Publicado 19/03/2026 12:40 | Atualizado 19/03/2026 15:26
Rio - "Ele era um trabalhador, um homem de bem que foi morto como um bandido." O desabafo é de Roberta Ferro Hipólito, mulher do auxiliar de cozinha Leandro Silva Souza, de 30 anos, baleado dentro de casa durante uma operação da Polícia Militar no Morro dos Prazeres, na Região Central. Ainda abalada, ela afirmou ao DIA que não houve confronto e acusou os agentes de entrarem na residência atirando.
Publicidade"Estávamos dormindo, eram umas 7h30/7h40, quando fomos acordados por esses garotos que entraram na casa. Eles pediram para ele (Leandro) segurar o cachorro para não latir e pediram para eu me vestir, eu me vesti e ficaram todos lá no chão do quarto. Até que a polícia chegou e começou a atirar. Não teve confronto, arrebentaram a minha porta com granada, não teve negociação nenhuma, só falavam para colocar os fuzis para fora e os bandidos não falaram nada", frisou.
No Instituto Médico Legal, Roberta contou ainda que enfrenta dificuldades para realizar a liberação do corpo após ter tido os documentos dela e do marido levados de dentro da casa.
"Estou abalada, transtornada com tudo que eu vivi. Além de tudo ainda tem que esperar porque os documentos foram levados da nossa casa, tanto dele como o meu, por isso não foi liberado o corpo ainda", afirmou.
"Estou abalada, transtornada com tudo que eu vivi. Além de tudo ainda tem que esperar porque os documentos foram levados da nossa casa, tanto dele como o meu, por isso não foi liberado o corpo ainda", afirmou.
Roberta explicou também que após os tiros, foi induzida por um agente a falar na delegacia que a morte do marido teria sido provocada pelos bandidos.
"Quando eu sai para fora, ele (policial) falou assim: Você tem que ir na delegacia prestar depoimento e falar que o bandido atirou no seu marido. Mas eu não falei, porque eu não vi bandido atirando, e eu não vou mentir", reforçou.
Os dois são naturais do Piauí, no Nordeste, e estavam casados há três anos. Para ela, o sentimento agora é de desejo de justiça.
"Eu espero que a situação seja esclarecida, que a verdade venha à tona, que seja realmente descoberto quem fez isso com o meu marido. Eu sei, mas eu quero que seja provado. E é isso que eu quero, que quem fez isso com ele pague, eu sei que não vai trazer a vida dele de volta, mas eu quero justiça pelo meu marido, porque ele era um trabalhador, um homem de bem que foi morto como um bandido", lamentou.
"Eu espero que a situação seja esclarecida, que a verdade venha à tona, que seja realmente descoberto quem fez isso com o meu marido. Eu sei, mas eu quero que seja provado. E é isso que eu quero, que quem fez isso com ele pague, eu sei que não vai trazer a vida dele de volta, mas eu quero justiça pelo meu marido, porque ele era um trabalhador, um homem de bem que foi morto como um bandido", lamentou.
Por fim, Roberta ressaltou que não consegue voltar para casa. O imóvel ficou com diversas marcas de sangue no chão e nas paredes, além de restos mortais.
"Eu fui lá ontem bem rapidamente para pegar uma roupa, mas nem uma roupa consegui pegar porque estava tudo sujo de sangue, de cérebro", disse emocionada.
"Eu fui lá ontem bem rapidamente para pegar uma roupa, mas nem uma roupa consegui pegar porque estava tudo sujo de sangue, de cérebro", disse emocionada.
De acordo com a Polícia Civil, a investigação está em andamento na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). Diligências são realizadas para apurar os fatos.
O que diz a PM?
Em entrevista coletiva após a ação da quarta (18) - que resultou na morte também do chefe do tráfico da localidade, Claudio Augusto dos Santos, o "Jiló dos Prazeres" - o tenente-coronel Marcelo Corbage, comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), informou que houve confronto entre agentes e criminosos, e que seis bandidos foram mortos dentro da casa de Leandro;
"Eles entraram na residência, colocaram um casal como refém e no momento que a gente estava buscando uma solução pacífica, houve disparos de dentro da residência, na qual o senhor Leandro acabou sofrendo o primeiro PAF (perfuração por arma de fogo) na região da cabeça. Então a nossa tropa respondeu imediatamente o fogo, onde houve essa ação de neutralização (execução) desses seis criminosos", explicou.
