Publicado 30/07/2026 11:26 | Atualizado 30/07/2026 13:32
Rio - Moradores de diferentes regiões do Rio ainda continuam sem energia elétrica, na manhã desta quinta-feira (30), após a forte ventania que atingiu o estado e causou estragos, na tarde desta quarta-feira (29). Algumas localidades já estão sem luz há quase 20 horas. Equipes das concessionárias Light e Enel receberam reforço e trabalham para restabelecer o serviço, que é principalmente impactado por quedas de árvores.
Publicidade Moradora de Realengo, na Zona Oeste, a aposentada Maria de Fátima de Andrade, de 71 anos, conta ao DIA que estava no mercado quando começou a ventania e se surpreendeu ao chegar em casa e descobrir que estava sem luz.
“Está tudo apagado, o quarteirão inteiro. Já liguei três vezes para a Light e continua sem previsão. A minha geladeira já está uma piscina. A noite foi horrível, apareceu muito mosquito. Desde que tive chikungunya, eu tenho horror a mosquito. Tive que dormir de blusa de manga comprida e calça, além de me cobrir com lençol”, relata.
Para o adestrador Júlio Vieira, de 29 anos, que mora no Recreio, na Zona Sudoeste, a noite também foi difícil de enfrentar. Além disso, familiares dele perderam consultas médicas devido à falta de energia.
“Sou uma pessoa que tem muito problema com o calor. Eu tenho alergia e à noite é terrível, porque além disso também entra muito mosquito, se abre a janela. Geladeira e filtro de água também não estão funcionando. Minha irmã tinha uma teleconsulta e não pôde fazer. Minha avó teria uma consulta com a psicóloga e também não pôde fazer. Eu trabalho indo na casa das pessoas, mas quem trabalha de home office está tendo muito problema, porque não tem internet, luz.. está bem complicado”, afirma.
O engenheiro civil Maurício Monteiro, de 66 anos, estava finalizando um projeto quando ficou sem energia. Morador do Rocha, na Zona Norte, ele ainda destaca a dificuldade de locomoção em prédios.
“Ontem, por volta das 17 horas, começou um vento acima do normal e logo em seguida a energia elétrica acabou. Eu estava finalizando o projeto para entregar hoje na parte da manhã. Até o momento, a energia não voltou. Estou extremamente prejudicado, precisando entregar esse trabalho e não consigo. Sem contar os demais transtornos. Moramos em um prédio e a subida e descida da escadaria já é complicado. Um transtorno total”, diz.
Moradora do bairro Grande Rio, em São João de Meriti, a produtora cultural Regiane Sobral, de 49 anos, relata que já perdeu todos os alimentos que tinha na geladeira.
“Todos os alimentos da minha geladeira já estragaram. A gente também já está ficando sem água e eu não consigo trabalhar, porque trabalho em home office. Minha filha mora em Niterói e se a energia não retornar nas próximas três horas vou para lá. Aqui no bairro, praticamente todos os comércios pararam e perderam mercadorias. Tem apenas uma quadra com luz e os vizinhos estão se ajudando, colocando extensões para fora dos portões. É uma sensação de dor, revolta e impotência. Eu já devo ter mais de 20 protocolos na Light”, conta.
“Todos os alimentos da minha geladeira já estragaram. A gente também já está ficando sem água e eu não consigo trabalhar, porque trabalho em home office. Minha filha mora em Niterói e se a energia não retornar nas próximas três horas vou para lá. Aqui no bairro, praticamente todos os comércios pararam e perderam mercadorias. Tem apenas uma quadra com luz e os vizinhos estão se ajudando, colocando extensões para fora dos portões. É uma sensação de dor, revolta e impotência. Eu já devo ter mais de 20 protocolos na Light”, conta.
O auxiliar administrativo José Rodrigues, de 67 anos, que mora no bairro Jardim José Bonifácio, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, teve a cobertura da casa destruída pelo vendaval. Para ele, que também está sem energia desde às 17h, o tempo fresco ameniza os perrengues da falta de luz.
“Foi uma coisa assustadora, nunca vi nada assim. A gente está no aguardo do retorno da energia, mas se ficar até mais tarde vamos ter perdas, ainda não verificamos. Passar a noite também foi muito ruim, mas pelo menos está fresquinho. Se tivesse aquele calorão seria pior”, afirma.
Segundo a professora de ioga Paula Salotti, de 60 anos, a falta de energia é recorrente no Recreio dos Bandeirantes, onde mora. Por conta disso, ela, que está sem luz desde às 16h30, revela que não teve noção do tamanho do estrago da ventania.
