Ella Costa tem 24 anos, é modelo e também trabalha no setor de beleza de uma loja de departamentos no Rio. Arquivo pessoal

O que era para ser um dia de diversão, virou trauma. Ella Costa, de 24 anos, usou as redes sociais para denunciar um caso de assédio que, segundo ela, aconteceu na noite de terça-feira (21), após a partida entre Botafogo e Chapecoense, no Estádio Nilton Santos, no Engenho de Dentro, Zona Norte. Em relato publicado na internet, a torcedora afirmou que foi beijada à força por um homem identificado como Marcos da Silva, que estava com seu grupo de amigos.

Segundo Ella, que trabalha como modelo e vendedora no setor de beleza de uma loja, após o fim da partida, ela estava com um amigo e outras pessoas do grupo em um bar na região, identificado como Kzinha Cultural. O encontro transcorria normalmente até o momento em que ela foi ao banheiro.

De acordo com a jovem, Marcos a acompanhou até o local e, sem qualquer consentimento, a beijou à força.
“Ele simplesmente me beijou à força. Sem consentimento”, relatou.

Em depoimento ao DIA, a jovem disse que reagiu imediatamente, empurrando o homem e questionando a atitude. Segundo ela, o amigo que a acompanhava precisou intervir para afastá-lo: “Empurrei na hora, questionei o que era aqilo e meu amigo precisou intervir pra tirá-lo de perto.”

Após o episódio, a jovem afirmou que teve uma forte crise emocional e começou a chorar. “Fiquei extremamente abalada emocionalmente, tive uma crise de choro ali mesmo”, disse.

Segundo Ella, o homem tentou minimizar o ocorrido com um pedido de desculpas superficial. "O mais absurdo? Depois veio com um ‘foi mal’, como se fosse um errinho bobo”, afirmou.

A torcedora rebateu a tentativa de banalização e classificou o episódio como violência: “Nunca vai ser um errinho bobo. É invasão, é desrespeito, é violência, é crime.”

Ella disse que precisou seguir trabalhando mesmo depois do ocorrido, apesar do impacto emocional. Ela também revelou que o acusado, que atua como fotógrafo freelancer, entrou em contato posteriormente, mas sem apresentar uma postura que mudasse a gravidade da situação.

“Ele chegou a entrar em contato comigo, mas disse apenas aquilo, o que não muda em nada a gravidade do que foi feito", disse.

A jovem informou que registrou boletim de ocorrência na Polícia e que ainda tenta lidar com o trauma: "Fiz o boletim de ocorrência e estou tentando lidar com tudo isso, mas a verdade é que ainda estou muito abalada, sem chão mesmo".

Após a denúncia, Ella disse ter recebido apoio de grupos de mulheres e coletivos ligados ao futebol, como a Tricoflores, torcida feminina do Fluminense da qual faz parte, além do movimento Botafogo no Assédio, de Hérica Amaral, presidente da torcida Fogoró, e de amigas e amigos.

Segundo ela, várias pessoas relataram experiências semelhantes envolvendo o mesmo homem. "Aparentemente eu não fui a primeira e, se ninguém fizer nada, talvez não seja a última", revelou.

Ao explicar por que decidiu tornar o caso público, Ella afirmou que falou por si e por outras vítimas silenciadas. “Eu me pronunciei por mim, mas também por todas as mulheres que já passaram por situações como essa e não tiveram espaço, coragem ou acolhimento para falar", afirmou.
E concluiu com um apelo por ambientes mais seguros para mulheres: "Que esse momento sirva não só como denúncia, mas como um passo real em direção a ambientes mais seguros, respeitosos e responsáveis para todas nós. Nenhuma mulher deveria passar por isso".

A torcida do Botafogo, Fogoró, por meio de nota, esclareceu que Marcos da Silva não faz parte do quadro de membros, tendo apenas realizado trabalhos pontuais como freelancer. A torcida informou que repudia de forma veemente a conduta relatada e afirma que é por essência, uma torcida acolhedora e familiar, onde o respeito é inegociável.

A reportagem entrou em contato com Marcos da Silva mas não obteve retorno. O espaço está aberto para eventuais manifestações.