Rio - De um lado, moradores preocupados com o meio ambiente. Do outro, empresários que querem transformar o Jardim de Alah em um parque linear com alguns estabelecimentos comerciais beirando o canal. Neste sábado (22), cerca de 500 pessoas fizeram um protesto para evitar que 130 árvores sejam destruídas no parque entre Ipanema e Leblon, Zona Sul do Rio.
Com vários cartazes, manifestantes explicaram a importância do local para o meio ambiente. Com um megafone, a atriz Julia Lemmertz destacou os problemas que a mudança pode causar. A Rio+Verde garante que não haverá dano ambiental.
fotogaleria
No Instagram, a artista chegou a publicado um vídeo criticando a decisão da Prefeitura do Rio de fazer a concessão do Jardim de Alah. "A Prefeitura do Rio é useira e viseira de deixar uma área pública se deteriorar para depois vir com uma solução que envolva gastos maiores. Verbas para conservação não são tão grandes, já uma obra de recuperação pode envolver licitação e a contratação de empresas. O Jardim de Alah foi mais uma vítima dessa prática. Até permitiram que o parque fosse usado como canteiro da obra do metrô", acusou Julia Lemmertz.
Quem também se manifestou nas redes sociais foi o ator Matheus Solano. Ele propôs a necessidade de um diálogo aberto com ambientalistas e moradores. "Ninguém é contra o empreendimento naquele local, mas que ele seja feito respeitando o meio ambiente", argumentou.
O movimento Fórum da Cidadania do Rio de Janeiro defendeu que a parte jurídica deveria ser melhor discutida entre as partes. "Como podemos falar em uma licitação de um bem tomado? A manifestação foi uma ótima oportunidade para explicar a sociedade os aspectos jurídicos que envolvem o tema, para além da questão do corte de 130 árvores! Mostramos a sociedade a nossa vitória. Essa história já se arrasta há muito anos e o nosso foco é fazer com que a sociedade tenha familiaridade com as questões de direito incidentes no Jardim de Alah", afirmou.
'Não haverá dano ambiental'
Se muitas pessoas são contra a construção de um parque no local, outras afirmam que será melhor para o Jardim de Alah. Presidente da Associação de Amigos e Moradores de Ipanema (Amai), o empresário Carlos Monjardim defendeu a mudança que, segundo ele, irá impactar positivamente na segurança da região.
"Esse parque linear, que será feito pelo Consórcio Rio+Verde, terá alguns estabelecimentos comerciais beirando o canal. Não vai afetar em nada. A área está degrada há anos. Será uma atração turística bem diferente do que é hoje, quando se encontram moradores de rua e há assaltos. O novo Jardim de Alah será mantido 35 anos pela iniciativa privada, com segurança e estacionamento subterrâneo", disse.
O empresário acrescentou que o contrato foi assinado após vários debates acalorados e uma audiência pública, na qual a maioria das pessoas se mostrou a favor da obra. "O que acontece é que um grupo de inconformados passou a distribuir fakenews induzindo pessoas ao erro. As 130 árvores serão remanejadas e outras estão com o galho podre. Isso corresponde a 17% do parque. O Consórcio Rio+Verde irá plantar 300 novas árvores", finalizou Monjardim.
Consórcio garante replantio
Ao DIA, o Consórcio Rio + Verde informou que o projeto para a construção do novo Parque Jardim de Alah foi planejado e estruturado sob as melhores práticas, tendo sido aprovado pelos órgãos competentes. De acordo com o grupo, o objetivo do projeto é tornar o espaço novamente acessível aos moradores do Rio, levando lazer e segurança para uma área hoje deteriorada.
Em relação à manifestação realizada na manhã deste sábado (22), a empresa entende que faz parte do processo democrático e esclarece que é falsa a informação de que será instalado um shopping no local e que o novo Jardim de Alah será menos arborizado.
"Serão plantadas cerca de 300 novas árvores no novo parque, um incremento de 41% em relação às existentes. Além da compensação ambiental obrigatória de plantio de mais de 1300 árvores em locais a serem definidos pela Secretaria de Meio Ambiente.
A empresa destacou que conta com o apoio formal das associações de moradores do entorno do parque, como a Amai, a Associação de Moradores e Amigos do Leblon (AmaLeblon) e a Associação de Moradores da Cruzada São Sebastião (Amorabase).
"O Rio + Verde seguirá comprometido com a revitalização do Jardim de Alah, sempre com respeito ao meio ambiente, à legislação e ao patrimônio", destacou.
A Prefeitura do Rio foi procurada, mas não respondeu até o fechamento da matéria. O espaço está aberto para manifestações.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.