Rio - Uma aluna que assistia aula no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ) no momento do ataque às duas profissionais da instituição conta que foram cinco minutos de completo desespero. Segundo a jovem, que cursa o 1º ano, a turma chegou a acreditar que se tratava de uma brincadeira dos alunos do 3º ano, já que a sexta-feira (28) marcou o último dia de aula para algumas turmas.
fotogaleria
"Depois de cinco minutos de desespero, nos disseram para sair correndo pela única entrada aberta naquele momento. Um verdadeiro caos. Eu realmente achei que era uma brincadeira até nossos veteranos entrarem na sala e começarem a falar que tinham atirado em alguém", contou a estudante em suas redes sociais.
Alunos que estavam no prédio, localizado no Maracanã, Zona Norte do Rio, ficaram trancados em um pavilhão da área de Segurança do Trabalho até que fosse seguro sair. Em outro relato, um estudante disse que as turmas se trancaram nas salas após o barulhos dos disparos, e que houve pânico, correria e muita tensão.
O ataque
O funcionário afastado do setor de pedagogia, João Antônio Miranda Tello Gonçalves, matou a tiros Allane de Souza Pedrotti Mattos e Layse Costa Pinheiro, diretora e psicóloga da instituição, respectivamente, na tarde de sexta-feira (28). A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) ainda apura o que motivou o atirador a cometer o crime. A suspeita inicial é de que ele teria conflitos com as colegas por não aceitar ser chefiado por mulheres.
Após desentendimentos com Allane, João Antônio foi transferido para outra unidade. Inconformado, recorreu ao Ministério Público Federal (MPF) para tentar retornar ao posto original. Na nova unidade, porém, voltou a apresentar problemas, o que resultou em um afastamento cautelar. Um laudo psiquiátrico, entretanto, atestou que ele estava apto a retomar suas atividades, novamente na unidade do Maracanã.
Quem eram as vítimas
Allane, de 41 anos, era chefe da Divisão de Acompanhamento e Desenvolvimento de Ensino (Diace) do Cefet. Doutora em Letras, ela construiu uma trajetória acadêmica robusta, com passagens pela PUC-Rio, UFRJ, UFF e pela Universidade de Copenhague, na Dinamarca. No Cefet, era responsável pela coordenação da equipe pedagógica e acadêmica ligada à Direção de Ensino, especificamente na área de Educação Profissional e Tecnológica do Ensino Médio. Ela deixou uma filha adolescente, era torcedora apaixonada pelo Fluminense e também cantora de samba, pandeirista e compositora.
Já Layse, de 40 anos, trabalhava como psicóloga escolar na instituição. Discreta nas redes sociais, ela se apresentava como feminista, antirracista e engajada na luta pelas minorias e se dizia apaixonada por música, incluindo cantoras como Marisa Monte, Maria Rita, e dança de salão. Ela era graduada em Psicologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro e desempenhava funções de apoio emocional e acompanhamento dos estudantes. Estava na instituição desde 2014.
Instituição em luto
A direção-geral do Cefet emitiu uma nota de pesar, lamentando "profundamente essa tragédia, que chocou a comunidade acadêmica" e decretando luto oficial por cinco dias na instituição a partir de segunda-feira (1º). Leia a nota na íntegra:
"É com extrema tristeza que o Cefet/RJ informa o falecimento das servidoras técnico-administrativas Allane de Souza Pedrotti Matos e Layse Costa Pinheiro, vítimas de um atentado no interior da Unidade Maracanã na tarde desta sexta-feira (28). Os disparos foram efetuados por João Antonio Miranda Tello Ramos Gonçalves, também servidor da instituição, que, em seguida, tirou a própria vida.
Imediatamente após o ocorrido, a Unidade Maracanã foi evacuada pela Diretoria de Ensino (DIREN) e foram acionados o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar, que atuaram nos primeiros socorros às vítimas. As motivações do crime serão investigadas pela Delegacia de Homicídios da Capital.
A Direção-Geral do Cefet/RJ lamenta profundamente essa tragédia, que chocou a comunidade acadêmica, e decreta luto oficial por cinco dias na instituição a partir de 1º/12/2025, por meio da Portaria nº 1.808/2025."
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.