Rio - A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio (MPRJ) realizaram uma operação, nesta terça-feira (2), contra acusados de integrar uma milícia de Queimados, na Baixada Fluminense. Três pessoas foram presas, incluindo um policial civil.
Agentes da 55ª DP (Queimados) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MPRJ buscaram cumprir cinco mandados de prisão e dois de busca e apreensão contra denunciados pelos crimes de constituição de milícia privada e extorsão qualificada. Dois investigados seguem foragidos.
Entre os alvos da Operação Mibius, presos nesta terça, estão um policial civil e um ex-servidor da Prefeitura de Queimados. De acordo com o MPRJ, o agente é acusado de fornecer armas para a milícia e de tentar impedir a prisão de comparsas.
Já o ex-funcionário teria atuado como motorista do grupo, transportando os criminosos no carro do Conselho Tutelar, além de repassar informações e intermediar encontros entre os líderes da milícia.
As investigações revelaram que a quadrilha explorava os bairros de Fanchem, Porteira e Paraíso, extorquindo comerciantes e mototaxistas. Ameaçando com armas, os criminosos exigiam o pagamento de uma "taxa de segurança" e recolhiam as chaves das motocicletas como forma de coação.
A denúncia destaca que, para dar aparência de legalidade às cobranças, os milicianos usavam a fachada de uma empresa denominada "Mibius Segurança Privada", que distribuía cartões com telefones e chaves PIX para recolhimento das quantias extorsivas.
Os mandados foram expedidos pelo Juízo da 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa e são cumpridos em endereços ligados aos investigados, em Queimados.
A operação contou com o apoio da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP), da 60ª DP (Campos Elíseos) e da da Corregedoria-Geral de Polícia Civil (CGPOL).
As investigações seguem em andamento para identificar e responsabilizar criminalmente todos os envolvidos com o grupo paramilitar.
Funcionário exonerado
Em nota, a Prefeitura de Queimados reafirmou o total apoio ao enfrentamento à milícia no município e repudiou qualquer conduta indevida por parte de agentes públicos. O órgão informou que o servidor em questão era lotado na Secretaria Municipal de Assistência Social e foi exonerado em julho de 2024.
Desde então, ele não integra mais o quadro de funcionários, ou seja, não possui vínculo com a administração pública municipal. Ainda segundo a prefeitura, em 2024, o acusado se candidatou a vereador em uma chapa de oposição, reforçando que não há qualquer relação entre ele e a atual gestão.
"A Prefeitura de Queimados repudia veementemente as ações desse ex-funcionário e reafirma sua total disposição em colaborar com as autoridades nas investigações, intensificando ainda mais o combate ao crime organizado e a busca pela segurança e bem-estar da população", diz a nota.
O órgão colocou à disposição das polícias Civil, Militar, Federal, Rodoviária Federal e do Ministério Público a Central de Monitoramento, que conta com 360 câmeras espalhadas por toda a cidade, incluindo tecnologias de reconhecimento de placas e facial.
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