Marcelo dos Anjos Abitan da Silva (E) foi morto por Raphael Pinto Ferreira Gedeão (D) Reprodução
Policial civil vai a júri popular por morte de empresário em briga na Barra
Raphael Pinto Ferreira Gedeão atirou contra Marcelo dos Anjos Abitan da Silva durante discussão na entrada de estacionamento
Rio - O Tribunal de Justiça (TJRJ) decidiu que o policial civil Raphael Pinto Ferreira Gedeão vai a júri popular pela morte do empresário e assessor parlamentar Marcelo dos Anjos Abitan da Silva, de 49 anos. O crime aconteceu em janeiro, quando os dois se envolveram em uma discussão, em frente ao hotel Wyndham Rio Barra, na Barra da Tijuca, Zona Oeste. O agente matou a vítima a tiros durante a briga e permanece preso.
Na decisão, o juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte entendeu que o acusado deve ser levado ao Tribunal do Júri e negou o pedido da defesa para que ele aguarde o julgamento em liberdade. "Trata-se de crime extremamente grave, de maneira que a prisão é necessária para garantir a ordem pública (...) É preciso resguardar a integridade física das testemunhas, o que justifica a manutenção da prisão também por conveniência da instrução criminal", justificou. A data do julgamento ainda não foi definida.
A defesa argumentou que o agente agiu em legítima defesa, por ter seguido o treinamento recebido de que "um policial armado não pode se arriscar a entrar em luta corporal, submetendo-se ao risco de ter sua arma de fogo arrebatada". Já o Ministério Público do Rio (MPRJ) defende que o crime foi cometido por motivo fútil, após ele "desrespeitar o direito da vítima de acessar o estacionamento da residência dela, absurdamente obstruindo a entrada por longo período, com desprezo à vida, executou-a a tiros após aquela reclamar e uma breve discussão".
Relembre o caso
Segundo a denúncia do MPRJ, por volta das 3h de 19 de janeiro, Marcelo e Raphael se envolveram em uma discussão, na frente do estacionamento do hotel, na Avenida Lúcio Costa, onde o policial morava e o empresário estava de férias hospedado com a família. A briga aconteceu quando a vítima começou a buzinar, se queixando que o carro do acusado estava parado e impedindo a entrada no local.
À época, o depoimento de um funcionário do hotel afirmou que ao chegar ao estacionamento, o assessor e o policial começaram uma discussão. A vítima, que estava dentro do próprio automóvel, decidiu descer e foi em direção ao agente, que atirou contra ele. A oitiva lembrou ainda que ao ser baleado, o empresário dizia: "Para que isso?". Um outro colaborador relatou que, após o primeiro disparo, Marcelo levantou os braços e disse: "Não, não, tá bom, tá bom", mas outros três ou quatro tiros ainda foram ouvidos.
O Ministério Público diz que a vítima foi atingida próxima ao coração e com outros dois disparos pelas costas. Segundo o funcionário, o ferido correu para trás do próprio carro, se sentou e colocou a mão na cabeça, morrendo cerca de 30 minutos depois. Depois do crime, o agente parou na cancela de saída do hotel com seu veículo, mas o funcionário não conseguiu liberar a passagem, fazendo com que ele avançasse, quebrando o equipamento e fugindo.
Marcelo era assessor parlamentar da vereadora Vera Lins (Progressistas) e tinha lojas de produtos de cabelo e de brinquedos em Madureira, na Zona Norte. O empresário deixou a mulher e um filho, com quem comemorava a aprovação em Medicina no vestibular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), pouco antes da morte. Já o policial civil era investigador na Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).

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