Secretária Municipal de Transportes, Maína Celidonio, prefeito Eduardo Paes e vice-prefeito Eduardo CavaliereReginaldo Pimenta / Agência O Dia

Rio – O prefeito Eduardo Paes e a secretária Municipal de Transportes Maína Celidonio lançaram, na manhã desta terça-feira (22), edital de consulta pública para o processo de licitação do novo sistema de ônibus do Rio, que terá o nome alterado para Rede Integrada de Ônibus, abreviada de "Sistema Rio". De acordo com as autoridades, a frota contará com mudanças na infraestrutura dos coletivos, além da criação gradual de novas linhas e alteração na identidade visual dos veículos.
Paes afirmou que as reformas acontecerão até o final do seu mandato. "Você, morador da Ilha do Governador, que tem que lidar com a tal da Paranapuan. Você, morador de Campo Grande, Santa Cruz, Bangu, maltratado diariamente com essas empresas de ônibus fajutas que existem aí. Esse sofrimento vai acabar. Sei que é duro pedir isso da posição do prefeito, com carro e motorista pago pelo povo, mas não vai se resolver do dia para a noite. Mas eu quero reafirmar que até o final do nosso mandato, teremos esse sistema reformado, revolucionado, como fizemos com o BRT", disse.
Nova frota
A primeira etapa do processo terá inicio até abril de 2026 e vai abranger as linhas de Campo Grande e Santa Cruz, na Zona Oeste. Em Campo Grande, o número de ônibus que ligam o bairro com as demais regiões da cidade passará de 95 para 112. Já os coletivos que fazem a ligação local entre os bairros da região terão aumento de 37 para cerca de 75. Em Santa Cruz, a frota que realiza os trajetos locais vai aumentar de 67 para cerca de 103 ônibus.
Maína Celidonio afirmou que os coletivos vão contar com uma identidade visual renovada, além de mudanças nas cabines dos despachantes. Ela explicou que os ônibus terão espaços de carregamento de celular, sensor de temperatura do ar-condicionado, aviso sonoro automático de próxima parada – como acontece no metrô – e botão de pânico e assédio.
Maína também disse que um dos objetivos da mudança é eliminar o uso de dinheiro a bordo dos passageiros. "Isso é muito importante aos motoristas, que têm dupla função, de motorista e trocador. Isso atrasa o embarque, além de trazer problemas na questão de segurança. Com a evolução do sistema de bilhetagem, acreditamos que podemos eliminar o uso de dinheiro embarcado nos veículos. Claro que isso vai ser feito de forma gradual", afirmou.
Todos os ônibus da nova licitação deverão ser zero quilômetro, com piso baixo e utilizar o Euro Diesel VI, que garante menor emissão de poluentes. Segundo as autoridades, a intenção é realizar, nos próximos anos, a transição para a utilização de energia elétrica nos coletivos.
A prefeitura também explicou que realizará um contrato por remuneração com base na quantidade de quilômetros que o concessionário vai rodar. O processo também prevê a implementação do Índice de Desempenho em Transporte (IDT), com equipamentos de conforto ao passageiro e sensores de monitoramento de desempenho. Isso significa que a empresa poderá ter seu lucro reduzido em até 6%, baseado na qualidade do serviço.
Maína também garantiu que haverá aumento na frota disponível, sem alteração dos transportes já realizados. "Os serviços atuais vão ser mantidos, reforçados com mais frotas, e vão ser criados novos serviços. Sua linha não vai acabar, vai ser mantida, terá um serviço melhor, com ônibus novo, mais frequência, e serão criadas linhas novas. Elas ainda não estão definidas, mas vamos continuamente estudar redes, novos empreendimentos que surgem na área, e essas redes podem ser sempre modificadas pela necessidade que temos", disse.
A consulta pública ficará aberta por 30 dias no site da Secretaria Municipal de Transportes, e a sociedade poderá enviar sugestões e contribuições por este link.
A licitação do sistema de ônibus, prevista para ser concluída em 12 de novembro, foi antecipada como parte de um acordo judicial com o Ministério Público do Estado do Rio e os consórcios operadores.
Redução no número de viagens
Paes também comentou sobre a recente redução no número de viagens em 20% nos horários de entrepico e afirmou que a quantidade de ônibus não foi alterada. "Não houve redução de frota em nenhuma linha. O que a gente fez foi ampliar intervalos nos momentos que não são de pico. Isso acontece em Tóquio, Londres, Nova York, em qualquer cidade que tenha um sistema de transporte civilizado. O que você tem é a tal da fila que as pessoas preferem pegar para viajarem sentadas. Em lugar nenhum do mundo, é um sistema que todos viajam sentados. Óbvio que seria um mundo ideal, mas é economicamente inviável, e estamos lidando com dinheiro público."
RioCard e cartão Jaé
O prefeito lembrou que o RioCard não será mais aceito no Rio a partir de 2 de agosto, em meio à implementação do cartão Jaé no transporte público municipal, e disparou contra o que ele chamou de "máfia dos empresários de ônibus". "Faltam cerca de 15 dias para a festa de vocês acabar. A partir do dia 2 de agosto, o RioCard, leia-se empresários mafiosos de ônibus, não vale mais na cidade do Rio. Podem impulsionar o que vocês quiserem nas redes sociais, que o povo não acredita em delinquentes. Estamos monitorando isso, e ações judiciais serão tomadas. Ao contrário de vocês, que têm medo de brigar comigo ao chamá-los de mafiosos, eu não tenho medo de vocês, então a festa está acabando", disparou. 
"Vocês não sobreviverão no esquema mafioso que mantém. Se quiserem prestar serviço de mobilidade, participando de processo licitatório, assinando contratos desde que obviamente não tenham cometido atos de delinquência, podem fazê-lo, mas cada um no seu quadrado", concluiu.
Em nota, a RioCard afirmou que não tem "nenhuma responsabilidade sobre o mau planejamento e a má gestão do processo de implementação do Jaé" e "colaborou sempre que foi solicitada pela Secretaria Municipal de Transportes e cumpriu todas as determinações recebidas".
"Não é mais razoável a Prefeitura culpar a RioCard pelos transtornos causados à população considerando que o período de transição entre os dois sistemas se arrasta há mais de dois anos e meio e tem sido marcado por seguidos descumprimentos de contrato e adiamentos do início da operação por Incapacidade técnica da empresa responsável pela nova bilhetagem da cidade do Rio', diz o comunicado.