Fiocruz vê risco de uma nova epidemia de dengue no paísDivulgação

Rio - Um levantamento da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) aponta que entre os dias 9 e 15 de julho houve um aumento de 299,6% nos casos prováveis de dengue no Estado do Rio de Janeiro com relação ao mesmo período de 2022. São 34.133 casos este ano contra 8.541 de um ano atrás. Os dados da Subsecretaria de Vigilância e Atenção Primária à Saúde (Subvaps) indicam aumento do número de casos na capital, com maior elevação em números absolutos. No ano passado foram 3.341 casos, contra 16.128 em 2023. 

De acordo com a SES, ainda que os casos de dengue sejam dinâmicos, a a população não pode relaxar no combate ao Aedes, mesmo no período de inverno, época em que normalmente os números apresentam quedas. Uma hipótese é que o inseto pode estar se adaptando à estação.

A secretaria, por intermédio da 'Campanha 10 Minutos Salva, Vidas', recomenda que sejam realizadas ações de controle mecânico, para evitar o surgimento de criadouros do mosquito, tais como: limpar e esvaziar os pratos dos vasos de plantas, manter as caixas d’água, cisternas e outros recipientes de armazenamento de água fechados, além de colocar as garrafas viradas para baixo, como medidas efetivas de controle do Aedes aegypti.
Em entrevista ao DIA, para esclarecer os motivos do aumento da doença no inverno, o infectologista Edmilson Migowski explicou que as temperaturas só influenciam na rapidez da maturação dos ovos do mosquito. No entanto, o maior aliado do Aedes aegypti é a água da chuva.
"A questão da dengue em relação a frio ou calor, é muito relativo mesmo, até porque no Rio de Janeiro não faz tanto frio assim. É que nos meses mais frios o índice pluviométrico diminui. Aí vale destacar que a fêmea do mosquito não coloca os ovos na água, ela coloca os ovos na parede do recipiente, do pneu, da vasilha, dois milímetro a cima da água. Ela fica na esperança de que aquele reservatório se encha de água porque alguém jogou ou choveu. Com o nível da água subindo, acaba pegando os ovos na parede e aí se tem o ciclo do mosquito", explicou.
Ainda segundo o infectologista, cerca de 80 a 90% dos criadouros do Aedes aegypti se encontram em residenciais e, por isso, a população precisa ser seu próprio agente de saúde, cuidando de suas residenciais e quintais. "Se isso não acontecer, a gente vai ter a cada momento esses reservatórios de água subindo, causando a proliferação desses mosquitos", argumentou.
"A fêmea do Aedes Aegypti é um bioterrorista alado, capaz de carrega mais de uma dezena de diferentes vírus. Dentre eles, Zika, Chigunguya, Febre Amarela, além dos vários tipos de dengue", afirmou Migowski.