Dezenas de amigos e familiares se despediram de Álvaro Borges RibeiroLuiz Maurício Monteiro / Agência O Dia
Empresário assassinado no Centro é sepultado: 'Se dizia um aprendiz do amor', desabafa filho
Álvaro Borges Ribeiro, de 70 anos, foi morto a facadas em um prédio na Rua da Quitanda
Rio - O empresário Álvaro Borges Ribeiro, de 70 anos, foi sepultado no início da noite desta quarta-feira (6), no Cemitério do Caju, na Zona Norte do Rio. Durante o velório, Breno Siqueira Ribeiro, 45 anos, filho da vítima, contou que o pai costumava ajudar pessoas em situação de rua e acredita que Carlos André da Silva e Souza, preso pelo crime, era uma delas. Essa hipótese também é investigada pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).
"Trabalhei com meu pai de 1996 a 2020. Diariamente, meu pai ajudava pessoas em situação de rua, usuários de droga. Às vezes com comida, dinheiro ou algo que estivesse precisando em casa. Nós acreditamos que meu pai não pôde ajudar em algum momento, e esse infeliz, por um surto psicótico, fez o que fez. Isso é o que a gente acha o que aconteceu", disse.
Breno descreveu Álvaro como "paizão" e "brother". O filho caçula afirmou que, logo após ser informado sobre o assassinato, disse a pessoas próximas que, por ter um coração muito bom, o empresário já havia perdoado o criminoso.
"Nos víamos sempre, temos muita coisas em conjunto. Meu pai é tão bom coração que, na segunda-feira, após saber o que tinha acontecido, eu mandei uma mensagem em um grupo de WhatsApp do qual ele também fazia parte, dizendo: 'Meu pai já perdoou esse rapaz'. Meu pai se dizia 'o aprendiz do amor', sempre pregava amor, caridade", contou.
"Eu acho que meu pai fazia a coisa certa, mas da maneira errada. Era a minha percepção. É um alerta que dou a todos que gostam de fazer caridade. Não deixem de fazer, mas façam por meio de uma instituição, de forma que a pessoa que está recebendo a caridade não jogue todas as esperanças dela sobre você, para não acontecer o mesmo que com meu pai", ressaltou.
A despedida de Álvaro levou dezenas de pessoas ao Cemitério do Caju e surpreendeu até mesmo os funcionários do espaço. Gabriel Ribeiro de Farias, de 44 anos, enteado do idoso, contou que tinha 14 anos quando a sua mãe casou com seu padrasto.
"Era meu pai. Criou a mim e ao meu irmão, ensinou muita coisa. Viramos adultos, fomos para a faculdade, e ele sempre nos apoiando. Era uma pessoa do bem, sempre fazendo bem ao próximo. Ele era espírita, então tinha aquele conceito de que nós aqui [no mundo] somos uma matéria. É inacreditável que isso tenha acontecido por nada. Pelo que soubemos, o assassino fez o que fez e foi embora. Aparentemente, o Álvaro estava ajudando não só a ele, mas a todo mundo daquela região onde trabalhava havia mais de 30 anos. Enfim, uma tristeza", lamentou.
"Você pode ver pelas fotos que ele estava sempre sorrindo. Pela quantidade de pessoas que está aqui, dá para perceber o quanto ele era querido e uma pessoa do bem", concluiu.
Álvaro foi morto a facadas em um prédio na Rua da Quitanda, no Centro do Rio, na segunda-feira (4). Imagens de câmeras de segurança flagraram o suspeito entrando no edifício com uma camisa enrolada no rosto e uma peruca por volta das 10h, horário de grande movimentação na região. Ele foi reconhecido por funcionários, pois já teria ido ao prédio na sexta-feira passada (1º).
Na manhã desta quarta, agentes do Segurança Presente prenderam Carlos André da Silva e Souza apontado como o responsável pelo assassinato. Ele foi encontrado na Avenida Rio Branco, próximo ao local do crime, e encaminhado à 4ª DP (Presidente Vargas). Em seguida, policiais o transferiram à Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que investiga o crime. Durante a transferência, o homem negou a autoria do crime, mas confessou que foi ao prédio ameaçar a vítima.
Nas redes sociais, a filha do empresário, Fabiana Ribeiro, contou que o pai alugava salas comerciais e era muito conhecido na região. "Meu avô tinha uma sala ali, e meu pai começou a trabalhar com ele, vendendo sacarias de café. Com o tempo, ele formou uma sociedade e comprou outras salas do outro lado da rua. Todos neste pedaço da Rua da Quitanda, conheciam meu pai, pois ele sempre foi assim, por onde passava falava com todos, sorria e irradiava alegria. Ele era muito querido e conhecido! Seu Álvaro ou Alvinho, era bem famosinho o meu paizinho", disse.
Além de Breno e Fabiana, Álvaro também era pai de Julian Ribeiro e tinha dois enteados, Gabriel e Gustavo. Ele também deixa a mulher, Solange. No momento do sepultamento, amigos e familiares cantaram o hino do Flamengo e aplaudiram.





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