Evento durou três dias e teve como objetivo fortalecer o debate, formar profissionais da rede municipal e consolidar as práticas pedagógicasFoto: Geraldo Gonçalves - Secom/PMVR

Volta Redonda - As secretarias municipais de Educação (SME) e de Políticas para Mulheres e Direitos Humanos (SMDH) de Volta Redonda, em parceria com o Clube Palmares, promoveram nesta semana a 1ª Jornada de Educação para as Relações Étnico-raciais de Volta Redonda. Com o tema “Volta Redonda construindo uma sociedade democrática e antirracista”, o objetivo do evento, concluído nesta sexta-feira (24), foi fortalecer esse debate, promover a formação dos profissionais da rede municipal e consolidar práticas pedagógicas comprometidas com a educação para as relações étnico-raciais.
A abertura da jornada aconteceu na segunda-feira, dia 20, no auditório da SME, no bairro Niterói, com a presença de cerca de 100 profissionais da Educação, que participaram do seminário ministrado pelo professor Moisés Machado, e assistiram a uma apresentação cultural dos alunos da Escola Municipal Antonietta Motta Bastos.
O secretário municipal de Educação, Osvaldir Denadai, participou da mesa de abertura, assim como outras autoridades e profissionais ligados à educação, ressaltando a importância dessa formação para a melhoria do ensino público.
“A escola, como instituição social, não pode se furtar a esse debate, uma vez que também é atravessada por relações raciais. A rede municipal possui um histórico de promoção de espaços formativos nessa área, e retomar e fortalecer essas iniciativas é essencial para aprofundar as discussões e qualificar as ações junto a toda a comunidade escolar”, frisou o secretário Osvaldir.
Juliana Sampaio, assessora técnica de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da SMDH, afirmou que a participação na abertura do evento reafirma o compromisso da secretaria em pensar o ensino sob a ótica da equidade.
“Não falamos apenas de levar conteúdo às salas de aula, mas de garantir que a educação seja uma ferramenta de ruptura com o racismo estrutural. Promover uma educação antirracista é assegurar que cada aluno e aluna se vejam representados e valorizados. É através do fortalecimento das políticas públicas no ambiente escolar que construímos, na prática, a cidade justa e igualitária que buscamos todos os dias.”
“Trabalhar a educação antirracista traz frutos tanto na construção da autoestima dos estudantes quanto nos resultados de aprendizagem. É um caminho possível para a melhoria das nossas escolas”, acrescentou o professor Douglas Lucas, o coordenador do Núcleo de Educação para as Relações Étnico-Raciais (Nerer) da SME, único do tipo no Sul Fluminense.
O segundo dia da Jornada promoveu atividades no Colégio João XXIII, da Fevre (Fundação Educacional de Volta Redonda), no bairro Retiro, e na Secretaria Municipal de Educação. Na unidade escolar, foram realizadas mesa redonda e palestras com supervisores, orientadores educacionais e representantes pedagógicos.
“Eu achei muito importante essa jornada, porque a gente vem vendo tanta coisa acontecer e precisamos realmente ter esse conhecimento, saber como intervir, saber como trabalhar com as crianças na educação antirracista. Essa jornada veio para melhorar, dar mais subsídio para podermos trabalhar com as crianças em sala de aula”, conta Carla Assis, que é supervisora educacional da Escola Municipal Maria José Campos Costa, no Santo Agostinho, citando o apoio do Nerer.
“A escola já vem nessa abordagem, mas depois que veio o núcleo, ficou melhor de trabalhar, porque temos um suporte, já que nem sempre temos o domínio de toda a literatura, do linguajar e expressões corretos. Com o núcleo ficou mais fácil, eles são muito solícitos, sempre disponíveis para nos ajudar.”
A Jornada foi concluída nesta sexta-feira (24) com a realização de oficinas destinadas aos professores, promovidas no campus Aterrado da UFF (Universidade Federal Fluminense), abordando temas como “O brincar enquanto instrumento para uma educação infantil antirracista”; “Espaços enegrecidos de Volta Redonda: uma oportunidade pedagógica”, entre outros.
O secretário de Educação parabenizou as equipes envolvidas no projeto e citou que, segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (2004), os sistemas de ensino e as instituições de Educação Básica devem garantir a inclusão da discussão da questão racial como parte integrante do currículo, além de promover processos de formação continuada de professores.
“A formação em serviço se apresenta como um caminho estratégico, pois favorece a participação dos profissionais, bem como a construção de espaços de troca, escuta e reflexão coletiva. Estamos construindo uma escola pública cada vez melhor para toda a comunidade escolar”, disse Osvaldir.