Ella Costa tem 24 anos, é modelo e também trabalha no setor de beleza de uma loja de departamentos no Rio. Arquivo pessoal
Segundo Ella, que trabalha como modelo e vendedora no setor de beleza de uma loja, após o fim da partida, ela estava com um amigo e outras pessoas do grupo em um bar na região, identificado como Kzinha Cultural. O encontro transcorria normalmente até o momento em que ela foi ao banheiro.
De acordo com a jovem, Marcos a acompanhou até o local e, sem qualquer consentimento, a beijou à força.
“Ele simplesmente me beijou à força. Sem consentimento”, relatou.
Em depoimento ao DIA, a jovem disse que reagiu imediatamente, empurrando o homem e questionando a atitude. Segundo ela, o amigo que a acompanhava precisou intervir para afastá-lo: “Empurrei na hora, questionei o que era aqilo e meu amigo precisou intervir pra tirá-lo de perto.”
Após o episódio, a jovem afirmou que teve uma forte crise emocional e começou a chorar. “Fiquei extremamente abalada emocionalmente, tive uma crise de choro ali mesmo”, disse.
Segundo Ella, o homem tentou minimizar o ocorrido com um pedido de desculpas superficial. "O mais absurdo? Depois veio com um ‘foi mal’, como se fosse um errinho bobo”, afirmou.
A torcedora rebateu a tentativa de banalização e classificou o episódio como violência: “Nunca vai ser um errinho bobo. É invasão, é desrespeito, é violência, é crime.”
Ella disse que precisou seguir trabalhando mesmo depois do ocorrido, apesar do impacto emocional. Ela também revelou que o acusado, que atua como fotógrafo freelancer, entrou em contato posteriormente, mas sem apresentar uma postura que mudasse a gravidade da situação.
“Ele chegou a entrar em contato comigo, mas disse apenas aquilo, o que não muda em nada a gravidade do que foi feito", disse.
A jovem informou que registrou boletim de ocorrência na Polícia e que ainda tenta lidar com o trauma: "Fiz o boletim de ocorrência e estou tentando lidar com tudo isso, mas a verdade é que ainda estou muito abalada, sem chão mesmo".
Após a denúncia, Ella disse ter recebido apoio de grupos de mulheres e coletivos ligados ao futebol, como a Tricoflores, torcida feminina do Fluminense da qual faz parte, além do movimento Botafogo no Assédio, de Hérica Amaral, presidente da torcida Fogoró, e de amigas e amigos.
Segundo ela, várias pessoas relataram experiências semelhantes envolvendo o mesmo homem. "Aparentemente eu não fui a primeira e, se ninguém fizer nada, talvez não seja a última", revelou.
Ao explicar por que decidiu tornar o caso público, Ella afirmou que falou por si e por outras vítimas silenciadas. “Eu me pronunciei por mim, mas também por todas as mulheres que já passaram por situações como essa e não tiveram espaço, coragem ou acolhimento para falar", afirmou.
A torcida do Botafogo, Fogoró, por meio de nota, esclareceu que Marcos da Silva não faz parte do quadro de membros, tendo apenas realizado trabalhos pontuais como freelancer. A torcida informou que repudia de forma veemente a conduta relatada e afirma que é por essência, uma torcida acolhedora e familiar, onde o respeito é inegociável.
A reportagem entrou em contato com Marcos da Silva mas não obteve retorno. O espaço está aberto para eventuais manifestações.
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