Pastor José Mirabeau, presidente do Conselho da Igreja Presbiteriana de CopacabanaÉrica Martin / Agência O Dia

Rio – O pastor José Mirabeau, presidente do Conselho da Igreja Presbiteriana de Copacabana, na Rua Barata Ribeiro, Zona Sul do Rio, lamentou o vandalismo sofrido pelo templo religioso, que foi atacado com fezes por um criminoso na última segunda-feira (7). Ao DIA, ele cobrou dos órgãos públicos e do Poder Judiciário que os bandidos sejam punidos de forma efetiva.
"Nosso anseio é que o poder público atue de uma forma mais efetiva corrigindo essa cena social, e parece-nos que não se trata apenas de reforçar a presença e atuação da polícia. Sem dúvida, seria desejável termos mais viaturas, mais policiais, com equipamentos melhores, uma melhor infraestrutura para sua própria atuação. Mas, por outro lado, não adianta fazê-lo se os meliantes continuarem sendo soltos e o número da população de rua e usuários de drogas continua crescendo exponencialmente, como está crescendo a olhos vistos", disse.
Câmeras de segurança flagraram o ato de vandalismo, que aconteceu na última segunda-feira (7). Nas imagens, é possível ver um homem de camisa vermelha carregando um embrulho com uma grande quantidade de fezes. Ele se aproxima do totem e esfrega o material nas câmeras de segurança.
"Nós não aceitaremos essas condutas, não nos calaremos e nem nos sentiremos acuados. Continuaremos a fazer valer o nosso papel como voz profética na sociedade, denunciando o mal e atuando com força para a promoção do bem comum."
Ataques frequentes
Este é o segundo ataque registrado no espaço em menos de um mês. Na madrugada do último dia 24, três criminosos invadiram o santuário e promoveram um rastro de destruição.
Segundo a igreja, os invasores forçaram o portão de acesso pela Rua Paula Freitas, arrombaram portas, reviraram salas, armários e gavetas, e furtaram material de limpeza, louças, talheres, copos, equipamento de som e um computador portátil, causando um prejuízo avaliado em R$ 15 mil. Eles ainda defecaram no interior do templo e utilizaram toalhas da mesa eucarística para se limpar.
"Ambos os ataques chocaram muito a nossa comunidade de fé e também a muitas outras pessoas que têm se mostrado solidárias, simpáticas à nossa causa, e enviado mensagens de apoio através dos mais variados meios", afirmou José.

O crime foi registrado na 12ª DP (Copacabana). Um dos suspeitos foi preso, e a investigação segue para identificar os demais envolvidos. Sobre o ataque ocorrido nesta segunda-feira, a Polícia Civil ainda não informou se vai investigar o caso.
'Sombra que intimida'
O pastor explicou que os episódios recentes de vandalismo na igreja provocaram um sentimento de medo nos fiéis, impulsionado pela sensação de insegurança em Copacabana, responsável inclusive por alterar horários de atividades do templo.
"Fica, para a comunidade de fé, uma sombra que se espraia e intimida, temoriza. Nosso público já é receoso de frequentar atividades vespertinas porque teme circular no bairro no horário da noite. Tivemos que restringir, ao longo dos últimos tempos, nossas programações noturnas por conta da segurança pública, e isso em Copacabana. Estamos falando de um dos bairros mais famosos do Rio de Janeiro, senão do Brasil, uma das praias mais conhecidas do mundo, no coração da Zona Sul", opinou.
Ele elogiou o patrulhamento que tem sido feito na região pela polícia, mas destacou que não adianta, se os bandidos forem soltos logo após cometerem crimes.
"Esses episódios só refletem o gravíssimo nível de degradação moral na nossa sociedade, os intoleráveis níveis de violência urbana a que estão submetidos os nossos cidadãos e o quão sintomáticas são essas coisas acerca de uma condição que precisa ser modificada, urgentemente enfrentada pelo poder público. Não é coisa que possa ser adiada, porque há muita gravidade em todos esses fatos. A Igreja repudia terminantemente toda a prática de ódio e intolerância e reafirma o seu compromisso em lutar pela manutenção da liberdade, direito de culto, não apenas dos cristãos, mas de todas as religiões, porque ainda estamos em um país livre. Atos desta natureza, de ódio, intolerância, devem ser combatidos e reprimidos com a maior celeridade."
Policiamento está reforçado, diz PM
À reportagem, a Polícia Militar informou que o batalhão de Copacabana vem intensificando o patrulhamento ostensivo na área, assim como as rondas com viaturas e as abordagens a veículos e pedestres. "A unidade vem readequando a distribuição do policiamento dinâmico no referido bairro. Nesse contexto, além do efetivo ordinário, o batalhão também emprega policiais militares através do Regime Adicional de Serviço (RAS)", disse.

A corporação, no entanto, pontuou que casos como o de segunda-feira podem ser considerados como crimes de oportunidade, em que o criminoso espera uma brecha para agir.

A PM ressalta ainda a importância de que a população colabore realizando denúncias - o telefone do Disque-Denúncia é (21) 2253-1177 - ou, para casos urgentes, faça o acionamento através da Central ou App 190. Os registros nas delegacias da Polícia Civil também são essenciais para que procedimentos investigativos sejam iniciados.