Adilsinho e mais três são denunciados por homicídio qualificadoÉrica Martin/Arquivo Agência O Dia
Publicado 24/08/2026 17:58 | Atualizado 24/08/2026 18:12
Rio - O Ministério Público denunciou, nesta segunda-feira (24), o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e mais três pela morte do advogado Rodrigo Crespo, em fevereiro de 2024. De acordo com o MPRJ, o assassinato foi motivado por disputas no setor de apostas virtuais (bets), mercado em que a vítima pretendia atuar e que era dominado pela nova cúpula do jogo do bicho.
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Preso nesta segunda, o policial militar Renato Franco Lopes, lotado no 15º BPM (Duque de Caxias), é um dos denunciados. O grupo conta ainda com Ryan Patrick Barboza de Oliveira, já custodiado, e Rafael Ferreira Silva, considerado foragido.

As apurações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) revelaram uma divisão detalhada de tarefas. Na época, a cúpula liderada por Adilsinho buscava se consolidar no mercado de bets, enquanto Rodrigo procurava investidores para um empreendimento de grande porte no setor, além de planejar a abertura de um espaço com máquinas de caça-níqueis. Visto como uma ameaça à organização, o advogado passou a ser monitorado por Ryan, responsável por mapear a rotina dele, locais e horários.

Renato e Rafael são apontados por prestarem apoio operacional, acompanhar os deslocamentos da vítima até a execução e planejar a rota de fuga. Análises técnicas confirmaram a presença da dupla na cena do crime e identificaram viagens posteriores para a região do sítio usado por Rafael como esconderijo.

Os quatro foram denunciados por homicídio qualificado. A Justiça também determinou a manutenção de Adilsinho em um presídio federal de segurança máxima pelo prazo de três anos, além de suspender o exercício das funções públicas e o porte de arma de Renato.
Relembre o caso
Em março deste ano, a Justiça condenou Leandro Machado da Silva, Cezar Daniel Mondêgo de Souza e Eduardo Sobreira de Moraes a 30 anos de prisão cada pelo crime. Rodrigo Crespo, de 42 anos, foi morto a tiros em plena luz do dia, na calçada próxima à sede da OAB-RJ, no Centro, em 26 de fevereiro de 2024. Segundo as investigações, um homem encapuzado saiu de um carro branco e atirou contra Rodrigo.

A vítima foi atingida por 12 disparos, sendo dois enquanto ainda estava de pé e outros dez depois que caiu. Rodrigo morreu no local.

De acordo com o inquérito, Leandro Machado da Silva foi apontado como responsável pela execução. Eduardo e Cezar teriam participado do monitoramento da rotina do advogado. Os dois também teriam utilizado veículos semelhantes, incluindo um Gol branco identificado nas imagens de câmeras de segurança.

Rodrigo Crespo era advogado e integrante do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) desde 2011. Ele também era sócio-fundador de um escritório de advocacia e atuava nas áreas de Direito Civil Empresarial, Contratos e Direito Processual Civil.
Nota da Polícia Militar

Em nota, a Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que a Corregedoria-Geral da Corporação acompanhou a ação realizada pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) para cumprir o mandado de prisão contra o policial militar.

"Cabe informar ainda que o mesmo já responde a um procedimento administrativo disciplinar (PAD), cujo objetivo é avaliar a possibilidade de permanência do acusado nos quadros da Corporação. O agente será conduzido à Unidade Prisional da Corporação, em Niterói, Região Metropolitana do Rio, onde permanecerá à disposição da Justiça", afirmou a PM, que completou:
"O Comando da Corporação reitera que não compactua com quaisquer desvios de conduta ou com o cometimento de crimes praticados por seus integrantes, punindo com rigor os envolvidos sempre que os fatos forem devidamente constatados".
O que diz a defesa de Adilsinho
Ricardo Braga, advogado de Adilsinho, disse que seu cliente nega envolvimento com o crime. "O empresário Adilson Oliveira Coutinho Filho nega qualquer envolvimento com os fatos e reafirma sua inocência. A acusação carece de substrato fático e revela um padrão ao novamente vincular Adilson a crimes sem apresentar provas concretas de sua participação", disse em nota.
A reportagem de O DIA não localizou a defesa dos envolvidos. O espaço segue aberto para manifestação.
*Reportagem da estagiária Aretha Dossares, sob supervisão de Larissa Amaral
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