Edson Luís foi morto por policiais no Restaurante Central dos EstudantesArquivo Nacional
Estudante Edson Luís é incluído no Livro de Heróis e Heroínas do Rio
Jovem foi morto aos 18 anos durante a Ditadura Militar e se tornou um dos símbolos da resistência estudantil nos anos de chumbo
Rio - A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) aprovou, nesta terça-feira (6), o Projeto de Lei que inclui o nome de Edson Luís de Lima Souto no Livro dos Heróis e Heroínas do Estado. A proposta é de autoria da deputada Dani Monteiro (PSOL), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Casa, segue para sanção do governador.
Edson Luís foi um estudante secundarista assassinado pela polícia durante a Ditadura Militar em 1968, aos 18 anos, durante uma manifestação estudantil no Restaurante Central dos Estudantes, o Calabouço, no Centro do Rio. O caso teve grande repercussão nacional e tornou-se um marco da resistência estudantil contra o regime autoritário. No mesmo ano, em dezembro, o governo militar endureceu ainda mais o regime com o Ato Institucional nº 5 (AI-5), que suspendeu garantias constitucionais e permitiu a cassação de mandatos.
"Edson foi assassinado por lutar por condições dignas para os estudantes. Ele é o grande representante da coragem da juventude contra a opressão. Sua inscrição no Livro dos Heróis e Heroínas do Estado do Rio de Janeiro é o reconhecimento de sua luta e do sonho de um Brasil verdadeiramente democrático. Preservar a memória é manter viva a história", destacou Dani Monteiro.
Natural de Belém, no Pará, Edson havia se mudado para o Rio para concluir os estudos. "Estamos falando de uma das muitas dívidas que o Estado brasileiro carrega com as vítimas da ditadura militar e suas famílias. Incluir Edson Luís neste Livro é um reconhecimento oficial de que sua morte, como a de tantos outros, foi resultado da violência do regime e não será esquecida. Sua história segue viva como símbolo de coragem, resistência e luta por um país democrático", concluiu.
Homenagem a escravizados que replantaram Floresta da Tijuca
A Alerj incluiu no Livro de Heróis e Heroínas, no fim de março, os nomes de pessoas escravizadas que trabalharam no reflorestamento da Floresta da Tijuca e das Paineiras. Segundo a deputada Dani Monteiro, também autora do Projeto de Lei, o reconhecimento de Eleutério, Constantino, Manoel, Mateus, Leopoldo, Maria, Sabino, Macário, Clemente, Antônio e Francisco é uma forma de reparação diante da contribuição dos povos escravizados na construção do país.
"O Brasil sempre exaltou barões do café e engenheiros brancos, mas não os braços negros que seguraram este país de pé. Com esta inscrição no Livro dos Heróis e Heroínas do Estado, queremos reafirmar que sem os negros não há Rio de Janeiro, não há Brasil. Celebraremos esse ato de memória e de resistência", afirmou
O replantio da Floresta da Tijuca foi um feito histórico e, por conta dele, o Rio de Janeiro abriga atualmente a maior floresta urbana do mundo. No entanto, a participação dos trabalhadores negros escravizados foi por muito tempo apagada.
Com a aprovação, os nomes dos trabalhadores passaram a integrar oficialmente o Livro dos Heróis e Heroínas do Estado do Rio de Janeiro, criado pela Lei Estadual 5.808/10 para homenagear figuras de grande contribuição para a história fluminense.

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