Rio - A placa do veículo, modelo Cobalt, usado na execução da vereadora Marielle Franco e Anderson Gomes, foi cortada em pedaços pequenos e jogada na linha do trem da Estação Engenho de Dentro, na Zona Norte do Rio. O detalhe foi revelado pelo ex-PM, Élcio de Queiroz, em sua delação premiada à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
Segundo o documento, ao qual o DIA teve acesso, Élcio revelou que um tempo depois do crime, ele, Ronnie Lessa e Suel estavam preocupados com a identificação do veículo e por isso, foram até a garagem de sua casa para trocar a placa e fazer uma varredura no carro.
Com a ajuda de Suel, Élcio confessou ter retirado as placas frontal e traseira do carro, além de limpar o veículo e retirar as cápsulas de munição que restaram do crime. Após a limpeza, Suel teria pegado as placas e cortado em pedaços pequenos com uma tesoura de chapa.
Os pedaços foram colocados em um saco plástico e entregues para Lessa. O trio seguiu em dois carros para a Estação Engenho de Dentro. Suel dirigia o Cobalt, com uma nova placa, e Élcio pilotava uma Evoque, levando Ronnie Lessa consigo.
Os pedaços foi despejados ao longo dos trilho da estação por Ronnie, enquanto o veículo estava em movimento. Élcio afirmou que o objetivo era que as partes da placa se misturassem com os cascalhos dos trilhos, para não serem encontrados.
Em 2021, Suel foi condenado por obstruir as investigações das mortes da vereadora e do motorista. No entanto, na sentença proferida pela 19ª Vara Criminal, ele foi autorizado a cumprir a pena em regime aberto, com prestação de serviços à comunidade. Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio (MPRJ), o ex-bombeiro foi alvo de mandado de prisão "por atrapalhar de maneira deliberada" as investigações.
O ex-sargento já foi alvo de pelo menos três operações do MPRJ. Em março de 2019, durante a Operação Lume, agentes da Polícia Civil e do MPRJ foram até a casa do bombeiro, em um condomínio de luxo, no Recreio dos Bandeirantes, e apreenderam documentos que pudessem ter ligação com a morte de Marielle Franco. Suel foi levado para a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), mas não chegou a ser preso. Em junho de 2020, o militar foi alvo da Operação Submersus 2, que investigou o sumiço de armas do policial militar reformado Ronnie Lessa. Maxwell foi localizado no mesmo endereço e preso, suspeito de ter participado do sumiço das armas que podem ter sido usadas na morte da parlamentar.
De acordo com as investigações, no dia 13 de março de 2019, um dia após as prisões dos ex-policiais Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, denunciados como autores dos crimes, Maxwell, junto com Elaine Pereira Figueiredo Lessa, esposa de Ronnie, Bruno Pereira Figueiredo, cunhado de Ronnie, José Marcio Mantovano e Josinaldo Lucas Freitas, presos durante a Operação Submersus, ajudou a ocultar armas de fogo de uso restrito e acessórios pertencentes a Ronnie, que estavam armazenados em um apartamento no bairro do Pechincha utilizado pelo ex-policial, bem como em locais ainda desconhecidos.
O papel de Maxwell para obstruir as investigações foi ceder o veículo utilizado para guardar o vasto arsenal bélico pertencente a Ronnie, entre os dias 13 e 14 de março de 2019, para que o armamento fosse, posteriormente, descartado em alto mar.
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