Volta Redonda - Cinco alunos da Escola Municipal Espírito Santo, localizada no bairro Santo Agostinho, em Volta Redonda, estiveram no final de novembro no estado de Goiás e no Distrito Federal a fim de participarem de ações de preservação do meio ambiente como parte dos prêmios por sua participação na Restaura Natureza – Olímpiada Brasileira de Restauração de Ecossistemas, em que ficaram em primeiro lugar na categoria Comissão Julgadora.
A competição colaborativa escolar é do WWF-Brasil, ONG (Organização Não Governamental) brasileira que há 26 anos atua coletivamente no combate à degradação socioambiental, organizada pela associação Quero na Escola, alinhada ao movimento global coordenado pela ONU (Organização das Nações Unidas) da Restauração de Ecossistemas (2021-2030).
Acompanhados pelo professor Bruno Santos, integrante do Promea (Programa Municipal de Educação Ambiental), os estudantes – com idades entre 12 e 15 anos – partiram em direção a Brasília em 25 de novembro, retornando a Volta Redonda quatro dias depois (29). Antes da cerimônia, o grupo passou dois dias em Alto Paraíso de Goiás (GO).
“Eles puderam conhecer a Chapada dos Veadeiros e realizar ações de restauração, como o plantio coletivo através da técnica de muvuca, que consiste na mistura de sementes nativas para realizar a restauração do ecossistema de Cerrado. Isso foi realizado dentro da unidade de conservação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, e tiveram a oportunidade de atuar junto a um projeto chamado Cerrado de Pé, e de conhecer a cachoeira Poço Encantado, no vilarejo de São Jorge”, conta o professor Bruno.
No Distrito Federal
De volta à capital federal, os alunos da rede municipal de ensino de Volta Redonda fizeram uma série de passeios, em que conheceram o Jardim Botânico, a icônica Torre de TV (que teve sua estrutura metálica executada pela CSN), a Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes – no Senado, os adolescentes puderam acompanhar uma votação de Projeto de Lei e conheceram algumas ações relacionadas a racismo ambiental.
No último dia de viagem, eles foram até a sede da WWF-Brasil. “Eles receberam mais um kit, cada, da Mauricio de Sousa Produções, pois o Chico Bento é um dos embaixadores da Restaura Natureza, conversaram com os funcionários da WWF, participaram de um almoço e posteriormente retornamos”, relatou Bruno.
Mãe de Isabella de Souza Paulino, uma das estudantes que participaram da viagem, Jhennifer de Souza Soares da Silva afirma que a filha teve “uma experiência incrível”. “Como mãe, fico super feliz em saber que o incentivo em conhecimento existe, e que a escola e as organizações são minhas parceiras na educação da Isabella. Viver essa olimpíada, construir esse primeiro lugar, com certeza foi um passo inesquecível na vida da minha filha e também na minha. O melhor momento foi o de plantio de sementes no Cerrado. Provavelmente não veremos essas árvores no seu ápice, mas elas estarão lá para os meus netos. Esse foi um momento de amor puro, onde a união fez a força e deixou o mundo melhor para todos nós!”.
Diretora da Escola Municipal Espírito Santo, Cláudia Meire Moura M. Rodrigues também se encantou com a experiência. “A viagem para o Cerrado foi uma experiência única, emocionante e de um excelente aprendizado. Eu não imaginava conhecer um projeto tão sério de coleta de sementes, de sustentabilidade para aquela população local. Conhecer um outro bioma foi maravilhoso, e o contato com pessoas tão envolvidas com a questão de restaurar a natureza foi incrível. Voltei um ser diferente, mais comprometida com a proteção e restauração de nossos biomas”, relatou.
Restaura Natureza
A edição 2023 da Olímpiada Brasileira de Restauração de Ecossistemas teve a participação de 275 escolas de todo o país, com 9.269 inscritos. A competição abordou temas ambientais de forma lúdica e divertida e é voltada para alunos do 7º ao 9º ano do Ensino Fundamental, e 1º ano do Ensino Médio, sendo composta por duas fases simultâneas.
A primeira delas, online, apresenta dez temas formativos e convida os estudantes a testarem seus conhecimentos individualmente; na segunda, prática e realizada em grupo, as crianças e os jovens devem desenvolver – acompanhados de um professor responsável – seus projetos relacionados ao uso de tecnologia, plantio, mudanças na gestão da comunidade, campanhas de engajamento ou qualquer ação criativa que promova a restauração dos ecossistemas.
No caso dos estudantes da Escola Municipal Espírito Santo, eles desenvolveram um plano de ação multidisciplinar que propôs atividades de vivências ecológicas na sede do Refúgio de Vida Silvestre do Médio Paraíba, em Valença, com plantio de mudas nativas da Mata Atlântica; e a participação da unidade escolar na campanha #jogaatampinha, no projeto Tampet Sul Fluminense (criado pelo professor Bruno Santos), em que recolheram tampinhas plásticas e que visa estimular a responsabilidade compartilhada de toda a população com a redução do descarte desse material na natureza, o incentivo à economia circular e à economia de recursos naturais em prol da sustentabilidade.
O projeto também abordou a importância do Rio Paraíba do Sul e seus serviços ecossistêmicos acerca da existência de um animal endêmico (que só existe em algumas regiões do estado do Rio) e ameaçado de extinção, o Cágado do Paraíba, que vive na região entre Itatiaia e Três Rios, passando por Volta Redonda, abrangendo 13 municípios.
Por terem ficado em primeiro lugar em sua categoria, os estudantes de Volta Redonda tiveram como prêmio duas mentorias com técnicos do WWF-Brasil, entre eles ecologistas, colaboradores da área científica de mudanças climáticas. “Além da mentoria, nossos alunos fazem parte agora do primeiro conselho da Restaura Natureza. Durante três anos eles vão ficar no conselho junto a alguns outros grupos vencedores”, disse o professor.
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