Com a notificação desta quinta-feira (2), agora são quatro os casos investigados de intoxicação por metanolÉrica Martin/Agência O Dia

Rio - O município do Rio vai reforçar o programa de controle e fiscalização de estabelecimentos produtores de bebidas. A medida, publicada no Diário Oficial de quarta-feira (1º), foi tomada em meio aos casos de intoxicação por metanol de pessoas que ingeriram bebidas alcoólicas, em São Paulo e Pernambuco. Até o momento, não há registros na capital e em outras cidades fluminenses.
Nesta quinta-feira (2), a Secretaria Municipal de Saúde do Rio inicia as fiscalizações de comercialização em bares, restaurantes e outros estabelecimentos da cidade, para conter a venda de bebidas alcoólicas adulteradas e prevenir a intoxicação. Os locais em que forem encontrados produtos sem procedência podem receber sanções, como multa e perda de alvará, além de apreensão das mercadorias.
O decreto estabelece que o Serviço de Inspeção Municipal de Produtos de Origem Vegetal do Rio (SIM-RIO/POV) realize fiscalização rotineira nos estabelecimentos para verificar a conformidade das instalações, processos produtivos, equipamentos, utensílios, matérias-primas, ingredientes, rótulos, embalagens, vasilhames e produtos, de acordo com as normas legais. As ações vão apurar também infrações ou eventos que tornem as mercadorias passíveis de alteração.
Poderão ocorrer ainda coleta de produtos para análise de fiscalização, controle, pericial ou de perícia de contraprova, bem como pedido para investigação de adulteração ou falsificação e realização de auditorias para verificar a conformidade dos produtos. As bebidas deverão atender requisitos como qualidade e quantidade dos componentes; ausência de componentes estranhos, de alterações e de deteriorações; e limites de substâncias e de microrganismos nocivos à saúde. 
Já os estabelecimentos deverão ter infraestrutura básica e fluxo adequados à produção, manipulação, padronização, circulação e comercialização de bebida e responsável técnico com qualificação profissional e registro. Os equipamentos, vasilhames e utensílios usados na produção, preparação, manipulação, acondicionamento e transporte deverão ser próprios e respeitar as exigências sanitárias e de higiene. 
Em uma publicação nas redes sociais, o prefeito do Rio disse que o reforço pretende evitar que cariocas também sejam afetados. "Determinei rigor máximo pro controle e fiscalização de estabelecimentos produtores de bebidas na cidade do Rio. Fica ainda o alerta a toda população: procurem não consumir destilados em locais onde você não consiga ter a certeza de que foram adquiridos de distribuidoras confiáveis. Não sabemos a dimensão dessa crise e é bom redobrar a atenção", afirmou Eduardo Paes. 
Intoxicação por metanol já tem 43 notificações 
O Ministério da Saúde monitora os casos de intoxicação por metanol após consumo de bebidas alcoólicas. Até o momento, uma pessoa morreu em São Paulo e outros sete óbitos são investigados, sendo cinco deles no mesmo estado e dois em Pernambuco. O Centro Nacional de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) também recebeu 43 notificações: 10 confirmados e 29 em investigação em São Paulo e quatro investigados em Pernambuco. Quatro casos suspeitos foram descartados. 
Segundo a pasta, o total de casos registrados desde agosto acendeu um alerta para a possível adulteração de bebidas alcoólicas. Até então, o Brasil contabilizava cerca de 20 casos de intoxicação por metanol ao longo de todo um ano. O ministério instalou uma Sala de Situação onde a informação em saúde vai ser analisada e uma nota técnica foi encaminhada a todos os estados e municípios para notificarem  imediatamente todas as suspeitas relacionadas a esse tipo de intoxicação. 
O Ministério da Justiça e Segurança Pública já associa as ocorrências ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas e a Polícia Federal investiga a suspeita de envolvimento de uma organização criminosa. A recomendação é que bares, empresas e demais estabelecimentos redobrem a atenção quanto à procedência dos produtos comercializados. Os consumidores devem evitar o consumo e compra de bebidas sem rótulo, lacre de segurança ou selo fiscal.
O metanol é altamente tóxico e pode levar à morte. Os principais sintomas são dor abdominal, visão adulterada, confusão mental e náusea, que podem aparecer entre 12 e 24 horas após a ingestão. O caso é considerado suspeito quando o paciente que ingeriu bebida alcoólica apresenta a persistência ou piora de sintomas. Ele deve procurar o atendimento médico no serviço de emergência mais próximo de casa para investigação diagnóstica e tratamento adequado.