Zinho, a peça-chave do tetra

No segundo capítulo da série 'A Baixada na Copa', a coluna mostra a importância tática do organizador do meio-campo no Mundial de 1994

Por Herculano Barreto Filho

Zinho com a bandeira da seleção brasileira
Zinho com a bandeira da seleção brasileira -

Titular da Seleção em 1994 e único atleta revelado na Baixada com status de campeão mundial, Zinho está na Copa da Rússia. Mas agora, na função de comentarista da Fox Sports. No segundo capítulo da série 'A Baixada na Copa', a coluna relembra a trajetória do ex-jogador de Nova Iguaçu até o tetra.

Zinho começou na escolinha do professor Paulo César Fala Fino, em Nova Iguaçu. De lá, passou a brilhar na base do Flamengo. Para fazer a transição aos profissionais, mudou as suas características e até o seu porte físico. O menino franzino ganhou massa muscular e aprimorou a sua função tática. "Lembra do Sávio? Ele era assim. Tinha drible e chute fácil. Mas mudou de característica para se tornar um jogador completo", relembra o tio Adriano Marques Cardoso, o Drico.

Zinho comemora o tetra na Copa de 1994 - Reprodução da internet

Ele acompanhou de perto a carreira do sobrinho. E relembra o surgimento nos profissionais do Flamengo, entre o fim dos anos de 1986 e 1992. Na época, cresceu atuando ao lado de um ídolo de infância: Zico. "Ele jogava na ponta-esquerda, mas voltava para ajudar na marcação. E se adaptou, porque tinha facilidade para ir e voltar. Não cansava. Virou o organizador do time. Quando a bola chegava nos pés, ele já sabia o que fazer", conta o tio.

INTELIGÊNCIA TÁTICA

Uma característica, aliás, que passou a fazer parte da sua trajetória. Mas nem sempre foi analisada com bons olhos. A contestação surgiu no seu momento de maior consagração. Em meio à campanha do Mundial de 1994, Zinho conviveu com duras críticas devido ao seu estilo de jogo. Na verdade, Zinho seguia as determinações do técnico Carlos Alberto Parreira. "O Branco era um lateral-esquerdo veterano, pesadão. Se o Zinho não voltasse para dar cobertura, iria ficar um buraco. Além de marcar, o Zinho ainda armava, organizava, tocava a bola. Estava sempre no lugar certo para receber a bola e desafogar o time", relembra Drico.

O jornalista Fernando Faria, editor do Ataque, concorda. "O Zinho era muito criticado na época. Mas ele só seguia as determinações do esquema montado pelo Parreira. Era o responsável pela mobilidade do time e ainda ajudava na marcação. Nos clubes, ele tinha mais liberdade para ser o cara que fazia o time jogar. Taticamente, o Zinho era um jogador brilhante", elogia.

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Zinho com a bandeira da seleção brasileira Reprodução da internet
Zinho comemora o tetra na Copa de 1994 Reprodução da internet

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