Condições climáticas adversas impediram as buscas por Juliana no local do acidenteReprodução
Resgate de turista de Niterói que caiu de trilha na Indonésia é suspenso devido ao clima, diz irmã
Socorristas não haviam conseguido localizar a brasileira antes de o tempo virar
Rio – As buscas por Juliana Marins, turista de Niterói que caiu de uma trilha na Indonésia na noite de sexta-feira (20), pelo horário de Brasília, precisaram ser suspensas neste domingo (23) devido a condições climáticas desfavoráveis. A informação foi compartilhada por Mariana Marins, irmã da publicitária brasileira de 26 anos, em uma página no Instagram criada exclusivamente para atualizações sobre o caso da jovem.
Em um vídeo nesta página, Mariana afirma que está em contato direto com uma equipe de resgate baseada no ponto onde ocorreu o acidente com Juliana - que podia ser avistada a 300 metros de distância em uma área íngreme horas após a queda, porém, está desaparecida desde sábado (22). Já em uma outra postagem, ela reproduz uma mensagem que parece ser dos socorristas.
O texto diz que duas equipes estão na região e pretendem retornar ao local do acidente na manhã desta segunda-feira (23), no horário local – pelo fuso horário, a Indonésia está 10 horas à frente do Brasil. O tempo se encontra nublado e com ventos fortes.
Ainda de acordo com o comunicado, o céu chegou a ficar limpo por um curto período de tempo, mas não foi possível avistar Juliana. Quanto ao uso de helicóptero no resgate, a equipe considera a opção inútil no penhasco onde a publicitária brasileira se encontrava, pois acarretaria ainda mais problemas. A única ocasião na qual se recomenda o uso da aeronave é quando a vítima já tiver sido evacuada para o acampamento.
Família desmente autoridades
A notícia sobre a suspensão no resgate de Juliana chega algumas horas após a família apontar como falsas informações do governo da Indonésia, repassadas pela Embaixada do Brasil em Jacarta, capital do país asiático, dando conta de que um montanhista havia chegado à brasileira.
O informe afirmava que o homem teria estabilizado a brasileira em uma maca e lhe dado água e alimento. Sobre o resgate, dizia apenas que a ação ocorreria “assim que possível”, mas não especificava o porquê da espera.
Já na madrugada deste domingo (22), Mariana procurou a reportagem de O DIA para afirmar que tais dados são inverídicos: “Recebemos, com muita preocupação e apreensão, que não é verdadeira a informação que a equipe de resgate levou comida, água e agasalho para a Juliana, conforme divulgado pelas autoridades indonésias e pela Embaixada do Brasil em Jacarta”.
Segundo Mariana, o socorro não chegou à publicitária devido ao comprimento insuficiente das cordas usadas e da baixa visibilidade no local. A família alega que chegou a receber imagens do suposto resgate, que também não seriam verdadeiras - a brasileira, inclusive, sequer aparece. O vídeo teria sido forjado por uma equipe de buscas que estava em contato mais frequente com as autoridades indonésias e não com a família.
A irmã de Juliana ainda usou a página na Instagram para criticar o Itamaraty e a Embaixada brasileira em Jacarta, que ainda não teriam enviado à família uma nota oficial ou um posicionamento claro "sobre o desaparecimento e o estado real" da publicitária. Ela pede urgência aos órgãos e destaca que tem recebido informações a partir de "turistas, voluntários e pessoas locais que estão ajudando nas buscas".
O caso
Juliana fazia o passeio, por meio da empresa de turismo Ryan Tour, pelo vulcão Rinjani, em Lombok, ilha na Indonésia. A brasileira ficaria de sexta (20) a domingo (22) na região. A trilha integrava um passeio conhecido como mochilão, no qual ela estava desde fevereiro, com passagens por por outros países asiáticos como Filipinas, Vietnã e Tailândia.
Cerca de três horas depois da queda, um grupo de turistas espanhóis avistou a brasileira e passou a monitorá-la, fazendo fotos e vídeos, inclusive com uso de drone. As imagens mostram Juliana sentada em uma área inclinada, aparentemente com dificuldade de se levantar e retornar à trilha.
Eles localizaram Juliana nas redes sociais, e foi assim que a família tomou conhecimento do caso e conseguiu contato com o grupo neste sábado. Mesmo assim, as notícias ainda eram escassas, o que só aumentava a angústia da família: “Não se sabe se ela quebrou algum osso, porque ela não consegue se levantar. Ela não se mexia. O máximo que conseguia era movimentar os braços”, descreveu Mariana, com base nas imagens enviadas pelos espanhóis.
Ainda segundo informações recebidas pela irmã de Juliana, a situação da turista ficou mais delicada após a passagem de uma neblina: “Eles (turistas espanhóis) ficaram horas sem ver a Juliana. A neblina molhou muito o solo, minha irmã passou a escorregar. E depois que a neblina sumiu, ela já estava bem mais abaixo na montanha, muito próxima do precipício”.
O DIA fez contato com a Embaixada do Brasil em Jacarta e com o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e aguarda retorno.

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