Oruam se entregou à Polícia Civil no dia 22 de julhoArquivo/ Érica Martin/Agência O Dia

Rio - A Justiça do Rio negou um pedido de habeas corpus para o cantor Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, nesta quinta-feira (11). Na decisão, a 4ª Câmara Criminal também descartou a possibilidade da substituição da prisão por medidas cautelares, conforme solicitado pela defesa do artista.
Oruam é acusado de tentativa de homicídio contra o delegado Moyses Santana Gomes e o policial civil Alexandre Alvez Ferraz. Em seu voto, a desembargadora Marcia Perrini Bodart destacou que a manutenção da prisão é necessária para garantir a ordem pública e resguardar a paz social.

A magistrada lembrou que Oruam "incitou a população contra as ações legítimas da polícia ao desafiar os policiais a entrarem no Complexo da Penha para prendê-lo". Daí a importância, segundo a magistrada, entre outros pontos, de se manter a preservação da ordem e da paz social.

Prisão

O rapper foi preso em 22 de julho, após atacar policiais civis que foram até sua casa no Joá, na Zona Sudoeste* do Rio, para cumprir um mandado contra um adolescente que estava na casa do cantor. Depois da confusão generalizada, o cantor teria se refugiado no Complexo da Penha, na Zona Norte, mas acabou se entregando.
O cantor também responde a acusações por tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência qualificada, lesão corporal e desacato. Recentemente, foi denunciado por corrupção ativa e por dirigir de forma perigosa com a habilitação suspensa.
O Oruam é filho do traficante Marcinho VP, um um dos líderes do Comando Vermelho (CV), que está preso desde 1996.
Desabafo em carta 
Na terça-feira (10), o rapper desabafou sobre os dias na cadeia em nova carta aberta aos fãs, publicada nas redes sociais. Ele disse que "aceita o castigo" por ter "esquecido de Deus", mas alegou que está sofrendo "injustiças".
"Para todos os meus fãs, um leão ferido ainda é um leão. Ninguém prende quem tem a mente livre. Sempre visitei meu pai na prisão, me acostumei a ser a visita. E, hoje, quando a minha família vem me ver, o que mais quero é ir embora junto com eles".
"Um abraço a todos os fãs que se decepcionaram comigo. Quero que entendam que sou um trapper, não um traficante. Esse é o momento de rever meus erros, de refletir e de me levantar mais forte. Aos que acreditaram em mim, fiquem firmes. E logo vocês vão me ver", finalizou.
*O Joá, que antes fazia parte da Zona Oeste, agora passa a ser reconhecido como Zona Sudoeste, após decreto publicado pela Prefeitura em 9 de setembro de 2025