Agressores da capivara na Ilha do Governador foram presos e multados pelo Ibama em R$ 20 mil, cadaDivulgação / PCERJ
Publicado 09/04/2026 10:18
Rio - O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou, nesta terça-feira (7), seis homens por crime ambiental e maus-tratos contra uma capivara, agredida com pedras e pedaços de madeira, no mês passado, no bairro Jardim Guanabara, na Ilha do Governador, na Zona Norte.
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Isaías Melquiades Barros da Silva, José Renato Beserra da Silva, Matheus Henrique Teodosio, Paulo Henrique Souza Santana, Pedro Eduardo Rodrigues e Wagner da Silva Bernardo foram denunciados pelos crimes de maus-tratos com emprego de crueldade, caça ilegal, corrupção de menores e associação criminosa. Todos tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva após passarem por audiência de custódia, no fim de março.
Segundo a denúncia, o grupo agiu de forma consciente e coordenada, com a participação de dois adolescentes, ao cercar e atacar o animal com pedras e pedaços de madeira com pregos, utilizando método cruel que causou graves lesões, incluindo traumatismo craniano e lesão ocular severa, conforme laudo veterinário anexado no processo.
Após as agressões, a capivara, um macho adulto, foi levada para a Clínica de Recuperação de Animais Silvestres (CRAS) da Estácio, em Vargem Pequena, na Zona Sudoeste. O local especializado funciona como uma clínica universitária, por meio de uma parceria entre a faculdade, o Governo do Estado, o Instituto Estadual do Ambiente e a Patrulha Ambiental.
A O DIA, Jeferson Pires, médico veterinário responsável pelo caso, contou que a capivara tem evoluído bem, mas o olho do animal ainda é motivo de preocupação.
“Ela evoluiu muito bem na parte neurológica. Não apresenta nenhuma sequela do traumatismo crânio encefálico, está comendo bem e está ativa. Nossa preocupação ainda continua sendo o olho, apesar de ter evoluído de maneira positiva. As alterações que eram bem mais evidentes – a opacificação, a catarata traumática e a inflamação – deram uma reduzida. O olho está começando a mostrar uma transparência maior. Não está completamente neutralizada, mas com o tratamento que está sendo feito, ele está evoluindo muito bem”, afirmou.
De acordo com o veterinário, o animal aparentemente já começou a enxergar vultos, o que não fazia desde a agressão. Porém, a capivara ainda poderá precisar passar por cirurgia, caso seja necessário melhorar a visão. A decisão será tomada após nova avaliação.
“Essa certeza a gente só vai ter quando a for reavaliar o olho. Precisa de um tempo de tratamento e ela tem que ser anestesiada para poder fazer todos os exames oftalmológicos e ter certeza se ela vai ficar cega ou não, se vai perder parte dessa visão, se a catarata traumática foi significativa ou não e se será necessário passar por uma cirurgia para ela enxergar um pouco melhor. A partir daí, a gente vê se ela precisa de mais tempo de tratamento ou acompanhamento para ser encaminhada, posteriormente, para a soltura. Se ela estiver enxergando bem, vai voltar para o mesmo local de onde veio. Se tiver uma alteração significativa de questão visual, vai para algum parque que seja fechado e não tenha trânsito de carros”, explicou.
Embora haja preocupação com o olho do animal, Jeferson destacou que a capivara já está até fazendo brincadeiras. “Está fazendo a bagunça que capivara costuma fazer quando está em tratamento. Ela vira a pote d'água, derruba todo o molho de capins que é colocado para ela. Está bem ativa”, disse.
O grupo de seis homens e dois adolescentes agiu durante a madrugada do dia 21 de março. Eles gravaram as agressões, mostrando comportamento de deboche enquanto o animal era submetido a intenso sofrimento. No mesmo dia, foram identificados e presos.
À Polícia Civil, os homens admitiram o crime e revelaram que pretendiam matar o animal para comer a carne dela. A denúncia também aponta que um dos envolvidos foi reconhecido por uma testemunha como responsável pela agressão a outra capivara, poucos dias antes, no mesmo bairro.
A denúncia do MPRJ foi feita por meio do Núcleo de Proteção e Defesa dos Animais (NPDA) do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (Gaema) e da Promotoria de Justiça junto à 21ª Vara Criminal da Capital.
O NPDA/Gaema também fixou o pagamento de um valor mínimo para a reparação dos danos ambientais, morais coletivos e materiais causados. Com base em laudo técnico , o prejuízo foi estimado em R$ 44.632,57, que deverá ser pago pelos envolvidos. Os recursos deverão ser destinados a instituições voltadas ao atendimento veterinário e à recuperação do animal, além do Fundo Estadual de Meio Ambiente.
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