Publicado 20/05/2026 22:24 | Atualizado 20/05/2026 22:41
A capivara que foi espancada por um grupo de oito homens na Ilha do Governador, na Zona Norte, em março passado, foi devolvida à natureza nesta quarta-feira (20), após passar cerca de dois meses em tratamento veterinário especializado.
PublicidadeO animal foi solto em uma reserva ecológica em Barra de Guaratiba, na Zona Oeste da capital. Desde março, a capivara estava sob cuidados da Patrulha Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras), da Estácio Vargem Pequena.
A recuperação foi acompanhada pelo veterinário Jeferson Pires e por uma equipe formada por médicos veterinários, biólogos e estudantes especializados em fauna silvestre.
Segundo Jeferson, o animal chegou à unidade em estado grave, mas conseguiu se recuperar e readquirir condições de viver novamente em liberdade.
“Ela chegou em um estado grave, com um traumatismo craniano e uma lesão ocular grave. A gente conseguiu fazer uma recuperação completa. Infelizmente, o olho não foi possível salvar por causa de uma lesão grave na retina, que impediu que ela voltasse a enxergar. Mesmo assim, ela consegue retornar à vida livre”, explicou o veterinário.
Ainda de acordo com ele, a equipe decidiu que a capivara não poderia voltar para a Ilha do Governador por causa do risco de novos acidentes.
“Ela não poderia retornar para o mesmo local porque existe muito trânsito de veículos e ela poderia ser atropelada justamente do lado que não enxerga. Então escolhemos uma área isolada, uma reserva sem circulação significativa de carros e sem presença constante de pessoas, para que ela tenha condições de viver de forma plena”, afirmou.
O caso ganhou grande repercussão após câmeras de segurança registrarem o momento em que a capivara era perseguida e agredida por um grupo de homens na orla do Quebra Coco, no Jardim Guanabara, durante a madrugada do dia 21 de março.
As imagens mostram o animal caminhando pela rua quando os agressores aparecem armados com pedaços de madeira. Em seguida, a capivara tenta fugir, mas acaba sendo cercada e espancada diversas vezes até cair no chão. Depois das agressões, os suspeitos fugiram do local.
Moradores da região afirmaram que a capivara fazia parte de uma família de animais que circulava pela Ilha do Governador havia anos e convivia pacificamente com os moradores.
Na manhã seguinte ao ataque, o animal ainda foi visto ferido pelas ruas do bairro antes de se abrigar em um terreno baldio. A Patrulha Ambiental foi acionada para realizar a contenção e encaminhar a capivara para atendimento veterinário emergencial.
A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) identificou os envolvidos poucas horas após o crime. Seis adultos foram presos e dois adolescentes apreendidos. Depois de terem a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça, Isaías Melquiades Barros da Silva, José Renato Beserra da Silva, Matheus Henrique Teodosio, Paulo Henrique Souza Santana, Pedro Eduardo Rodrigues e Wagner da Silva Bernardo foram denunciados pelo Ministério Público por crime ambiental e de maus-tratos com emprego de crueldade, caça ilegal, corrupção de menores e associação criminosa. Já os adolescentes foram internados e respondem por infrações análogas.
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