O que diz a PM?
Em entrevista coletiva após a ação da quarta (18) - que resultou na morte também do chefe do tráfico da localidade, Claudio Augusto dos Santos, o "Jiló dos Prazeres" - o tenente-coronel Marcelo Corbage, comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), informou que houve confronto entre agentes e criminosos, e que seis bandidos foram mortos dentro da casa de Leandro;
"Eles entraram na residência, colocaram um casal como refém e no momento que a gente estava buscando uma solução pacífica, houve disparos de dentro da residência, na qual o senhor Leandro acabou sofrendo o primeiro PAF (perfuração por arma de fogo) na região da cabeça. Então a nossa tropa respondeu imediatamente o fogo, onde houve essa ação de neutralização (execução) desses seis criminosos", explicou.
Ainda durante a operação, policiais detiveram quatro pessoas que tentavam bloquear vias do entorno, no bairro do Rio Comprido.
Já nesta quinta (19), a PM enviou uma nota lamentando a morte e informando que há um procedimento interno em andamento. A corporação ressaltou que apenas após a realização da perícia técnica será possível esclarecer todos os fatos.
Confira a nota na íntegra:
"A Secretaria de Estado de Polícia Militar lamenta a morte de Leandro Silva Sousa ocorrida durante uma operação policial, na localidade do Morro dos Prazeres, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
A Assessoria de Imprensa da Corporação esclarece que, assim como acontece em todas as ocorrências com resultado morte, o caso que resultou no óbito do morador e de outros seis acusados é alvo de procedimento apuratório interno, além da investigação da Polícia Civil.
Somente após a realização da perícia técnica será possível determinar, com precisão, todos fatos e circunstâncias ocorridos durante a ação desta quarta-feira (18).
Ressaltamos que a Corporação preza pela transparência de suas ações e colabora integralmente com as investigações do caso."
A Assessoria de Imprensa da Corporação esclarece que, assim como acontece em todas as ocorrências com resultado morte, o caso que resultou no óbito do morador e de outros seis acusados é alvo de procedimento apuratório interno, além da investigação da Polícia Civil.
Somente após a realização da perícia técnica será possível determinar, com precisão, todos fatos e circunstâncias ocorridos durante a ação desta quarta-feira (18).
Ressaltamos que a Corporação preza pela transparência de suas ações e colabora integralmente com as investigações do caso."
Investigação do MPRJ
Procurado, o Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ) informou que o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) recebeu comunicação da operação e encaminhou o caso para a 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada do Núcleo Rio de Janeiro, que investigará toda a situação.
O Gaesp também pediu imagens das câmeras corporais dos policiais envolvidos, além de outras informações sobre os resultados da operação.
Promotores de Justiça e técnicos periciais acompanham, nesta quinta-feira (19), as necropsias no Instituto Médico Legal.
Paralelamente, a Promotoria de Auditoria Militar informou que também requisitou as imagens das câmeras corporais de todos os agentes, bem como demais informações para a Corregedoria da Polícia Militar (CGPM) para análise.
Paralelamente, a Promotoria de Auditoria Militar informou que também requisitou as imagens das câmeras corporais de todos os agentes, bem como demais informações para a Corregedoria da Polícia Militar (CGPM) para análise.
Insegurança na região
Ainda na quarta (18), sete ônibus tiveram as chaves retiradas e acabaram usados como barricadas. Um deles foi incendiado na Avenida Paulo de Frontin, no acesso ao Túnel Rebouças. Devido a violência, comércios fecharam as portas.
Na manhã desta quinta (19), o policiamento foi reforçado no Rio Comprido, na Região Central, com equipes dos batalhões da área e tropas especiais. Ao longo da manhã, bandidos armados passaram de moto mandando fechar novamente os comércios em vias de acesso a comunidade.
As lojas chegaram a abrir por volta das 9h, mas funcionaram por menos de 2h na Rua Estrela. Logo em seguida, três linhas tiveram itinerários impactos preventivamente por questões de segurança. São elas: 133 Largo do Machado x Terminal Gentileza; 607 Cascadura x Rio Comprido; e 711 Rocha Miranda x Rio Comprido.
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