“Como a gente está acostumado a acabar a luz com qualquer vento, eu não tinha a dimensão do estrago, já que fiquei sem bateria. Depois que consegui um carregador portátil que vi. Eu tenho um espaço que dou aula e já tive que cancelar uma hoje à tarde porque meu espaço também está sem luz. Além disso, a gente perde praticamente tudo de geladeira e freezer. Também só vamos saber o prejuízo total quando a luz voltar”, lamenta.
“Foi uma coisa assustadora, nunca vi nada assim. A gente está no aguardo do retorno da energia, mas se ficar até mais tarde vamos ter perdas, ainda não verificamos. Passar a noite também foi muito ruim, mas pelo menos está fresquinho. Se tivesse aquele calorão seria pior”, afirma.
Segundo a professora de ioga Paula Salotti, de 60 anos, a falta de energia é recorrente no Recreio dos Bandeirantes, onde mora. Por conta disso, ela, que está sem luz desde às 16h30, revela que não teve noção do tamanho do estrago da ventania.
“Como a gente está acostumado a acabar a luz com qualquer vento, eu não tinha a dimensão do estrago, já que fiquei sem bateria. Depois que consegui um carregador portátil que vi. Eu tenho um espaço que dou aula e já tive que cancelar uma hoje à tarde porque meu espaço também está sem luz. Além disso, a gente perde praticamente tudo de geladeira e freezer. Também só vamos saber o prejuízo total quando a luz voltar”, lamenta.
Para a produtora cultural Janaína Santos, de 40 anos, moradora de Engenho da Rainha, na Zona Norte, os mosquitos também foram um dos maiores desafios da noite.
“Foi difícil demais de dormir. Muito pernilongo! Eu trabalho de casa, então estou até agora sem conseguir fazer nada. Não consigo executar nada. Usei a bateria que tinha no laptop para carregar o celular, mas só carregou 20%. É uma sensação de impotência. Não estamos preparados para viver esse tipo de situação. Nunca fiquei tanto tempo sem luz. Impacta tudo: para dormir, trabalhar, comer…”, afirma.
“Foi difícil demais de dormir. Muito pernilongo! Eu trabalho de casa, então estou até agora sem conseguir fazer nada. Não consigo executar nada. Usei a bateria que tinha no laptop para carregar o celular, mas só carregou 20%. É uma sensação de impotência. Não estamos preparados para viver esse tipo de situação. Nunca fiquei tanto tempo sem luz. Impacta tudo: para dormir, trabalhar, comer…”, afirma.
A cidade do Rio permanece em Estágio 2 de atenção desde às 16h50 desta quarta-feira. O alerta é o segundo nível em uma escala de cinco e significa que há riscos de ocorrências de alto impacto na cidade. Há possibilidade de nova mudança de estágio devido à chuva ou outros fatores.
O que dizem as concessionárias?
Por meio de nota, a Light informou que reforçou o plano operacional, dobrando o número de equipes em campo. No total, 800 equipes atuam nas ruas e mais de dois mil profissionais estão mobilizados de forma ininterrupta para agilizar o atendimento e restabelecer o fornecimento com segurança.
No momento mais crítico da falta do fornecimento, o número de clientes afetados chegou a cerca de 1,1 milhão. Atualmente, esse total foi reduzido para 320 mil. Entre os principais bairros atingidos estão Campo Grande, Bangu, Anchieta, Tijuca, Catumbi, Jacarepaguá, Santa Cruz e Recreio.
“O temporal provocou a queda de 220 árvores no município do Rio, muitas delas sobre a rede elétrica da companhia, além do lançamento de outros objetos contra a fiação, ocasionando desarmes no sistema. Em diversos pontos, a extensão dos danos exige a reconstrução de trechos da rede elétrica, tornando o trabalho de restabelecimento mais complexo”, disse a concessionária.
Já a Enel, informou que já normalizou o fornecimento para 83% dos clientes impactados pela ventania. A concessionária explicou que desde o início da ocorrência realizou manobras remotas para acelerar o restabelecimento do serviço e triplicou o número de equipes em campo.
No pico do evento, por volta das 18h49 desta quarta, cerca de 503 mil clientes estavam sem energia. Apenas três horas depois da ocorrência, a distribuidora já havia restabelecido o serviço para 48% dos clientes impactados.
