Rio - Claudio Augusto dos Santos, o "Jiló", de 55 anos, chefe do tráfico do Morro dos Prazeres, na Região Central, morreu em confronto com agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), durante uma ação realizada em comunidades da região nesta terça-feira (18). O criminoso era uma das principais lideranças do Comando Vermelho e tinha mais de 135 passagens pela polícia.
Desde as primeiras horas da manhã, mais de 150 PMs atuam nos morros dos Prazeres, Fallet, Fogueteiro, Coroa, Escondidinho e Paula Ramos. A operação, que busca combater roubos de veículos e o tráfico de drogas, conta com apoio de policiais do 5º BPM (Praça da Harmonia) e se baseia em informações da Subsecretaria de Inteligência.
Segundo a PM, "Jiló" chegou a ser socorrido e encaminhado ao Hospital Municipal Souza Aguiar, mas não resistiu aos ferimentos.
Retaliação
Após a morte do traficante, há relatos de tiros e clima tensão na região e em bairros próximos. Em imagens que circulam nas redes sociais é possível ver ônibus atravessados em ruas principais e fogo em barricadas.
De acordo com o Rio Ônibus, sete coletivos tiveram suas chaves retiradas e foram utilizados como barricadas no Rio Comprido. Um desses chegou a ser incendiado por criminosos. No momento, 10 linhas estão sofrendo desvios de itinerário na localidade e em Santa Teresa.
Segundo o Centro de Operações Rio, há interdições intermitentes em vias do Catumbi (Rua Itapiru) e Rio Comprido ( Rua Barão de Petrópolis e Rua Estrela e na Avenida Paula de Frontin).
Saiba mais sobre "Jiló"
O criminoso é um dos envolvidos na morte do turista italiano Roberto Bardella, de 52 anos, em dezembro de 2016, no Morro dos Prazeres. Na ocasião, a vítima e o primo Rino Polato, de 59 anos, estavam em duas motocicletas e entraram na comunidade por engano.
Bardella tinha uma empresa de administração condominial com a mulher. Os dois amigos viajavam em motos pela América do Sul e já tinham passado pelo Paraguai e Argentina, além de Curitiba e Foz do Iguaçu, onde visitaram as Cataratas.
O turista foi baleado na cabeça e no braço e morreu na hora. O primo foi pego pelos bandidos, que o forçaram a entrar em um carro, enquanto o corpo de Bardella ficava no porta-malas. O veículo circulou pela favela durante cerca de duas horas, até vir a ordem do chefe do tráfico para liberá-lo. Rino acabou sendo deixado, junto com o corpo, em uma praça no bairro vizinho a Santa Teresa.
Na época do crime, "Jiló" tinha sido solto havia apenas 30 dias. Ele foi preso nos anos 1990, recebeu progressão de pena, mas não a cumpriu, sendo novamente detido em 2012.
Contra o criminoso, constavam cerca de 10 mandados de prisão em aberto.
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