Autoridades e instituições, como o governador do Rio Cláudio Castro e a Prefeitura de Niterói, lamentaram a morte da brasileira Juliana Marins, de 27 anos, que caiu na trilha do Monte Rinjani, na Indonésia, no último sábado (21), no horário local. Segundo a família, equipes de resgate encontraram a vítima sem vida nesta terça-feira (24). Apesar disso, o corpo da niteroiense ainda não foi retirado do local.
Através das redes sociais, Castro revelou que recebeu a notícia com tristeza. "Juliana, com apenas 26 anos, deixará um vazio imenso em quem a conhecia e a admirava. Neste momento de perda irreparável, expresso minha solidariedade aos familiares e amigos da jovem. Que encontrem conforto e força, e que a memória de Juliana permaneça viva em seus corações. Meus sinceros sentimentos", disse.
Já a Prefeitura de Niterói reforçou que, desde o primeiro momento, acompanhou com apreensão as informações sobre o caso, na esperança de um desfecho diferente.
"Juliana era uma jovem cheia de sonhos, com grande amor pela natureza, por Niterói e pela descoberta do mundo. Sua trajetória deixa um legado de alegria, energia e inspiração para todos que tiveram o privilégio de conhecê-la.Neste momento de luto, manifestamos nossa solidariedade aos familiares, amigos e a todos que estão sentindo a ausência de Juliana. Desejamos força e serenidade para atravessar este período de profunda dor", lamentou.
Também prestaram solidariedade aos familiares, o Governo Brasileiro e as ministras da Cultura Margareth Menezes e dos Direitos Humanos e da Cidadania Macaé Evaristo.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores comentou sobre os esforços para o resgate. "A embaixada do Brasil em Jacarta mobilizou as autoridades locais, no mais alto nível, para a tarefa de resgate e vinha acompanhando os trabalhos de busca desde a noite de sexta-feira, quando foi informada da queda no Mount Rinjani. O governo brasileiro transmite suas condolências aos familiares e amigos da turista brasileira pela imensa perda nesse trágico acidente", disse em comunicado.
A ministra da Cultura também demonstrou tristeza com o caso. "Acabei de saber que a jovem Juliana Marins, que caiu fazendo trilha em um vulcão na Indonésia, não resistiu. Estava acompanhando, torcendo, rezando por Juliana. Meus sinceros sentimentos a todos! O Brasil hoje lamenta e chora junto. Que ela descanse em paz", afirmou.
Ainda nas redes, a ministra Macaé Evaristo prestou solidariedade aos familiares. "Solidarizamos profundamente com a família e amigos de Juliana Marins. Uma jovem aventureira que lutou pelos seus sonhos e resistiu bravamente. Devemos transformar o luto em luta: para que nenhuma mulher seja abandonada, e para que não transformem nossos sonhos em culpa", frisou.
Esse era o quarto dia de buscas pela publicitária "Hoje, a equipe de resgate conseguiu chegar até onde Juliana Marins estava. Com imensa tristeza, informamos que ela não resistiu. Seguimos muito gratos por todas as orações, mensagens de carinho e apoio que temos recebidos", informou a página dedicada a atualizações sobre a brasileira.
Entenda o caso
Juliana fazia um passeio, por meio da empresa de turismo Ryan Tour, pelo vulcão Rinjani, em Lombok, ilha na Indonésia. Moradora de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, ela ficaria de sexta (20) a domingo (22) na região. A trilha integrava um passeio conhecido como mochilão, no qual ela estava desde fevereiro, com passagens por outros países asiáticos, como Filipinas, Vietnã e Tailândia.
Então, ela caiu da trilha. Um grupo de turistas espanhóis avistou a brasileira e passou a monitorá-la, fazendo fotos e vídeos, inclusive com uso de drone. As imagens mostram Juliana sentada em uma área inclinada, aparentemente com dificuldade de se levantar e retornar.
Eles localizaram Juliana nas redes sociais, e foi assim que a família tomou conhecimento do caso e conseguiu contato com o grupo no sábado (21). Mesmo assim, as notícias ainda eram escassas, o que só aumentava a angústia dos familiares. "Não se sabe se ela quebrou algum osso, porque ela não consegue se levantar. Ela não se mexia. O máximo que conseguia era movimentar os braços", descreveu Mariana, com base nas imagens enviadas pelos espanhóis.
Ainda segundo informações recebidas pela irmã de Juliana, a situação da turista ficou mais delicada após a passagem de uma neblina. "Eles (turistas espanhóis) ficaram horas sem ver a Juliana. A neblina molhou muito o solo, minha irmã passou a escorregar. E depois que a neblina sumiu, ela já estava bem mais abaixo na montanha, muito próxima do precipício."
Corrida contra o tempo
Na segunda-feira (23), Juliana foi localizada por um drone, já sem sinais vitais aparentes. Por volta das 21h (horário de Brasília), quando na Indonésia já era quase 7h desta terça (24), as buscas pela brasileira haviam sido retomadas. Segundo a família, Juliana está a uns 650m de distância do local da queda.
Segundo o Parque Nacional do Monte Rinjani, as condições climáticas impediram o uso de helicóptero para o resgate de hoje, porém sete socorristas conseguiram se aproximar do ponto onde a vítima se encontra. No entanto, eles tiveram que montar um acampamento voador no local ao anoitecer.
"A equipe conjunta continua os esforços para evacuar a vítima de origem brasileira que caiu na região de Cemara Nunggal, o caminho para o monte Rinjani. Nesta manhã, as atividades focaram-se na descida direta para a localização da vítima utilizando a técnica de resgate vertical, embora o terreno de penhasco e o clima ainda constituíssem um grande desafio", explicou.
Ainda segundo a instituição, cerca de 48 pessoas de várias agências estão envolvidas, com uma rota de evacuação alternativa a ser preparada através do lago Segara Anak se o terreno íngrime permanecer inacessível. Além disso, uma logística adicional também foi distribuída para apoiar as operações nos próximos dois dias. O resgate é acompanhado pela Embaixada do Brasil.
Ainda nesta terça (24), o pai de Juliana, Manoel Marins Filho, embarcou para o país e pediu orações para a filha. Ele ainda tinha esperanças de encontrá-la com vida. "Estamos embarcando agora para Bali, prestes a entrar no avião. São praticamente 10 horas de voo daqui até lá. Quero pedir que vocês sigam orando pelo resgate da Juliana, que ela esteja bem e possa voltar conosco para o Brasil. Sã e salva. Obrigada por tudo", afirmou.
No momento, equipes seguem no local para resgatar o corpo. A diferença de fuso horário do país para o Brasil é de cerca de 10horas. No momento, lá já é noite, o que dificulta a visibilidade.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.