Temer defende que ministros citados na Lava Jato peçam demissão

Presidente interino quer envolvidos em escândalos fora do governo

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Depois de três baixas em seu governo devido à Lava Jato, o presidente em exercício, Michel Temer, que evitar novas surpresas. Ele determinou nesta sexta-feira aos ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, que conversem com todos os integrantes do primeiro escalão sobre qualquer envolvimento nas investigações do esquema de corrupção na Petrobras. Temer busca blindar o governo. A ideia é que os principais auxiliares façam um “exame de consciência”.

Depois da delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, a preocupação agora no Palácio do Planalto é com a delação de Fábio Cleto, que era vice-presidente da Caixa Econômica Federal. Cleto é afilhado político do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha.

Temer ficou irritado com a saída de Henrique Eduardo Alves do Ministério do Turismo. Ele estuda até extinguir a pasta, levando as atribuições para o Ministério do Esporte. Mas caso resolva manter a pasta, o presidente interino quer nomear alguém reconhecido pelo mercado de turismo. Seja qual for a solução, Temer avalia que não pode passar de semana que vem, já que esta é uma área fundamental durante as Olimpíadas, cuja abertura será no dia 5 de agosto.

A Lava Jato encontrou uma conta na Suíça do ex-ministro Henrique Alves. A suspeita é que ela era usada para receber propina no exteriorAgência Brasil

CONTA

A Operação Lava Jato encontrou uma conta na Suíça do ex-ministro Henrique Alves. Os investigadores já encontraram um extrato da conta bancária da qual Henrique Alves é beneficiário e suspeitam que ela era usada para recebimento de propina no exterior. Para os investigadores, o caso de Henrique é semelhante ao de Eduardo Cunha, que também mantinha uma conta em uma instituição bancária suíça.

Henrique foi o terceiro ministro do governo interino de Temer a deixar o cargo após se envolver com a Lava-Jato. Antes dele, Romero Jucá saiu do Planejamento e Fabiano Silveira pediu demissão da Transparência após serem divulgadas gravações de Sérgio Machado.

Nos áudios, Jucá diz que era preciso “estancar essa sangria”, em relação ao avanço das investigações, e Silveira orienta o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a não antecipar informações à procuradoria-geral da República.


Acordo para brecar as investigações

O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado disse aos investigadores da Lava Jato não haver dúvidas para ele de que havia uma iniciativa de muitos políticos para prejudicar a operação.
Nos diálogos gravados por Machado com integrantes da cúpula do PMDB, antes de o processo de impeachment de Dilma ser aberto pelo Congresso, foram tratada estratégias para barrar a Lava Jato.

Segundo Machado, o próprio senador Romero Jucá (PMDB-RR) teria lhe confidenciado “sobre tratativas com o PSDB nesse sentido facilitadas pelo receio de todos os políticos com as implicações da Operação Lava-Jato”. “Essas tratativas não se limitavam ao PSDB, pois quase todos os políticos estavam tratando disso”, revelou Machado, na delação.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia