Caio Richards, de 24 anos, foi agredido após a partida do BotafogoReprodução
Irmãos alegam que agrediram botafoguense por causa de assédio
Dupla prestou depoimento nesta quarta-feira. Caio Richards, de 24 anos, segue internado em coma no Hospital Municipal Miguel Couto
Rio - Os dois irmãos que agrediram o botafoguense Caio Richards, de 24 anos, prestaram depoimento na 24ª DP (Piedade), na Zona Norte, na tarde desta quarta-feira (20). Durante a oitiva, eles alegaram que a confusão entre os três começou após um suposto assédio por parte da vítima. Além disso, um deles relatou que socou Caio porque o jovem tentou agredi-lo e viu o irmão sendo golpeado na nuca. A família do botafoguense, no entanto, contesta esta versão.
Caio, que trabalha como porteiro, segue internado em coma no Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Ele sofreu traumatismo craniano e está com um hematoma no cérebro. De acordo com familiares, ele começou a reagir, com pequenos estímulos, nesta quarta-feira, e o nível de sedação diminuiu.
O caso aconteceu entre a noite de quinta (14) e a madrugada de sexta-feira (15), quando Caio e um amigo deixavam o Estádio Nilton Santos, no Engenho de Dentro, após um jogo do Botafogo. Eles decidiram comprar cerveja em um estabelecimento próximo e Caio ficou esperando pelo amigo em uma calçada.
A irmã de Caio, Sthefanie Caracoci, disse ao DIA que as agressões aconteceram neste momento. Um dos agressores teria dito que o rapaz teria cortejado a namorada de um deles, mas a família nega e está atrás das imagens das câmeras de segurança.
"Segundo testemunhas, o Caio estava parado na calçada e o rapaz passou com a namorada dele. Depois, ele voltou correndo para bater no Caio. A testemunha falou que o Caio levantou as mãos, disse que não queria briga e correu para a outra calçada. Quando o Caio correu, o outro agressor deu uma 'porrada' na cabeça dele de surpresa. O amigo dele, quando viu a briga, saiu para chamar o Caio para ir embora porque já estava tendo confusão. Quando chegou na calçada, viu que o Caio estava caído no chão e uma pessoa estava segurando a cabeça dele", contou a assistente operacional de 31 anos.
"Ele reconheceu quem bateu no Caio e disse: 'Pô, que isso?'. E o outro rapaz respondeu: 'Isso que dá olhar, ou mexer, com a mulher dos outros'. A gente não sabe exatamente o que ele falou. O Caio e esses dois irmãos, ou um desses irmãos, já viajaram em uma mesma caravana para assistir ao Mundial do Botafogo. Eles não são amigos, mas são da mesma organizada. Eles se conheciam de vista. A gente tem recebido muitos relatos de que os dois irmãos sempre arrumam briga e um deles até perdeu a visão de um olho por isso", ressaltou.
De acordo com o amigo de Caio, a ambulância demorou cerca de 40 minutos para chegar ao local do resgate. Ainda desacordado, o jovem deu entrada no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. A família chegou na unidade e recebeu a informação de que o rapaz estava entubado e sedado, porque a pancada na cabeça havia sido muito forte.
Na manhã de sexta-feira, o porteiro foi transferido ao Hospital Municipal Miguel Couto. Segundo Sthefanie, os médicos do hospital não estavam otimistas com a melhora do Caio e, durante o dia, ele passou por uma cirurgia.
"Os médicos chamaram eu, minha mãe e meu outro irmão e disse que não tinha mais o que fazer. Ele disse que a única coisa que ele poderia falar para a gente é para a gente ter fé. Depois de meia hora, o médico apareceu de novo e disse: 'Não sei o que vocês fizeram, mas o Caio reagiu. A gente está subindo com ele para a cirurgia agora'. Uma enfermeira disse que ele havia tentado abrir os olhos e que a gente devia continuar com essa fé. Na noite de sexta-feira, a gente teve a notícia de que a cirurgia tinha sido boa e ele ficou estável durante a cirurgia toda", contou.
No sábado (16), a família esteve na 24ª DP (Piedade) para registrar a ocorrência. De acordo com a Polícia Civil, as investigações seguem em andamento para apurar as circunstâncias das agressões, ouvindo testemunhas e analisando as versões apresentadas.



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