“Na região Sul, especialmente em Paraty, Angra dos Reis e Mangaratiba, dezenas de árvores caíram sobre ruas e rodovias, danificando a rede elétrica e bloqueando o acesso das equipes a diferentes pontos de atendimento. Além da recomposição da rede elétrica, os profissionais também atuaram na desobstrução de acessos interrompidos pela queda de árvores”, afirmou.
Consumidores com prejuízos podem ser ressarcidos
Segundo o Procon-RJ e a Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (Sedcon), os consumidores que tiveram prejuízos após a falta de energia provocada pelos fortes ventos, como equipamentos danificados, alimentos perdidos por falta de refrigeração e outros estragos, podem ser ressarcidos, conforme previsto no Código de Defesa do Consumidor e na regulamentação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Nesses casos, é importante que o consumidor reúna provas dos prejuízos e siga os procedimentos adequados para solicitar eventual ressarcimento junto à concessionária responsável pelo fornecimento de energia.
O que fazer se um eletrodoméstico queimou?
Caso um aparelho tenha sido danificado em razão da interrupção ou oscilação no fornecimento de energia, o consumidor deve:
- Registrar o pedido de ressarcimento junto à concessionária de energia;
Informar a data e o horário aproximado da ocorrência;
- Identificar o equipamento danificado, informando marca, modelo e tempo de uso, se possível;
- Não descartar ou consertar o aparelho antes da análise da concessionária, salvo se houver autorização ou necessidade comprovada;
- Guardar protocolos de atendimento, notas fiscais, laudos técnicos, orçamentos e demais documentos que possam comprovar o dano.
Como funciona o ressarcimento?
De acordo com a regulamentação da Aneel, o consumidor que sofrer danos em equipamentos em decorrência de falhas no fornecimento de energia elétrica pode solicitar ressarcimento diretamente à distribuidora responsável. A reparação poderá ocorrer de diferentes formas:
- Conserto do equipamento;
- Substituição por outro equivalente;
- Pagamento do valor do conserto;
- Indenização em dinheiro pelo valor correspondente ao equipamento.
O consumidor tem até cinco anos para solicitar o ressarcimento. Após o registro do pedido, a concessionária deve realizar a verificação do equipamento em até um dia útil, quando se tratar de aparelhos utilizados para conservar alimentos perecíveis ou medicamentos, como geladeiras e freezers, e em até 10 dias para os demais equipamentos.
Concluída a análise, a distribuidora deve informar o resultado ao consumidor em até 15 dias, quando a solicitação for feita nos primeiros 90 dias após o dano, ou em até 30 dias, nos demais casos. Caso o pedido seja aceito, o ressarcimento deverá ser realizado em até 20 dias, por meio de conserto, substituição do equipamento ou pagamento da indenização.
E quanto aos alimentos estragados?
A perda de alimentos em razão da interrupção prolongada do fornecimento de energia também pode gerar direito à reparação, desde que o consumidor consiga comprovar o prejuízo. Para isso, recomenda-se:
- Fotografar os alimentos deteriorados antes do descarte;
- Guardar notas fiscais ou outros comprovantes de compra, quando disponíveis;
- Registrar o período em que o imóvel permaneceu sem energia;
- Solicitar o ressarcimento diretamente à concessionária, apresentando toda a documentação reunida.
Se o pedido for negado
Caso a concessionária negue o ressarcimento ou não apresente solução adequada para o problema, o consumidor poderá registrar uma reclamação junto à Sedcon e ao Procon-RJ, apresentando toda a documentação relacionada ao caso, como protocolos, fotografias, notas fiscais, laudos técnicos, orçamentos e a resposta da empresa.
Os órgãos analisarão cada caso individualmente e poderá adotar as medidas cabíveis para garantir o respeito aos direitos do consumidor.
Por meio de nota, a Light informou que reforçou o plano operacional, dobrando o número de equipes em campo. No total, 800 equipes atuam nas ruas e mais de dois mil profissionais estão mobilizados de forma ininterrupta para agilizar o atendimento e restabelecer o fornecimento com segurança.
No momento mais crítico da falta do fornecimento, o número de clientes afetados chegou a cerca de 1,1 milhão. Atualmente, esse total foi reduzido para 320 mil. Entre os principais bairros atingidos estão Campo Grande, Bangu, Anchieta, Tijuca, Catumbi, Jacarepaguá, Santa Cruz e Recreio.
