Theatro Municipal recebe o público em evento gratuito que celebra os 116 anosÉrica Martin / Agência O Dia

Rio – O Theatro Municipal, na Cinelândia, comemorou 116 anos nesta segunda-feira (14), mas quem ganhou presente foram os cariocas, que puderam participar de uma programação especial e gratuita. A Casa promoveu apresentações de ópera, bandas sinfônicas e uma visita guiada, emocionando o público.
Ao DIA, a primeira bailarina e embaixadora do teatro Ana Botafogo não escondeu a felicidade em fazer parte das celebrações. Ela marcou presença junto com seu pai, o cirurgião Ernani Fonseca, que completa 100 anos em 2025.
"Eu estou aqui há 44 anos. Já dancei muito nesses palcos, nas escadarias, e hoje é um dia de comemoração. Teremos espetáculos a cada hora. Espetáculos diferentes, de canto, música e dança. Não percam. É um dia de comemorações, e eu estou muito feliz de ter feito parte dessa história no meio destes 116 anos", disse.
Quem também chegou cedo para curtir a programação foi a estudante de análise clínica Gizelda Simas, 65 anos. Ela veio de Duque de Caxias, Baixada Fluminense, para aproveitar os espetáculos. "Cheguei às 10h para o Ensemble Vocal. Apresentação maravilhosa, minha primeira vez assim, ao vivo e a cores. Fiquei muito surpresa, a maioria eram jovens. Amei o show. Às 12h, vi a Ópera do Meio-Dia e foi muito bom. Vou voltar às 15h para a Ação Social Pela Música. Tirei o dia para me fazer um carinho e estou conseguindo", explicou.
Programação
Uma performance da banda dos Fuzileiros Navais deu início ao dia de festa, em frente ao espaço cultural, e foi seguida de um show do grupo francês de coral Ensemble Vocal du Conservatoire de Rouen.
A tradicional Ópera do Meio-Dia, que retornou ao Theatro depois de mais de 20 anos, se apresentou na escadaria interna, sob a regência do maestro titular do Coro do TMRJ, Cyrano Sales. Os solistas exibiram a comédia "A Italiana em Argel", de Gioachino Rossini.
No Salão Assyrio, já no início da tarde, alunas da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa (EEDMO) e integrantes da Cia BEMO (Companhia Jovem da EEDMO) realizaram apresentações ao público. Logo em seguida, foi a vez de o Ballet do Municipal performar.
Simultaneamente, uma visita guiada especial levou os participantes aos principais locais do prédio histórico. O grupo teve a oportunidade de conferir, ainda, a exposição "Entre o Rio dos Pássaros Pintados e o Rio de Janeiro: Diálogos artísticos uruguaios e fluminenses no Theatro Municipal", uma parceria com o Consulado do Uruguai no Rio de Janeiro. Também houve a Ação Social Pela Música, no boulevard da Avenida Treze de Maio.
Ainda no turno vespertino, no hall de entrada, os "Pequenos Mozart" se apresentaram ao público. Ao final, a Banda Sinfônica IBME (Instituto Brasileiro de Música e Educação) realizou um show na escadaria externa.
De volta ao Salão Assyrio, aconteceu, já no início da noite, uma palestra sobre o espetáculo "Os Pescadores de Pérolas", que não era apresentado no Theatro Municipal havia 20 anos. Na sequência, a programação terminou com uma ópera no palco principal em homenagem aos 150 anos de falecimento do compositor francês Georges Bizet (1838-1875). A apresentação contou uma história sobre a amizade entre dois homens, Nadir e Zurga, ameaçada pelo amor de ambos pela mesma mulher, uma sacerdotisa hindu chamada Leila.
Símbolo do Rio
O Theatro Municipal, inaugurado em 14 de julho de 1909, é considerado a principal casa de espetáculos do Brasil e uma das mais importantes da América do Sul. Sua história mistura-se com a trajetória da cultura do País. Ao longo de pouco mais de um século de existência, o espaço recebeu grandes artistas internacionais, assim como os principais nomes brasileiros da dança, música e ópera.
O teatro, que tem capacidade para 1.739 espectadores, foi inaugurado pelo então presidente Nilo Peçanha (1867-1924) e o prefeito Sousa Aguiar (1855-1935) no dia 14 de julho de 1909, quatro anos e meio após o início das obras.

No início, o Theatro Municipal recebia, principalmente, companhias de ópera e dança vindas em sua maioria da Itália e da França. A partir da década de 30, passa a contar com seus próprios corpos artísticos: Orquestra Sinfônica, Coro e Ballet, que permanecem até hoje responsáveis pela realização das temporadas artísticas oficiais.

Desde sua inauguração, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro teve quatro grandes reformas: 1934, 1975, 1996 e 2008.