Jeff Machado ao lado da mãe Maria das DoresReprodução / Redes Sociais
'Justiça será feita', desabafa mãe de ator assassinado após confirmação de júri popular dos réus
Maria das Dores Machado, de 76 anos, teve filho morto em 2023
Rio - Dois anos e meio depois do assassinato, a família do ator Jeff Machado, de 44 anos, estrangulado com um fio de telefone após acreditar em uma falsa promessa de um papel em novela, aguarda ansiosamente o desfecho do caso em busca de uma condenação dos acusados. Na última segunda-feira (18), a Justiça do Rio decidiu levar Bruno de Souza Rodrigues e Jeander Vinicius da Silva Braga à júri popular.
Maria das Dores Machado, de 76 anos, mãe da vítima, valorizou a decisão da juíza Alessandra da Rocha Lima Roidis, da 1ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ). Ao DIA, a professora disse que espera que o júri determine a pena máxima para os autores.
"Acho corretíssima a decisão de ir pra júri popular. Uma situação muito triste pra mim, pra minha família e para todo o Brasil. A mãe gera no ventre, cria com tanto amor e carinho, e quando ele está trabalhando e estudando, surge um assassino, uma pessoa sem princípios. Espero que os jurados criem consciência para que deem a esse psicopata, a esse monstro, a pena máxima. Penso que vão ter essa luz e a certeza, que eles devem ser condenados à pena maior que tiver. Tem que sofrer na cadeia. Peço justiça de Deus e dos homens. Tem uma legião de anjos me ajudando para que isso aconteça", comentou.
Dona Dores, como é conhecida, moradora de Araranguá, em Santa Catarina, embarcou em uma excursão com o grupo da igreja para Aparecida do Norte, em São Paulo, nesta quinta-feira (21), para pedir força à Nossa Senhora Aparecida. Segundo ela, a dor da perda do filho segue sendo sentida.
"Nos primeiros quatro meses houve a dor da busca de onde estava o meu filho. Depois, de ter encontrado e a tortura. Eu fico pensando toda noite que nunca mais vou vê-lo. Não admito tê-lo perdido. Isso é muito forte para uma mãe. Sinto que não tenho força pra nada. Estou indo para Aparecida do Norte para rezar, pedir força à Nossa Senhora, que abençoe todos que estão me ajudando para ver essa justiça dos homens. Foi uma coisa cruel. Não tem explicação para uma pessoa ter esse sangue frio. Tenho confiança que a justiça será feita", destacou.
O produtor Bruno Rodrigues, acusado de enganar a vítima com uma falsa promessa de atuação em uma novela, responde por homicídio triplamente qualificado por motivo fútil, asfixia e por impossibilidade de defesa da vítima; ocultação de cadáver; estelionato; tentativa de estelionato; furto; invasão de dispositivo informático; maus-tratos a animais e falsa identidade.
Já o garoto de programa Jeander Braga, acusado de ajudar Bruno no crime, responde por homicídio triplamente qualificado por motivo fútil, asfixia e por impossibilidade de defesa da vítima; ocultação de cadáver e maus-tratos a animais.
Ainda não há data para o julgamento. Ambos estão presos preventivamente desde 2023.
Relembre o caso
O desaparecimento do ator aconteceu em janeiro de 2023. A última localização apontou para o bairro de Campo Grande, na Zona Oeste, onde o corpo foi encontrado, em maio do mesmo ano, dentro de um baú enterrado em uma casa.
A investigação da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) descobriu que Bruno dizia ser produtor de uma emissora de televisão e prometeu um papel em uma novela para Jeff, que chegou a pagar R$ 25 mil para conseguir a vaga.
A vítima não percebeu que estava sendo enganada, mas, por não conseguir mais manter a farsa, o acusado decidiu matá-lo. De acordo com a Polícia Civil, o ator foi morto por motivo fútil, estrangulado com um fio de telefone, após ser dopado e asfixiado.
A DDPA também apurou que Jeander transportou o corpo de Jeff para uma casa em Campo Grande, alugada por Bruno em dezembro de 2022, exclusivamente para ocultar o cadáver, colocado dentro de um baú do próprio ator e enterrado a dois metros de profundidade, coberto de concreto. Jeander também ficou responsável por abrir o buraco onde o objeto com o cadáver foi sepultado.
Ainda de acordo com a investigação, para encobrir o assassinato, Bruno usou o celular do artista e se passou por ele para manter contato com a mãe e amigos, além de ter feito publicações falsas em suas redes sociais.
"O Jefferson foi manipulado pelo sonho de conquistar a vaga na novela o mais rápido. Ele se deixou cair por uma pessoa dessas. Desde 2019, ele [Bruno] começou a pedir dinheiro. Em 2023, ele matou o meu filho. O Rio de Janeiro não merece uma pessoa dessas no meio da rua. Como que o Jefferson coube dentro do baú? Ele quebrou o rapaz todo. Ele planejou tudo e comprou tudo com o cartão do Jefferson. Temos que colocar esse cara para apodrecer na cadeia", afirmou Maria das Dores.
Segundo a DDPA, Bruno tentou vender o carro de Jeff e fez compras com seu cartões, no total de R$ 7 mil. O produtor e o garoto de programa ainda furtaram telefones, notebook, jaquetas de couro e uma televisão do ator.
Jeander foi preso em 2 de junho de 2023, em Santíssimo, na Zona Oeste. Já Bruno permaneceu foragido até o dia 15 do mesmo mês, quando foi preso pela Polícia Militar, em um hostel no Vidigal, na Zona Sul, em uma operação conjunta com a Polícia Civil. O produtor ficou escondido no local por cinco dias, usando nome falso, e se preparava para fugir mais uma vez, ao perceber a movimentação dos agentes.
Após o assassinato, os oito cachorros de Jeff foram levados para um centro espírita, na localidade Palmares, em Santa Cruz, na Zona Oeste, onde ficaram em condições de maus-tratos físicos e psicológicos. Depois, os animais foram abandonados na rua. O responsável pelo local foi indiciado por maus-tratos.
A Polícia Civil conseguiu identificar a participação de Bruno e Jeander no crime e, junto com o MPRJ representaram pelas prisões, que foram decretadas pela Justiça do Rio e cumpridas em junho.



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