“O temporal provocou a queda de 220 árvores no município do Rio, muitas delas sobre a rede elétrica da companhia, além do lançamento de outros objetos contra a fiação, ocasionando desarmes no sistema. Em diversos pontos, a extensão dos danos exige a reconstrução de trechos da rede elétrica, tornando o trabalho de restabelecimento mais complexo”, disse a concessionária.
Já a Enel, informou que já normalizou o fornecimento para 83% dos clientes impactados pela ventania. A concessionária explicou que desde o início da ocorrência realizou manobras remotas para acelerar o restabelecimento do serviço e triplicou o número de equipes em campo.
No pico do evento, por volta das 18h49 desta quarta, cerca de 503 mil clientes estavam sem energia. Apenas três horas depois da ocorrência, a distribuidora já havia restabelecido o serviço para 48% dos clientes impactados.
“Na região Sul, especialmente em Paraty, Angra dos Reis e Mangaratiba, dezenas de árvores caíram sobre ruas e rodovias, danificando a rede elétrica e bloqueando o acesso das equipes a diferentes pontos de atendimento. Além da recomposição da rede elétrica, os profissionais também atuaram na desobstrução de acessos interrompidos pela queda de árvores”, afirmou.
Consumidores com prejuízos podem ser ressarcidos
Segundo o Procon-RJ e a Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (Sedcon), os consumidores que tiveram prejuízos após a falta de energia provocada pelos fortes ventos, como equipamentos danificados, alimentos perdidos por falta de refrigeração e outros estragos, podem ser ressarcidos, conforme previsto no Código de Defesa do Consumidor e na regulamentação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Nesses casos, é importante que o consumidor reúna provas dos prejuízos e siga os procedimentos adequados para solicitar eventual ressarcimento junto à concessionária responsável pelo fornecimento de energia.
O que fazer se um eletrodoméstico queimou?
Caso um aparelho tenha sido danificado em razão da interrupção ou oscilação no fornecimento de energia, o consumidor deve:
- Registrar o pedido de ressarcimento junto à concessionária de energia;
Informar a data e o horário aproximado da ocorrência;
- Identificar o equipamento danificado, informando marca, modelo e tempo de uso, se possível;
- Não descartar ou consertar o aparelho antes da análise da concessionária, salvo se houver autorização ou necessidade comprovada;
- Guardar protocolos de atendimento, notas fiscais, laudos técnicos, orçamentos e demais documentos que possam comprovar o dano.
Como funciona o ressarcimento?
De acordo com a regulamentação da Aneel, o consumidor que sofrer danos em equipamentos em decorrência de falhas no fornecimento de energia elétrica pode solicitar ressarcimento diretamente à distribuidora responsável. A reparação poderá ocorrer de diferentes formas:
- Conserto do equipamento;
- Substituição por outro equivalente;
- Pagamento do valor do conserto;
- Indenização em dinheiro pelo valor correspondente ao equipamento.
O consumidor tem até cinco anos para solicitar o ressarcimento. Após o registro do pedido, a concessionária deve realizar a verificação do equipamento em até um dia útil, quando se tratar de aparelhos utilizados para conservar alimentos perecíveis ou medicamentos, como geladeiras e freezers, e em até 10 dias para os demais equipamentos.
Concluída a análise, a distribuidora deve informar o resultado ao consumidor em até 15 dias, quando a solicitação for feita nos primeiros 90 dias após o dano, ou em até 30 dias, nos demais casos. Caso o pedido seja aceito, o ressarcimento deverá ser realizado em até 20 dias, por meio de conserto, substituição do equipamento ou pagamento da indenização.
E quanto aos alimentos estragados?
A perda de alimentos em razão da interrupção prolongada do fornecimento de energia também pode gerar direito à reparação, desde que o consumidor consiga comprovar o prejuízo. Para isso, recomenda-se:
- Fotografar os alimentos deteriorados antes do descarte;
- Guardar notas fiscais ou outros comprovantes de compra, quando disponíveis;
- Registrar o período em que o imóvel permaneceu sem energia;
- Solicitar o ressarcimento diretamente à concessionária, apresentando toda a documentação reunida.
Se o pedido for negado
Caso a concessionária negue o ressarcimento ou não apresente solução adequada para o problema, o consumidor poderá registrar uma reclamação junto à Sedcon e ao Procon-RJ, apresentando toda a documentação relacionada ao caso, como protocolos, fotografias, notas fiscais, laudos técnicos, orçamentos e a resposta da empresa.
Os órgãos analisarão cada caso individualmente e poderá adotar as medidas cabíveis para garantir o respeito aos direitos do consumidor.
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