UnB é alvo de manifestação de extrema direita de fãs de Bolsonaro

Participantes do protesto gritaram frases homofóbicas e contra política de cotas na universidade

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Estudantes da Universidade de Brasília (UnB) foram alvo de uma manifestação de um grupo classificado como de “extrema direita”, na noite dessa sexta-feira (17). De acordo com a ocorrência policial registrada por dois alunos da instituição e vídeo publicado nas redes sociais, cerca de 15 manifestantes entraram no Instituto Central de Ciências (ICC) da universidade com megafone e bandeiras do Brasil, gritando palavras preconceituosas contra os estudantes, como insultos racistas e homofóbicos. A Polícia Civil do Distrito Federal investiga o caso.

O grupo foi denunciado por dois estudantes, de 19 e 21 anos, que compareceram à 2ª Delegacia de Polícia e registraram boletim de ocorrência por injúria. Além dos xingamentos e ameaças de agressão, os alunos dizem que foram seguidos por um motociclista no estacionamento após a confusão.

No vídeo publicado na internet, os manifestantes gritavam: “vai ter que estudar”, “não vai ter greve”, “maconheiros”, "cotistas golpistas não passarão" além de frases homofóbicas. Os manifestantes também entoaram cantos de apoio ao deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e ao juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato na primeira instância.

Em nota, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB disse que, no momento da manifestação, os estudantes estavam em aula e por isso reclamaram do barulho. Os manifestantes reagiram à reclamação com “com gritos ofensivos e preconceituosos, além de ameaçarem estudantes e soltarem dois 'cabeções' [pequenas bombas caseiras] no local”.

“O DCE repudia esse ato de violência e intolerância. Não podemos aceitar atitudes como essa em nossa universidade, que são uma agressão a toda a comunidade da UnB”, acrescentou a entidade.

O coordenador geral do DCE, Victor Aguiar, disse os envolvidos ainda não foram identificados e que o diretório medidas para que isso não volte a acontecer.

Relatos

Nas redes sociais, estudantes da UnB que estavam no local na hora da manifestação relatam as agressões. “Fiquei extremamente nervoso e com medo. Foi uma cena assustadora. Foram ali para dizer que todos nós éramos vagabundos, maconheiros”, contou o estudante de serviço social da UnB Kaic Ribeiro.

“A maioria de nós ficou olhando, perplexos com o que estávamos vendo. E quando um grupo pequeno se contrapôs, uma mulher que estava no grupo, tirou com um sorriso frio e nefasto uma arma de choque. Sério, ela tirou e apontou para um estudante. Tinha um dois senhores com cassetetes. E um deles gritou 'Isso é só o começo, vamos voltar com mais”, acrescentou o estudante.

A aluna de arquitetura e urbanismo Alessandra Adriane disse que os manifestantes a xingaram e jogaram objetivos em seu carro. “Me xingaram, jogaram coisas contra meu carro, me seguiram, jogaram coisas em mim. Bem-vindo ao Brasil sobrenome intolerância”, disse a estudante em sua página no Facebook.

O Movimento Reação Universitária, que se identifica como uma organização estudantil de direita, repudiou as agressões. “Manifestações agressivas com o objetivo de intimidar, venham de quem vier, são indignas do ambiente acadêmico e merecem o mais profundo rechaço de todos os que fazem parte da comunidade universitária – estudantes, professores, servidores e funcionários em geral”, disse o grupo em texto divulgado nas redes sociais.

Convocação

A manifestação teria sido convocada pela ativista conhecida como Kelly Bolsonaro. No último dia 9, Kelly postou uma mensagem no Facebook convocando interessados em fazer uma manifestação na universidade. “Tem alguém daqui de bsb afim de participar de uma ação na UNB?? :) #?opressão ”, diz a mensagem.

A manifestação ocorreu dias depois que professores da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília sugeriram levar ao congresso do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) uma proposta de greve na universidade, a partir do segundo semestre, até que a presidenta afastada Dilma Rousseff volte ao governo. O congresso ocorrerá no final deste mês. Segundo o coordenador do DCE, os estudantes foram consultados sobre essa possibilidade de greve, mas a maioria se manifestou contra a proposta.

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