarem de integração com outros ramais.
Por conta da paralisação, 37 estações de trem da SuperVia estão fechadas - Reprodução
Por conta da paralisação, 37 estações de trem da SuperVia estão fechadasReprodução


Ramal Saracuruna: 16

- Manguinhos
- Bonsucesso
- Ramos
- Olaria
- Penha
- Penha Circular
- Brás de Pina
- Cordovil
- Parada de Lucas
- Vigário Geral
- Duque de Caxias
- Corte Oito
- Gramacho
- Campos Elíseos
- Jardim Primavera
- Saracuruna

Extensão Guapimirim: 14

- Parque Estrela
- Santa Dalila
- Suruí
- Santa Guilhermina
- Iriri
- Magé
- Jardim Nova Marília
- Jororó
- Citrolândia
- Parada Ideal
- Jardim Guapimirim
- Parada Modelo
- Parada Bananal
- Guapimirim

Extensão Vila Inhomirim: 7
- Morabi
- Imbariê
- Manoel Belo
- Parada Angélica
- Piabetá
- Fragoso
- Vila Inhomirim

A Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários, Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro (Agetransp) abriu um boletim de ocorrência para apurar o ocorrido. A agência afirma, por meio de nota, que o problema foi "causado por um cabo de rede aérea partido, na altura da estação Penha" e informa que enviou uma equipe técnica ao local.
Levantamento dos crimes no sistema ferroviário em 2023

A SuperVia fez um levantamento que mostra os principais dados relacionados aos crimes contra o sistema ferroviário. A concessionária que opera os 270 quilômetros de trilhos que ligam o Rio a outros 11 municípios contou, de janeiro a junho deste ano, 90 ocorrências de assaltos e/ou arrastões contra passageiros em trens e/ou estações. O número de assalto a colaboradores da empresa chama atenção porque já supera o de 2022. Ao longo de todo o ano passado, foram 15 ocorrências do tipo. Este ano, já são 24 casos de profissionais da SuperVia assaltados enquanto estavam trabalhando.

Mesmo com risco de vida por causa do choque elétrico, as caixas de impedância da SuperVia também passaram a ser alvo dos ladrões de cabos do Rio de Janeiro. O equipamento blindado custa cerca de R$ 40 mil, fica enterrado e abastece as subestações de energia alimentadoras do transporte ferroviário do Grande Rio. Em 2022, foram 59 furtos de caixas de impedância. Este ano, o número já chegou a 146. Essas caixas possuem peças de cobre.

"A segurança pública dentro do sistema ferroviário é atribuição do Poder Público, conforme contrato de concessão. As autoridades policiais atuam nos trens, estações e ao longo da via férrea - no caso do sistema ferroviário, através do Grupamento de Policiamento Ferroviário (GPFER). Os agentes de controle da concessionária não têm poder de polícia para atuar na prevenção ou coerção de ações de natureza criminal. A SuperVia atua em parceria com as forças de segurança pública do Estado, buscando soluções para mitigar o risco à operação decorrentes da violência urbana", disse a concessionária.

A SuperVia reiterou que "vem adotando todas as medidas possíveis para garantir a integridade de seus colaboradores, inclusive oferecendo suporte psicológico por meio de seu Núcleo de Saúde Mental".