Policial penal atirou em entregador à queima-roupa na TaquaraReprodução / Redes Sociais

Rio - Um entregador foi baleado por um policial penal, na madrugada deste sábado (30), na Taquara, Zona Oeste. De acordo com a vítima, José Rodrigo da Silva Ferrarini atirou depois dele se recusar a subir até o apartamento para realizar a entrega do pedido.
O caso ocorreu na Rua Carlos Palut, próximo à Praça do Merck, por volta das 2h10. Valério de Souza Júnior gravou o momento em que o agente atirou na sua perna. O vídeo, compartilhado na própria rede social da vítima, mostra José falando "você não subir é uma parada", atirando e reclamando da gravação. Ferido, o motoboy diz que mora na região e pede ajuda a um conhecido.
Nas redes sociais, Valério alegou que o crime aconteceu porque ele se recusou a ir até ao apartamento para deixar a encomenda.
"Cliente não aceitou que eu recusei ir a casa dele para entregar o pedido. Estamos acostumados a ver isso apenas em televisão, até acontecer com nós mesmo. Que a justiça seja feita!", escreveu.
O entregador foi socorrido por bombeiros e encaminhado para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, ainda na Zona Oeste. Ele já recebeu alta. Valério chegou em casa com o pé engessado e andando com auxílio de muletas. 
Segundo a Polícia Militar, o policial penal fugiu do local, mas, posteriormente, se apresentou na 32ª DP (Taquara), que investiga o caso.
A Polícia Civil informou que Valério foi levado para exame de corpo de delito e testemunhas são ouvidas. Os investigadores recolheram a arma do agente, que passará por perícia. Outras diligências seguem andamento para esclarecer os fatos.
Procurada, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) destacou que José Rodrigo da Silva Ferrarini está na ativa, mas que a conduta atribuída ao servidor ocorreu fora do exercício de suas funções. A Corregedoria da pasta acompanha o caso junto à 32ª DP.
Protesto
Diversos motoboys realizaram um protesto, na manhã deste sábado (30), na frente do prédio onde o crime ocorreu. O policial penal não apareceu no local. Nas redes sociais, Johnny Borges, líder de diálogos com os entregadores no iFood, pediu calma e atenção para aos manifestantes.
"Lamentável como a gente foi impactado pelas cenas de violência que aconteceram com o entregador Valério na entrega dos seus pedidos, fazendo o seu trabalho e sua função. Ele foi baleado covardemente. Estamos aqui para dar todo apoio. Aos entregadores, pedimos calma e paciência para que a gente trate na lei o que aconteceu com ele e que a gente não cometa as mesmas cenas de violência, que a gente possa realmente tratar com justiça e legalidade. Valério terá todo apoio nosso. Que casos como esse nunca voltem a se repetir", disse.
O iFood destacou que não tolera qualquer tipo de violência contra entregadores parceiros e lamentou o que aconteceu com o entregador. A empresa destacou que conta com uma Política de Combate à Discriminação e à Violência para oferecer um ambiente ético, seguro e livre de qualquer forma de violação de direitos para todos. Quando as regras são descumpridas, são aplicadas sanções que podem ir de advertências até o banimento da plataforma.

A plataforma esclarece também que a obrigação do entregador é deixar o pedido no primeiro ponto de contato, seja o portão da casa ou a portaria do prédio. Essa é a recomendação passada aos parceiros e aos consumidores. Em 2024, a empresa lançou no Rio a campanha Bora Descer, que tem o objetivo de incentivar os clientes a irem até a portaria de seus condomínios para receber os pedidos de delivery, como forma de respeito aos entregadores.

"O iFood vai disponibilizar ao entregador Valério os serviços da Central de Apoio Jurídico e Psicológico, oferecido em parceria com a organização de advogadas negras Black Sisters in Law, garantindo acesso à justiça e assistência emocional ao parceiro. A empresa está à disposição das autoridades para colaborar no que for necessário. Esperamos que o caso não fique impune e que Valério Junior se recupere rapidamente", ressalta a nota.