Médicos das Clínicas da Família realizaram uma manifestação no Centro do RioReginaldo Pimenta/Agência O DIA
"Nenhuma unidade reportou impacto nos atendimentos nesse momento, mas, sem dúvida nenhuma, é um prejuízo para cidade. Muitas pessoas deixaram de ser atendidas por causa desse movimento do sindicato dos médicos", frisou.
Segundo o secretário, o sindicato teria recomendado apenas que 30% dos profissionais trabalhem nas unidades durante a paralisação. "Nenhuma unidade teve menos que isso", esclareceu.
Soranz esteve presente na manifestação e afirmou que a secretaria está aberta para o diálogo. O secretário reiterou que não haverá negociação para aumento de salário.
"A maioria dos médicos não concorda. Infelizmente não temos possibilidade de aumentar o salário neste momento, não temos aumento na arrecadação. O número dos médicos de família quase dobrou nos últimos quatro anos e investimos muito em recuperação nas clínicas. Os médicos de família no Rio têm um dos maiores salários comparado às outras cidades do nosso estado", reforçou.
De acordo com um manifesto, assinado por representantes da categoria, os profissionais estão há mais de quatro anos sem reajustes salariais, com condições de trabalho e atendimento cada vez mais precários. O texto alega também que as unidades de saúde enfrentam problemas como escassez de medicamentos, dificuldades estruturais — como falta de luz, água e internet —, além de muitos destes postos estarem em locais marcados pela violência. O documento exigem negociações com as autoridades.
O secretário, no entanto, argumenta que o salário dos profissionais varia de R$ 17 mil a R$ 31 mil, dependendo da formação e do local em que atua.
"Em relação às condições de trabalho, avançamos muito. 70% das clínicas já foram reformadas, avançamos em prontuário eletrônico, exames laboratoriais e nas principais estruturas. Avançamos também em relação a distribuição de medicamentos. É claro que temos dificuldades em alguns insumos, mas buscamos saná-las a todo tempo", disse.
Por fim, Soranz reforçou que a maioria dos profissionais presentes no protesto são residentes. "Em relação à residência, eles entraram há menos de um mês no programa. Começaram agora a residência ou tem menos de um ano de casa. Todos esses profissionais recebem uma gratificação que corresponde a mais de R$ 7 mil. Só aqui no Rio a residência recebe essa gratificação e somos uma das poucas cidades do país que paga isso", reforçou.
Os profissionais também relatam ameaças frequentes nos territórios onde atuam, sem que o poder público ofereça medidas efetivas de segurança. Além disso, os salários estão congelados há mais de quatro anos, apesar da inflação acumulada no período.
Representado pelo Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SINMED-RJ), o grupo buscou diálogo em audiências de mediação prévia no Tribunal Regional do Trabalho. Todas as Organizações Sociais que mantêm contrato de gestão com a Secretaria Municipal de Saúde — e que empregam diretamente os médicos — recusaram-se a negociar.
Diante do impasse, a categoria aprovou nova paralisação para o dia 11 de junho. O objetivo é pressionar por condições dignas de trabalho, reajuste salarial e a consequente melhoria da assistência prestada à população carioca.
Informamos que, devido a ameaças de corte de ponto e demissões, o sindicato ingressou com ação civil pública conseguiu na data de hoje liminar, determinando que as Organizações Sociais se abstenham de realizar qualquer tipo de sanção aos profissionais. (anexa) os réus se abstenham de aplicar qualquer sanção aos profissionais grevista."



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