Etnia Makuxí é a terceira mais populosa do BrasilDivulgação / Mario Vilela / Funai
Rio de Janeiro é a terceira cidade brasileira com maior variedade de etnias indígenas
Capital fluminense, atrás apenas de Manaus (AM) e São Paulo (SP), conta com 176 grupos étnicos
Rio - Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada nesta sexta-feira (24) apontou que o Rio de Janeiro é a terceira cidade brasileira com maior número de etnias indígenas. O censo ainda mostra que o estado fluminense, o sétimo com a maior variedade entre as unidades da federação, teve um crescimento de 26,9% na quantidade de grupos étnicos entre 2010 e 2022.
Dados do Censo Demográfico 2022 constataram a existência de 391 etnias, povos ou grupos indígenas no Brasil. Do total da população indígena em 2022 (1.694.836 pessoas), 74,51% declararam etnia, sendo as mais populosas Tikúna (74.061), Kokama (64.327) e Makuxí (53.446). A pesquisa identificou 295 línguas indígenas com falantes de dois anos ou mais.
São Paulo é estado com o maior número de etnias, povos ou grupos indígenas identificados pelo censo. Ao todo, foram 271 declaradas. Em seguida, destacam-se o Amazonas, com 259, e a Bahia, com 233. O Rio de Janeiro apresenta 207, enquanto a capital concentra 176. As cidades que figuram com um número maior do que o Rio são Manaus e São Paulo.
"O Brasil, quando você olha para outros países da América Latina, tem essa diversidade étnica e linguística. Esse quantitativo expressivo de etnias, esse quantitativo expressivo de línguas faladas. Ao mesmo tempo, a gente teve esse grande aumento da população indígena entre 2010 e 2022, de quase 90%. Então, havia muita curiosidade: quem são esses indígenas", explica Marta Nunes, gerente de Povos e Comunidades Tradicionais e Grupos Populacionais Específicos do IBGE.
Para o instituto, os resultados destacam as diversas formas de organização social dos povos indígenas. Múltiplos fatores devem ser considerados na sua interpretação, como os movimentos migratórios, o processo de urbanização, os processos de autoafirmação e reemergência étnica, que ocorrem quando grupos indígenas voltam a se diferenciar perante outros grupos e a sociedade não indígena.
"São pessoas que se declaravam indígenas, mas não acionavam o pertencimento a uma etnia povo ou grupo indígena específico, mas que ao longo dos anos vêm valorizando esse pertencimento fruto de diferentes processos socio organizativos. Nos últimos anos, fruto também do próprio Censo, isso passa a ser valorizado. Declarar para o IBGE o seu pertencimento àquela etnia passa a ser valorizado. Depois de anos de ocultação para lidar com o racismo, principalmente no contexto urbano, se reúnem condições favoráveis para a declaração do pertencimento étnico", diz Marta.
Crianças sem certidão
O Censo 2022 Etnias e línguas indígenas destacou que o Brasil ainda tem 5,42% das crianças indígenas de até cinco anos de idade sem registro de nascimento. Esse percentual é 10,6 vezes maior do que o da população brasileira em geral – 0,51% das crianças de até 5 anos não possui esse registro.
A certidão de nascimento é o primeiro documento com validade jurídica de uma pessoa. Com ela, a criança passa a ter nome, sobrenome, nacionalidade, filiação e direitos à saúde e à educação. No Brasil, a emissão da primeira via do documento é totalmente gratuita para todos os que nascem em solo brasileiro, garantida por lei federal. A certidão é o comprovante de existência do cidadão. Sem esse documento, a pessoa é impedida de exercer os seus direitos civis e sociais, ou seja, na prática ela fica invisível.
Segundo o Censo, 1.694.836 pessoas indígenas vivem em 4.833 municípios do país. Os indígenas representam 0,83% do total de 203 milhões de habitantes no Brasil. Desde o último Censo, em 2010, houve um aumento de 896.917 indígenas, o equivale a uma expansão de 88,82%.

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