Alerj votou pela revogação da prisão do deputado Rodrigo Bacellar (União)Divulgação/Alerj

Rio - A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) decidiu em sessão extraordinária, nesta segunda-feira (8), pela soltura do presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União Brasil). Foram 42 votos a favor da revogação da prisão, 21 votos contra e duas abstenções. Ao todo, 65 deputados estaduais votaram. Veja abaixo como cada parlamentar votou.
Durante a sessão, presidida pelo deputado Guilherme Delaroli (PL), 1º vice-presidente, foi acordado que seis parlamentares discutiriam o tema por dez minutos: três falaram a favor da soltura, casos dos deputados de Alexandre Knoploch (PL), Índia Armelau (PL) e Renan Jordy (PL); e outros três pela manutenção da detenção, que foram Flávio Serafini (PSol), Carlos Minc (PSB) e Élika Takimoto (PT).
Mais cedo, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) já havia aprovado o projeto de resolução que recomendava a liberação de Bacellar. Apesar da decisão do plenário, o presidente da Alerj não será solto imediatamente. Para que ele deixe a prisão, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), precisa reconhecer a votação e decidir se acata ou não o pedido da Casa Legislativa.
O projeto aprovado pela CCJ será publicado no Diário Oficial nesta terça-feira (9) e, em seguida, encaminhado ao STF. O rito está previsto pela Constituição para casos de prisão de parlamentares.
Votaram a favor da soltura:

Alan Lopes (PL)
Alexandre Knoploch (PL)
Andre Correa (PP)
Arthur Monteiro (União)
Brazão (União)
Bruno Boaretto (PL)
Carla Machado (PT)
Carlinhos BNH (PP)
Carlos Macedo (Republicanos)
Chico Machado (Solidariedade)
Daniel Martins (União)
Danniel Librelon (Republicanos)
Dr. Deodalto (PL)
Dr. Pedro Ricardo (PP)
Elton Cristo (PP)
Fábio Silva (União)
Felipinho Ravis (Solidariedade)
Filippe Poubel (PL)
Franciane Motta (Podemos)
Fred Pacheco (PMN)
Giovani Ratinho (Solidariedade)
Giselle Monteiro (PL)
Guilherme Delaroli (PL)
Inia Armelau (PL)
Jorge Felippe Neto (Avante)
Julio Rocha (Agir)
Lucinha (PSD)
Marcelo Dino (União)
Munir Neto (PSD)
Rafael Nobre (União)
Renan Jordy (PL)
Renato Miranda (PL)
Ricardo da Karol (PL)
Rodrigo Amorim (União)
Samuel Malafaia (PL)
Sarah Poncio (Solidariedade)
Thiago Gagliasso (PL)
Thiago Rangel (PMB)
Tia Ju (Republicanos)
Val Ceasa (PRD)
Valdecy da Saúde (PL)
Vitor Junior (PDT)

Votaram contra a soltura

Atila Nunes (PSD)
Carlos Minc (PSB)
Celia Jordão (PL)
Claudio Caiado (PSD)
Dani Balbi (PC do B)
Dani Monteiro (Psol)
Elika Takimoto (PT)
Flavio Serafini (Psol)
Jari Oliveira (PSB)
Lilian Behring (PC do B)
Luiz Paulo (PSD)
Marcio Gualberto (PL)
Marina do MST (PT)
Prof Josemar (Psol)
Renata Souza (Psol)
Renato Machado (PT)
Rosenverg Reis (MDB)
Sergio Fernandes (PSB)
Verônica Lima (PT)
Yuri (Psol)
Zeidan (PT)

Abstenção

Rafael Picciani (MDB)
Entenda a prisão
Rodrigo Bacellar está preso desde a última quarta-feira (3), suspeito de ter vazado informações da operação contra uma quadrilha especializada no tráfico internacional de armas e drogas, corrupção de agentes públicos e lavagem de dinheiro. Os alvos eram Thiego Raimundo, um delegado da Polícia Federal, policiais militares, um ex-secretário municipal e estadual e liderança do CV no Complexo do Alemão, Zona Norte.
No pedido de prisão, a PF apresentou provas que apontam uma relação estreita entre o parlamentar e o ex-deputado TH Joias, preso por negociar armas para o Comando Vermelho (CV). Em trocas de mensagens, TH se refere a Bacellar como '01' e inclui o telefone do deputado em uma lista de "comunicação urgente".
A PF destaca que TH inicia a conversa chamando Bacellar com "Fala, 01" e avisando que passaria a usar um novo número. O presidente da Alerj responde com uma figurinha, o que, segundo os investigadores, sugere que já sabia da troca. O diálogo aconteceu em 2 de setembro, um dia antes da operação policial contra TH.

Na mesma data, TH deixou o imóvel onde morava com a família e trocou de celular, passando a usar um número com DDD da Paraíba. No aparelho, também aparecia o nome do assessor parlamentar Thárcio Nascimento Salgado como segundo contato de emergência.
Quem é Rodrigo Bacellar
Rodrigo Bacellar está no segundo mandato como presidente da Alerj, reeleito por unanimidade em fevereiro deste ano. O parlamentar lançou sua primeira candidatura pelo Solidariedade (SD) em 2018, tendo sido eleito com 26.135 votos e reeleito em 2022 pelo Partido Liberal (PL), com 97.822. Em março de 2024, se filiou ao União Brasil. Entre 2007 e 2009, foi assessor da Secretaria-Geral de Planejamento do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE/RJ), e de 2009 a 2011, presidente da Fundação Estadual do Norte Fluminense (Fenorte).