Rio - Familiares das quatro pessoas atropeladas por um ex-jogador do Botafogo realizaram um protesto, nesta segunda-feira (11), pedindo por justiça na Estrada dos Bandeirantes, em Vargem Grande, na Zona Oeste. A advogada Ariane de Carvalho da Silva, de 41 anos, não resistiu aos ferimentos causados pelo acidente, ocorrido na última sexta-feira (8).
As coroas de flores em homenagem à Ariane foram levadas para a manifestação e colocadas no local em que a vítima foi atropelada. As pessoas seguravam cartazes pedindo por justiça e para que sejam implementados métodos para evitar que motoristas continuem ultrapassando o sinal de trânsito na região.
Cristiane, irmã de Ariane, lamentou, em entrevista ao DIA, a morte da advogada e assumiu que a família está desolada com o ocorrido.
"Uma família destruída... Ela deixou um filho de três anos que ainda mama no peito. A família quis fazer essa manifestação para pedir justiça e sinalização no local. Queremos que o jogador de futebol pague pelo o que ele fez", desabafou ela.
Adriana, outra irmã de Ariane, alertou sobre as contínuas situações de imprudência que ocorrem no local do acidente. Durante as manifestações, segundo ela, ocorreram pelo menos seis vezes.
"A gente estava na manifestação e em menos de 10 minutos foram de seis a dez cenas de imprudência, avanço de sinal e bandalhas no retorno. Ali é constante essa situação. E nós lutamos por justiça, é uma família inteira sem chão, minha irmã de 41 anos, deixou um filhinho de 3, uma filha de 22, dois netos de 4 e 3 anos, um marido que não sabe como vai caminhar daqui pra frente", desabafou.
Segundo Adriana, Ariane era responsável pela maior parte da renda da família. Em sua fala, ela relembrou que ainda há outra vítima do acidente internada em estado grave.
"Ela era a maior renda da família também, uma advogada excelente, começando a brilhar agora. E vem esse moleque e destrói uma família. A Rayane, que é outra vítima, está do grave no hospital, quebrou perna, bacia, muito. Destruída pelo rosto, pelo corpo também, e dois meninos. E assim, é deprimente, é revoltante tudo o que está acontecendo", relatou.
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Ela ainda contou que as irmãs já tinham perdido o pai e uma amiga da mesma maneira trágica em que Ariane morreu.
Segundo familiares, a vítima havia acabado de deixar o filho na escola quando foi brutalmente atingida pelo veículo do jovem. Ela chegou a ser socorrida e levada para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, também na Zona Oeste, mas não resistiu.
Além de Ariane, uma segunda vítima, ainda sem identificação, está internada no Lourenço Jorge em estado grave. Os outros dois, identificados como Wendell de Almeida, de 28 anos, e José Cassiano, de 22, já receberam alta.
Solto após pagamento de fiança
Luan, que atuou na base do Botafogo em 2023, dirigia um veículo e acertou quatro pessoas na Estrada dos Bandeirantes, por volta das 7h30. O jovem permaneceu no local e acionou o Corpo de Bombeiros. No dia do atropelamento, agentes do 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes) estiveram no local e detiveram o motorista para prestar depoimento.
De acordo com a Polícia Civil, durante o caminho para a 42ª DP (Recreio dos Bandeirante), Luan apresentou um comportamento agressivo, proferiu ofensas e xingamentos aos agentes e chutou o interior da viatura da Polícia Militar, que danificou o vidro interno do veículo, tendo que ser contido pelos policiais.
O exame de corpo de delito de Luan, realizado no Instituto Médico Legal (IML), não acusou uso de álcool ou substâncias ilícitas. As autoridades o soltaram após pagamento de fiança.
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