Bandidos armados entraram no Hospital Pedro II pela garagemReprodução

Rio - Oito bandidos armados invadiram o Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, na Zona Oeste, na madrugada desta quinta-feira (18), em busca do paciente Lucas Fernandes de Souza, 31 anos, que estava internado na unidade após ser baleado. Em imagens registradas por câmeras de segurança é possível ver o momento em que o grupo rende seguranças na entrada da garagem.
Ainda no vídeo, um dos criminosos aparece com um fuzil, vestindo um uniforme da Delegacia de Repressão as Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco). Segundo investigações, eles tentavam matar a vítima, que havia sobrevivido a um atentado. 
Veja o vídeo:
 
Segundo o secretário de Saúde Daniel Soranz, a invasão gerou pânico entre os profissionais e demais pacientes. Apesar disso, eles não conseguiram localizá-lo, pois Lucas já havia passado por cirurgia e estava na enfermaria. O caso aconteceu por volta de 2h30.
"Sem a localização do paciente no hospital, eles não conseguiram executar o extermínio, o assassinato. Então, é uma situação que a gente espera que tenha uma resposta policial a altura, que não permita que situações como essa voltem a acontecer na cidade do Rio de Janeiro", disse.
Ao DIA, Soranz frisou que outros atendimentos estavam em andamento. Ao todo, havia 36 pacientes internados no Centro de Terapia Intensiva (CTI) e oito gestantes em trabalho de parto.
"Tinha outras cirurgias em andamento e pacientes recebendo transfusão de sangue, que foram interrompidas. Os profissionais entraram em pânico e praticamente todos os setores foram impactados, inclusive a maternidade. Tinham crianças nascendo, em momento de nascimento e pós-parto. Eles invadiram a entrada do hospital, paralisaram os elevadores e seguiram para o centro cirúrgico. Depois disso, conseguiram sair, sem nenhuma abordagem policial", contou.
Na manhã desta quinta-feira, o alvo dos bandidos foi transferido para o Hospital do Andaraí, onde o policiamento precisou ser reforçado. Em seguida, o paciente terá mudança de nome no sistema, por segurança.
"A gente fez uma transferência desse paciente para outra unidade, ele vai receber uma alteração do seu nome e vai ser transferido novamente para que ninguém saiba onde ele está dentro do sistema. Então, ele parou primeiro numa unidade e vai mudar de unidade com outro nome, com outra identificação para que ele não possa ser localizado pelos bandidos", explicou Soranz.
Segurança nas unidades
Em relação a segurança, Soranz ressaltou que esse é um problema crítico na cidade que vem afetando a rede municipal de saúde.
"É uma situação que de fato mobilizou muitos profissionais de saúde, a equipe do hospital está completamente abalada com o que aconteceu. E a gente espera que isso não aconteça. Só esse ano, 516 vezes, uma unidade de saúde precisou ser fechada por um conflito armado ou por uma questão de segurança. A situação vem aumentando numa velocidade muito grande na cidade do Rio de Janeiro", relatou.

Sobre o policiamento na porta das unidades, ele frisou que falta agentes na rede municipal. "A gente sempre teve uma viatura policial em cada unidade com um plantão 24 horas. Há quatro anos isso foi desmobilizado e a situação vem piorando e ficando cada vez mais crítica para manter o sistema de saúde funcionando sem uma política de segurança estruturada."
Ainda segundo o secretário, a milícia dominou a Zona Oeste, a ponto de cobrar estacionamento de paciente e profissionais. "A situação da milícia lá na Zona Oeste é tão grave que até o estacionamento do Hospital Pedro II foi dominado, eles estão cobrando para poder estacionar lá. A situação está muito crítica", afirmou.
A declaração de Soranz, no entanto, foi contestada pelo secretário de Segurança Pública do Rio, Victor Santos.
"Esse número não corresponde à realidade. O secretário Soranz está mentindo. Ele é mentiroso! Isso não condiz com a verdade. Não existe esse número de ocorrências. Se a gente for apurar, não tem nem de 20% de ocorrências registradas. O secretário tem meu telefone, tenho certeza que tem o telefone de todos os secretários, e ele não fez nenhuma ligação para pedir esse tipo de apoio. Consideramos isso uma irresponsabilidade, porque esse tipo de declaração é que gera insegurança e medo na população. A Segurança Pública está aqui para atender. Existe um policial militar em cada unidade hospitalar do estado, do município, exatamente para isso", frisou.
Em nota, a Polícia Civil informou que ao tomar conhecimento do caso, a autoridade policial da 36ª DP (Santa Cruz) imediatamente instaurou um inquérito para apurar invasão. Agentes da unidade realizam diligências neste momento para identificar e capturar os criminosos.