Rio - O esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho (CV) envolveu, segundo as investigações, além do deputado estadual TH Joias, um ex-secretário estadual, um assessor parlamentar, um líder da facção, policiais militares e até um delegado da Polícia Federal. A operação, deflagrada nesta quarta-feira (3) pela PF, Ministério Público do Rio (MPRJ), Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Civil do Rio, resultou nas seguintes prisões:
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Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias (ex-MDB)
Deputado estadual, assumiu o mandato na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) em 2024, após a morte de Otoni de Paula Pai. Em seu perfil oficial, descreve sua atuação como "transparente e digna de confiança". Porém, de acordo com as investigações, Thiego usava o cargo para favorecer o crime organizado, intermediando a compra e venda de drogas, fuzis e equipamentos antidrones destinados a comunidades controladas pelo CV.
Advogado em atividade, Carracena já foi secretário municipal de Ordem Pública do Rio, em 2020; secretário estadual de Esporte e Lazer, em 2022; e subsecretário estadual de Defesa do Consumidor. Ele acabou exonerado do último cargo em janeiro deste ano.
Segundo a investigação, o advogado vazava operações policiais para membros do CV. Em coletiva, o superintendente da PF no Rio, Fábio Galvão, afirmou que o ex-secretário chegou a solicitar a retirada de uma base da PM na Gardênia Azul, em Jacarepaguá, para não prejudicar o esquema.
Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu
Assessor parlamentar de TH Joias, Dudu é suspeito de atuar como vendedor e operador de aparelhos antidrones para traficantes, principalmente no Complexo do Alemão. Os equipamentos eram usados para evitar incursões surpresa das forças de segurança.
Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão
Apontado como braço direito de Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, líder do CV no Alemão, era o elo entre a facção e TH Joias. Ele também é investigado por compras de fuzis no Paraguai.
Gustavo Steel
Delegado da PF, foi preso em flagrante por colegas enquanto estava de plantão no Aeroporto Internacional do Rio (Galeão). As investigações indicam que ele repassava informações confidenciais a criminosos. Antes da prisão, chegou a consultar sistemas de segurança para verificar a existência de mandados contra Dudu e Índio do Lixão. Dias antes de ser preso, Steel publicou uma foto ao lado da companheira onde ela aparece usando um anel feito por TH.
Outras oito pessoas foram presas, incluindo policiais militares. Os nomes, no entanto, não foram divulgados.
Por meio de nota, a Polícia Militar afirmou que "não compactua nem tolera quaisquer desvios de conduta, cometimento de crimes ou abuso de autoridade praticados por seus agentes, punindo com rigor os envolvidos quando constatados os fatos".
A reportagem de O DIA tenta contato com a defesa dos citados. O espaço está aberto para eventuais manifestações.
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