Paes definiu Bira Presidente como 'Embaixador da alegria'Rede Social

Rio - O prefeitura do Rio e a Câmara Municipal lamentaram a morte de Bira Presidente, fundador do Cacique de Ramos e um dos criadores do Fundo de Quintal. O artista faleceu aos 88 anos, na noite deste sábado (14) no Hospital da Unimed Ferj, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, em decorrência de complicações relacionadas ao câncer de próstata e ao Alzheimer.

Nas redes sociais, a prefeitura o homenageou utilizando trechos de letras de sucesso do Fundo de Quintal. Enquanto Eduardo Paes, o descreveu como anfitrião da cidade e "embaixador da alegria".
"Ele era o anfitrião da cidade junto comigo. O embaixador da alegria, da poesia e da musicalidade da nossa gente. Hoje a nação caciqueana e toda a cidade acordam mais tristes. Meu amigo Bira nos deixou. Obrigado por tudo. O Rio de Janeiro deve muito a você. Viva Bira Presidente!", disse Paes.
A Câmara Municipal do Rio lamentou a morte, descrevendo o artista como inesquecível, símbolo maior do Cacique de Ramos e uma das figuras mais importantes da cultura popular carioca. "O Cacique perde seu líder, e o Rio perde um gigante."

"Com sua liderança carismática à frente do Cacique por mais de cinco décadas, Bira foi muito mais do que um dirigente: foi guardião de uma tradição, embaixador do samba e referência de resistência cultural. Sob sua condução, o Cacique de Ramos não apenas manteve viva uma das mais emblemáticas manifestações do carnaval carioca, como também revelou grandes nomes da música brasileira, ajudando a projetar talentos e fortalecer o legado do samba de raiz", disse.
A instituição também prestou solidariedade à família. "Neste momento de luto, a Câmara se solidariza com os familiares, amigos, integrantes do Cacique de Ramos e com toda a comunidade do samba. O Rio perde hoje um dos seus grandes baluartes, mas a memória de Bira viverá eternamente nos corações dos foliões e nos acordes do samba", acrescentou.
O local do velório e sepultamento de Bira ainda não foi divulgados. O cantor deixa as filhas Karla Marcelly e Christian Kelly, os netos Yan e Brian, e a bisneta Lua.
Trajetória
Ubirajara Félix do Nascimento começou a frequentar as rodas de samba ainda na infância. Nesses espaços, conheceu sambistas famosos que foram os primeiros exemplos na execução do pandeiro, instrumento que o acompanharia em toda carreira. Aos 7 anos, foi batizado na escola de samba Estação Primeira de Mangueira.
Fundou em 20 de janeiro de 1961 o Grêmio Recreativo Cacique de Ramos, no subúrbio carioca, que tem como padroeiro São Sebastião e fortes ligações com a Umbanda, religião afro-brasileira. Nomes como Almir Guineto, Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz foram projetados no mundo do samba por meio das rodas no Cacique.
Bira trabalhou por décadas como servidor na administração pública federal e do estado do Rio de Janeiro, mas pediu exoneração do cargo para se dedicar totalmente à carreira artística. No fim da década de 1970, criou o Fundo de Quintal, grupo que se tornou uma das maiores referências do samba brasileiro e serviu de inspiração para novos nomes do gênero.
Passaram pelo grupo Jorge Aragão, Arlindo Cruz, Walter Sete Cordas, Mario Sergio, Almir Guineto, Cleber Augusto e Flavinho Silva. A formação atual do Fundo de Quintal conta com Bira Presidente, Sereno, Ademir Batera, Júnior Itaguay, Márcio Alexandre e Tiago Testa.
Em 2015, Bira Presidente recebeu a Medalha Pedro Ernesto, honraria máxima concedida pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro. No ano seguinte, foi destaque no carro dos malandros no enredo "A ópera dos malandros" do Salgueiro. O artista teve sua história contada no livro "O Patuá Tamarindo", lançado pelo jornalista Paulo Guimarães em 2019.
Nos últimos meses, o artista se afastou do grupo devido aos problemas de saúde. Durante a recente turnê internacional do Fundo de Quintal pelos Estados Unidos, Bira não participou das apresentações. Ele também se ausentou das atividades do bloco neste Carnaval.